• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos da Tag: planos de saúde

Democracia, saúde, felicidade

19 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

democracia, direitos democráticos e saúde, felicidade e saúde, innersfera, medicinas complementares, planos de saúde

Democracia, saúde, felicidade.

Ao receber o importante premio americano de ciências humanas “Jonh W. Kluge”, que dividiu com nomes como Paul Ricoeur, FHC ao fazer seu discurso de agradecimento, introduziu uma questão relevante e acabou tocando numa área que transcende a sociologia.
Ao indicar que precisávamos encontrar um meio que “permita não só o aumento do PIB – mas também o aumento da felicidade nos países”, quiçá tenha se referido ao índice que aferisse a TF.
Vale dizer, taxa de felicidade.
Na pesquisa epidemiológica já existem em quantidades questionários de qualidade de vida em saúde que avaliam parâmetros psíquicos e tentam diagnosticar o status de felicidade das pessoas. Destarte, essa psicometria ainda é um instrumento precário, que requer ajustes. O certo é que ela tende a se universalizar e no futuro próximo se fará quase onipresente em qualquer avaliação clínica, dos atos cirúrgicos aos tratamentos ambulatoriais.
Por que?
É ela, a felicidade, que deveria direcionar o grau de impacto que tanto a vida como os tratamentos têm sobre as pessoas. Ou seja, para além da saúde objetiva, mensurada por testes laboratorais, anamnese e exames subjetivos será obrigatório examinar melhor o impacto eco-ambiental não só externo, mas especialmente dentro na inneresfera de cada cidadão.
A importância disso é obvia.
Um dos grandes adventos da democracia deveria ser promover a liberdade através da justiça social conjugada a uma vida que inclua e concilie solidariedade com bem estar de cada sujeito. E numa democracia real, a liberdade merece ser ingrediente presente em todas as instâncias.
Tal qual deveriam ser as escolhas em saúde. Seria obvio e provavelmente consensual que também nela teríamos o direito de poder escolher e opinar.
Temos assegurado o direito de escolha quando se trata de saúde?
Se a pergunta fosse colocada dessa maneira, saberíamos de antemão a resposta: não! Vale dizer que, pelo menos na área da saúde não há escolha possível.
Quando a pessoa busca atendimento em saúde e mais ainda, mas não exclusivamente na esfera pública, forçosamente terá que submeter-se ao esquema padrão e à hegemonia inquestionável da medicina standard.
As medicinas complementares estão praticamente fora do campo de escolha das pessoas e, essa decisão, sempre bom que os contribuintes saibam, é exclusivamente política. Os pacientes têm que se submeterem, necessariamente, as terapias caras e sofisticadas, e pior, muitas vezes sem necessidade.
Vale dizer, se há uma máquina de Ressonância Nuclear Magnética ociosa alguém precisará usá-la e justificar assim custos e investimentos, ainda que na maioria esmagadora dos casos uma boa anamnese também pudesse definir uma boa hipótese diagnóstica.
Reconhecidas e recomendadas pelas OMS as medicinas tradicionais e outras formas de agir terapeuticamente, são diretrizes que não vem sendo incorporadas pela maioria dos órgãos governamentais como alternativa aos enormes custos centralizados em atendimentos hospitalares. A ausência de opção para o cidadão como direito de escolha acarreta ônus extra e não somente aos usuários do sistema público de saúde, mas também, indiretamente, na prática privada.
Assim como criaram reservas de mercado para certos nichos na indústria e comércio, vigora no campo da saúde um tabelamento maquiado para não caracterizar truste. Numa recente prova de força a ANS caçou mais de 200 planos de saúde que vendiam, no afã incontrolável de caçar consumidores da classe C, sonhos de consumo impossíveis.
Os empreendedores dessa saúde mercadológica – agindo abertamente contra médicos e pacientes — também souberam se proteger e elegeram bolsões que garantem, sem muitos riscos, alta lucratividade. Com ou sem felicidade determinam as regras para seus conglomerados que vão dos planos de seguro saúde à indústria farmacêutica, passando pelos parques hospitalares e turismo terapêutico.
As medicinas complementares, práticas de custo muito menor e que privilegiam a atenção primária à saúde produziriam impacto altamente favorável se introduzidas macicamente no SUS e por extensão natural nos planos privados. Ela implica tanto diminuição de custos pela racionalização no uso dos medicamentos quanto menor consumo de procedimentos invasivos.
E apesar de contarmos com um instrumento importante como a política transgovernamental e apartidária que é a PNPICS (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares), todas são providencialmente colocadas à margem do ciclo produtivo dos sistemas industriais que hora regulam a saúde no Brasil.
Essa direção detectada não favorece nem uma boa pedagogia médica, nem a educação dos usuários, cada vez mais seduzidos pela idéia discutível de que a última palavra em medicina é sempre o novíssimo medicamento ou a terapêutica recém saída do forno.
O historiador de medicina Henri Sigerist, ainda na virada do século XX, sugeria que a única forma de verificação da segurança e real eficácia das terapêuticas seria que centros independentes de pesquisa pudessem controlar e distinguir o que realmente funciona sem prejudicar, daqueles procedimentos inócuos ou aparentemente eficazes mas altamente nocivos.
O Estado em dobradinha com o capitalismo selvagem nunca operou tão aberta e confortavelmente. Não sendo tão lucrativas, não fica difícil deduzir as razões do preterimento dos direitos sobre nossas escolhas.
Só uma opinião pública crítica e ativa pode modificar isso.
Nesse caso, a liberdade de escolha será um passo a mais no percurso até a felicidade.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar e compartilhar usar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/19/democracia-saude-felicidade/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Vidraças da justiça e o Executivo redentor

