• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos da Tag: significado de justiça

Vidraças da justiça e o Executivo redentor

05 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

justiça, mensalão, planos de saúde, significado de justiça

Vidraças da justiça e o Executivo redentor

O jato da FAB ultrapassou a barreira do som e estilhaçou as vidraças do STF. Foi um evento espetacular e chocante, mas se os símbolos ainda têm algo a dizer, é nossa obrigação debruçar sobre eles. Pois há um mundo onde nem tudo é casual e os fenômenos não são aleatórios. Pouco provável que tenha sido imperícia dos exímios pilotos.
Não defendo nenhuma hipótese mística ou paranormal: não pairam mais dúvidas de que concentração de energia é um fenômeno mensurável. A nanotecnologia e a microfísica contemporânea, já avançaram para demonstrar que, no jogo de íons, a matéria pode concentrar ou dispersar enormes quantidades de energia. E forças psíquicas entram com poder para afetar essa contabilidade.

Os transtornos foram relativamente pequenos, e, ainda bem, ninguém se feriu gravemente. Alguns ministros tiveram que se deslocar para prosseguir trabalhando.

Há unanimidade que os dois mandatos do PSDB e os dois e meio do PT promoveram significativos avanços sociais e a justiça ampliou suas perspectivas.

Mas a venda que recobre a estatua da justiça precisa de urgente restauro.

O ex-ministro poderoso que caiu fora de dois governos foi autorizado a recolher salários acumulados enquanto o caseiro que o denunciou está a ver navios, o poder de pressão e confisco do sistema financeiro sobre o cidadão comum aumentou desmesuradamente, os planos de saúde montaram verdadeiro esquema lesa-pacientes numa área sensível em que o cidadão é o bode expiatório preferencial. O contraste nessa área não poderia ser mais absoluto quando se imagina o plano de saúde vitalício assegurado para ex-parlamentares e ex-governantes.

Assim como há consenso sobre os tais avanços da sociedade, esboça-se uma percepção na opinião pública de que algo se deteriora no quesito direitos civis e equidade. Assim as áreas que vem dando nítidos sinais de retrocesso podem ainda estar no plano sutil, destarte estarmos diante de fatos gravíssimos. Claro que os índices de aprovação da atual administração ainda não refletem esse desgosto, pois a maioria vincula bom governo com poder de consumo e crédito fácil. Aí ficamos bem na fita, ainda que comprometidos no cinema de longo prazo.

A independência dos poderes, uma das bases da República democrática vêm sendo aos poucos substituída por um “executivo redentor” que insinua que os poderes legislativo e judiciário só servem para atrapalhar a performance daqueles que administram.

Não é nada fortuito que a corda aperte o pescoço exatamente na hora em que o processo do mensalão está para ser julgado depois de sete longos anos. Estamos diante de uma dupla forca. Todos sabem que o que está em jogo ali vai muito bem além da justiça tardia. Apesar de confiar na lisura e capacidade de discernimento dos meritíssimos, suspeita-se que pressões externas ao tribunal transbordem o que um ser humano pode suportar.

À boca pequena já circula a versão que alguém “já queimado” assumirá o crime e os outros estarão livres para prosseguir em suas carreiras, rumo às aspirações maiores da existência: o poder.

Isso é o que mais amedronta.

Uma impunidade dessa ordem e nesta escala produz efeitos históricos com amplas repercussões, inclusive biográficas. Caso saiam vitoriosos, explorarão as presumidas inocências como mais uma prova da conspiração cantando a derrota da “burguesia lacaia”.
Aos poucos, valores como honestidade, trabalho e esforço vão sendo ideologizados em banho-maria para serem transformados e servidos a la carte como “moralismo reacionário”. E como é fácil seduzir aqueles que não ousam pensar pelos próprios meios, teremos que nos conter diante de um eventual cala-boca dessa ordem de grandeza.
O atual governo tem sido pródigo nas mensagens dúbias e em produzir a desmoralização seletiva. Muitas vezes comprometendo a moderada e histórica boa atuação do Itamarati, se servem do Estado para colocar o país em situação embaraçosa perante a opinião pública mundial. Aproximação com ditadores, retórica anti norte-americana, a afoita intermediação fracassada para proteger a política militar atômica do Irã, e, por fim, a entrada relâmpago da Venezuela no Mercosul, exemplos desse oportunismo que vigora entre gaviões da política externa da Brasília atual.

Mas é claro que nenhum deles se manifestou quando Hugo Chavez despachou seu chanceler para convencer os militares paraguaios a desafiar a ordem institucional daquele país e ir contra a decisão do parlamento. Em outras palavras, o déspota venezuelano oferecia suporte para um golpe. Se faltaram chances para a ampla defesa de Lugo – e decerto faltaram – um crime não justifica outro, como diz o famoso aforismo.

Para o cidadão há o consolo de torcer. Assim como ontem vibramos todos por um título inédito para o Brasil, devemos usar a mesma energia para enviar força e coragem simbólica aos árbitros do país.

O que custa pensar no melhor?

