• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

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Penultima Epistola (blog Estadão)

16 sexta-feira maio 2014

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inutilidade dos escritores, machado de assis, penúltima carta, penúltima epistola, popularização obras literárias

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14:52 •  16 Maio de 2014
Conto de Notícia, Paulo Rosenbaum
16.maio.2014 10:23:29

Penúltima epistola

“A grande prosa é a arte de captar um sentido jamais objetivado até então. E de torná-la acessível a todos os que falam a mesma língua. Um escritor morre em vida quando não é mais capaz de fundar assim uma universalidade nova e de se comunicar em meio ao risco”

Maurice Merleau-Ponty

Peço-vos calma. Também ouvi os rumores com atenção. Se ainda não notaram, aquele País, de qualquer forma, a pátria cultural que imagináramos, já foi. Desceu à hera. Sem meio termo: inexiste. Talvez adiante, em outras gerações. Se me forçam a dar um parecer, eis que nesse novo território vigoram regras, claras, porém impostas. A síntese que captura o estado das coisas: não importa mais o que se escreve já que não importa mais o que se fala.

Essa é apenas outra forma, covarde por sinal, de confessar ao leitor que doravante será inútil, ao romancista ou ao poeta, debruçar-se sobre os papéis, esmiuçar palavras, estimular a dedução dos sentidos.  Graças a uma fenda no tempo enxerguei as novas histórias. Essas, com data. Testemunhei um estilo, traduziam toda linguagem ao senso comum: florestas reduzidas a carvão. Vermes digerem homens e livros, destinamo-nos ao pó.  Consolava saber que inscrevíamos nossas singularidades no mundo. Eis que, lá adiante, será diferente: o autor sucumbirá, sem cravar marca. Foi então que me ocorreu a temível antecipação: o que será deste nosso ofício? Notem que mesmo acolhendo a pergunta com equanimidade, meu espírito cedeu. Foi pela resposta que recebi. No futuro, alguém redigirá nossos textos. E quando quis saber no que consistia o aperfeiçoamento –  o próprio espírito da adulteração — me contam de gente treinada. Treinados para promover  simplificações. Golpe e tanto saber que escrevo hieróglifos. Primeiro me perguntei da estupidez, depois se todo mistério para abolir a capacidade criativa do escritor caberia num só cabresto. Querem saber mais deste futuro tardio? O que será levado em consideração? Como se julgará a qualidade?  Descubro, há consenso. Lá adiante, o principal, senão o único aspecto que avaliará uma obra será: alcançou leitores? Aos milhões? Portanto, neste final, abraço um a um para anunciar que, sem renúncia, mágoa ou resignação, abdico da atividade. E direi, ao modo de um daqueles meus presságios que os clínicos insistem em diagnosticar como “aura”, que, quando, experimento o tratamento que o futuro nos reserva, sou tomado por uma anomalia que reputo estranha ao meu espírito, convicção. Ela que justifica a penúltima epistola.

Se formulo um conselho? Busquem outros meios para alcançar imortalidade!

Afetivamente,

Machado de Assis

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