• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos da Tag: wikileaks

Nostalgia de papel

17 quinta-feira jan 2013

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Tags

aaron swartz, wikileaks

Nostalgia de papel

 

O processo da enfermidade de Chávez mostra como a imprensa pode se comportar de forma opaca e escancara a importância de uma discussão adulta sobre os direitos das sociedades contemporâneas à informação. Afinal o sujeito preside um país! Mas seu estado de saúde e os relatórios sobre suas reais condições de governar estão nas mãos da elite da inteligência cubana. E, graças ao mistério, na Venezuela, a violação constitucional ungida por corte jurídica, teve êxito. Eis um segredo de Estado bem usado.

 

São conhecidas as edições maquiadas e manipuladoras do velho Pravda, os jornais caricatos controlados por Ceausescu e Sadam Hussein, a mão de ferro com a qual a ditadura de Pinochet e os generais do cone sul esmagaram a imprensa livre. Muitos não se lembram mais dos versos de Camões no Estadão (sempre saudável lembrar que o jornal ainda está sob censura) e das bombas contra a ABI. O aforismo é auto evidente: se há ameaça de totalitarismo, a liberdade de expressão é a primeira a cair.

 

Precisamos analisar um caso recente que, providencialmente, teve baixíssima divulgação. Trata-se do ativista prodígio Aaron Swartz. Nada a ver com o lucrativo wikileaks, Swartz fundou o theinfo.org e lutou pelo direito e disponibilização de artigos científicos, teses, processos jurídicos e outras informações normalmente só acessíveis com deslocamento pessoal do interessado até bibliotecas ou arquivos burocráticos. Isso irritou o Departamento de Justiça dos EUA porque Swartz xeretou em lugares impróprios: se posicionou contra os abusos incluídos na nova lei antipirataria (agora citar um trecho com copyrights em artigos, filmes ou teses pode dar cadeia) e fez o inadmissível, começou a rastrear a origem do dinheiro do financiamento das pesquisas. O sistema tolera que o cidadão avance até certas áreas fronteiriças, depois da linha vermelha, lasca-lhe o cassete. Acusado, e ciente das chances de passar os próximos 35 anos aprisionado, Aaron reduziu-se ao silencio. Na semana passada, pressionado e deprimido, matou-se aos 26 anos de idade. (ver  artigo de Magaly Pazello em http://www.portogente.com.br)      

 

Então para que serve a informação? Para controlarmos uns aos outros? Estamos montando uma sociedade de delatores? Uma megacorporação de fiscais?  

 

Numa sociedade regulada pelo instantâneo estamos todos ligados, conectados em tempo real, mas os plugs cobram um preço: nos tornou mais exigentes, escravos da intolerância, discípulos do cronômetro e, principalmente, vulneráveis à vigilância. 

 

Projeções indicam que meios digitais como este que você agora lê, tornar-se-ão, em menos de duas décadas, os veículos preferenciais para a busca de notícias. Jornais em papel serão raridades bibliofílicas. Por isso, China e Irã, por exemplo, vêm gastando bilhões em sistemas tecnológicos de bloqueio e filtros de acesso à web. Percebeu-se que a inclusão digital é faca de muitos gumes. Porém o mundo real mostra que a sede por notícias é maior do que a capacidade do Estado em sufocar o acesso a elas. Pronto, confesso a nostalgia. O papel era mais subversivo e irreverente. O papel circularia mesmo se algum político resolvesse desligar a chave geral. Papel dura, arquivos são reformatados ou deletados.  

Depois da onda de euforia, têm sido um tanto comum ler pessoas maldizendo a realidade virtual. Do jeito que escrevem é como se alguém as obrigasse a entrar, sentar, digitar, responder, curtir, descurtir, cutucar, retransmitir, compartilhar, ver quem acessa, esperar comentários, respostas que nunca chegam. Mas não fomos nós que criamos a coisa? Que desperdiçamos cada vez mais horas grudados na tela, aposentando dicionários por google e e-pédias e tornando Mark megatrilionário? Me ocorre a palavra “tráfico”. Surfar nestas plagas vicia como cocaína e mostra que a vida também pode ser perfeitamente decomposta por clicks inocentes. Isso não é futuro. Já aconteceu: somos todos dependentes eletrônicos.

 

É hora de aposentar discos rígidos e trocá-los por um pouco de memórias insólitas.  

 

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

 

Paulorosenbaum.wordpress.com

 

Para comentar acessar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/01/17/nostalgia-de-papel/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Artigos Estadão

Artigos Jornal do Brasil

https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

aculturamento Angelina Jolie anomia antiamericanismo antijudaismo antisemitismo artigo aspirações impossíveis assessoria assessoria de imprensa assessoria editorial atriz autocracia autor autores A Verdade Lançada ao Solo açao penal 470 blog conto de noticia Blog Estadão Rosenbaum Censura centralismo partidário centros de pesquisas e pesquisadores independentes ceticismo consensos conto de notícia céu subterrâneo democracia Democracia grega devekut dia do perdão drogas editora editoras Eleições 2012 eleições 2014 Entretexto entrevista escritor felicidade ao alcançe? Folha da Região hegemonia e monopólio do poder holocausto idiossincrasias impunidade Irã Israel judaísmo justiça liberdade liberdade de expressão Literatura livros manipulação Mark Twain masectomia medico mensalão minorias Montaigne Obama obras paulo rosenbaum poesia política prosa poética revisionistas do holocausto significado de justiça Socrates totalitarismo transcendência tribalismo tzadik utopia violencia voto distrital
Follow Paulo Rosenbaum on WordPress.com

  • Assinar Assinado
    • Paulo Rosenbaum
    • Junte-se a 30 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Paulo Rosenbaum
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d