Às vezes estragos na fachada induzem inesperadas reformas no prédio todo.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A verdade Lançada ao solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar e retransmitir usar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/05/vidracas-da-justica-e-o-executivo-redentor/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Como se julgar? O que significa justiça?

04 sexta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Tags

a sombra, auto-julgamento, conceito de justiça na tradição judaica, hermeneutica juridica, justiça, justo que sofre, maniqueísmo, o que é ser justo?, significado de justiça, tzadik, vícios moralistas

Claro que aqui não se trata de dar definição como se estivessemos dentro de um compêndio de direito. O conceito de justiça (e portanto do ser justo) é um dos fundamentos da civilização moderna.

Será?

De uma perspectiva talmúdica estaríamos em outro campo. O justo é um advento não só poderoso como raro. São uns poucos justos no mundo. Muitos estão a procura-espera dessa justiça, mesmo que as vezes confundam justiça com hermenêutica jurídica ou jurisprudência.  Não. Isso não é aquilo.

A justiça na perspectiva judaica não é só uma terminologia para definir ética. A justiça não é feita por juízes ou tribunos, religiosos ou laicos. Não é dessa justiça que estamos falando. Falamos da justiça como eixo filosófico, como atitude, aquela que norteia a vida. Falo da justiça como o fundamento  poético (sim, estético também) que nos permite viver com liberdade.

Já que segundo o filósofo e rabino Schneur Zalman um tzadik (justo) é tão raro — somos apenas, quando muito, aspirantes à justos — que devemos nos conformar com a belíssima idéia de sermos “justos que sofrem”.

Sofremos porque não é possível aos seres humanos médios — aqueles que não nasceram com uma carga de santidade introjetada n”alma — escolherem a perfeição.

E pela santa imperfeição que sofremos. Mas sofremos porque aspiramos a justiça. A justiça  que, talvez, não esteja conosco, a justiça longínqua, inaccessível, a justiça que a vida — em suas gradações e tonalidades múltiplas — teria a potência de nos oferecer. Mas a potência não vira, necessariamente, ato. Deveras nunca.

Um dos papéis humanos é tentar fazer nascer o que não é espontâneo. Assim como numa indução em um experimento científico, a nossa prerrogativa é tentar viabilizar um sentido para as coisas, e isso é, já, um passo para a justiça.   

Assim, abandonando-se completamente e renunciando à inalcançável perfeição podemos voltar a pensar em nossos papéis. O papel de sujeitos que lutam para buscar a justiça nos sentidos interiores. Malgrado se perceberem brutais, omissos, mentirosos e espertos. E mesmo assim não se rendem à debilidade de uma análise maniqueísta. Não se flagelam, não se penitenciam, não  se entregam aos vícios  moralistas. Em outras palavras, — e aí está a genialidade pseudo-naive de Zalman —  somos obrigados a conviver com nossas sombras e a melhor notícia é que ela não precisa ser extirpada, eliminada ou sublimada. Ela deve ser assimilada no sofrimento já que somos os tais justos que sofrem. Os permanentes sêres intermediários. E os que sofrem (talvez só eles) saibam que precisamos sair da medíocre passividade na qual estamos todos metidos.

Se conseguirmos esta aspiração ela deve começar conosco. Somos justos, sequer razoáveis no julgamento particular em todos os dias defesa e acusação encarnam aquele papéis horrendos de sempre enxergar (alguns até pagos para isso) só um lado?

Não só não somos, como ficamos a espera de que jurados alienados e frequentemente hostis nos concedam a benesse do fôro privilegiado (nota- só há esta aberração no Brasil) ou a sentença máxima, geralmente definitiva.

Não se pensa em bondade, talvez nem caiba mais, mas em justiça.

Isso, só isso,  já seria uma enorme mudança no mundo prático.

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...
Posts mais Recentes →

Artigos Estadão

Artigos Jornal do Brasil

https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

aculturamento Angelina Jolie anomia antiamericanismo antijudaismo antisemitismo artigo aspirações impossíveis assessoria assessoria de imprensa assessoria editorial atriz autocracia autor autores A Verdade Lançada ao Solo açao penal 470 blog conto de noticia Blog Estadão Rosenbaum Censura centralismo partidário centros de pesquisas e pesquisadores independentes ceticismo consensos conto de notícia céu subterrâneo democracia Democracia grega devekut dia do perdão drogas editora editoras Eleições 2012 eleições 2014 Entretexto entrevista escritor felicidade ao alcançe? Folha da Região hegemonia e monopólio do poder holocausto idiossincrasias impunidade Irã Israel judaísmo justiça liberdade liberdade de expressão Literatura livros manipulação Mark Twain masectomia medico mensalão minorias Montaigne Obama obras paulo rosenbaum poesia política prosa poética revisionistas do holocausto significado de justiça Socrates totalitarismo transcendência tribalismo tzadik utopia violencia voto distrital
Follow Paulo Rosenbaum on WordPress.com

  • Assinar Assinado
    • Paulo Rosenbaum
    • Junte-se a 30 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Paulo Rosenbaum
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d