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Cartilha prática para caudilhos populistas latino-americanos 

 

Nossa América do Sul assiste momento realmente glorioso e contagiante! A União dos Caudilhos da América Latina tem a orgulho de anunciar o lançamento de sua cartilha oficial. [Caudilho – origem etimológica na palavra coudel, capitão de cavalaria, mas também em sentido figurativo, manda-chuva]

A maioria de nós cresceu em meio à insatisfação popular com a condução da economia e com o desmantelamento das instituições. O caudilho moderno não precisa necessariamente ter viés ideológico. Em caso de pressão sempre se pode encomendar uma nova ideologia (que será batizada com seu nome). A alternativa mais em conta é provar que corre em seu sangue traços de DNA de algum libertador nacionalista.

Para discursos públicos procure não ultrapassar sete horas e apresente oratória tosca.  Em caso de lapso levante os dedos e gesticule fazendo ameaças vagas. Importante: quando vierem aplausos dê a entender que você não os merece.

A qualquer acusação mais acintosa peça tempo e diga que irá apurar com rigor – acrescente “doa a quem doer” para dar mais veracidade — ou diga apenas que não sabia de nada.

Quando conceder coletiva passe a impressão de ser vítima da grande imprensa. Despache assessores para redigir artigos nas revistas que recebem publicidade oficial. Nunca perca a oportunidade de converter o vácuo de liderança em culto à sua personalidade. É só uma questão de tempo até ser reconhecido como a única solução da Pátria. Se possível anuncie que os avanços sociais começaram em seu governo.

Produza fatos e defenda a população da agressão ianque, mas mantenha o fluxo comercial intacto. Se a commoditie for petróleo, faça agrados dando abatimento no preço do barril. Promova privatizações em leilões confusos e quando algo der errado coloque a culpa na democracia liberal. Insista na tese de que ela está defasada em relação aos anseios populares (nunca os nomeie com precisão). Se houver espaço, afirme que o sistema eleitoral representativo faliu e precisa de uma grande limpeza. Quando alguém perguntar quem se incumbirá anuncie, relutante, que aceita a missão de ser o faxineiro-mór!

Em caso de resistência à revisão da carta constitucional que garanta mais autocracia, ataque o sistema capitalista e associe a democracia a fantasias colonialistas espúrias. Se houver reação da opinião pública não se abale. Conte com o apoio da burguesia arrependida e dos ideólogos do partido. 

 

Para ver o artigo na íntegra acesse o link do JB