05 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

justiça, mensalão, planos de saúde, significado de justiça

Vidraças da justiça e o Executivo redentor

O jato da FAB ultrapassou a barreira do som e estilhaçou as vidraças do STF. Foi um evento espetacular e chocante, mas se os símbolos ainda têm algo a dizer, é nossa obrigação debruçar sobre eles. Pois há um mundo onde nem tudo é casual e os fenômenos não são aleatórios. Pouco provável que tenha sido imperícia dos exímios pilotos.
Não defendo nenhuma hipótese mística ou paranormal: não pairam mais dúvidas de que concentração de energia é um fenômeno mensurável. A nanotecnologia e a microfísica contemporânea, já avançaram para demonstrar que, no jogo de íons, a matéria pode concentrar ou dispersar enormes quantidades de energia. E forças psíquicas entram com poder para afetar essa contabilidade.

Os transtornos foram relativamente pequenos, e, ainda bem, ninguém se feriu gravemente. Alguns ministros tiveram que se deslocar para prosseguir trabalhando.

Há unanimidade que os dois mandatos do PSDB e os dois e meio do PT promoveram significativos avanços sociais e a justiça ampliou suas perspectivas.

Mas a venda que recobre a estatua da justiça precisa de urgente restauro.

O ex-ministro poderoso que caiu fora de dois governos foi autorizado a recolher salários acumulados enquanto o caseiro que o denunciou está a ver navios, o poder de pressão e confisco do sistema financeiro sobre o cidadão comum aumentou desmesuradamente, os planos de saúde montaram verdadeiro esquema lesa-pacientes numa área sensível em que o cidadão é o bode expiatório preferencial. O contraste nessa área não poderia ser mais absoluto quando se imagina o plano de saúde vitalício assegurado para ex-parlamentares e ex-governantes.

Assim como há consenso sobre os tais avanços da sociedade, esboça-se uma percepção na opinião pública de que algo se deteriora no quesito direitos civis e equidade. Assim as áreas que vem dando nítidos sinais de retrocesso podem ainda estar no plano sutil, destarte estarmos diante de fatos gravíssimos. Claro que os índices de aprovação da atual administração ainda não refletem esse desgosto, pois a maioria vincula bom governo com poder de consumo e crédito fácil. Aí ficamos bem na fita, ainda que comprometidos no cinema de longo prazo.

A independência dos poderes, uma das bases da República democrática vêm sendo aos poucos substituída por um “executivo redentor” que insinua que os poderes legislativo e judiciário só servem para atrapalhar a performance daqueles que administram.

Não é nada fortuito que a corda aperte o pescoço exatamente na hora em que o processo do mensalão está para ser julgado depois de sete longos anos. Estamos diante de uma dupla forca. Todos sabem que o que está em jogo ali vai muito bem além da justiça tardia. Apesar de confiar na lisura e capacidade de discernimento dos meritíssimos, suspeita-se que pressões externas ao tribunal transbordem o que um ser humano pode suportar.

À boca pequena já circula a versão que alguém “já queimado” assumirá o crime e os outros estarão livres para prosseguir em suas carreiras, rumo às aspirações maiores da existência: o poder.

Isso é o que mais amedronta.

Uma impunidade dessa ordem e nesta escala produz efeitos históricos com amplas repercussões, inclusive biográficas. Caso saiam vitoriosos, explorarão as presumidas inocências como mais uma prova da conspiração cantando a derrota da “burguesia lacaia”.
Aos poucos, valores como honestidade, trabalho e esforço vão sendo ideologizados em banho-maria para serem transformados e servidos a la carte como “moralismo reacionário”. E como é fácil seduzir aqueles que não ousam pensar pelos próprios meios, teremos que nos conter diante de um eventual cala-boca dessa ordem de grandeza.
O atual governo tem sido pródigo nas mensagens dúbias e em produzir a desmoralização seletiva. Muitas vezes comprometendo a moderada e histórica boa atuação do Itamarati, se servem do Estado para colocar o país em situação embaraçosa perante a opinião pública mundial. Aproximação com ditadores, retórica anti norte-americana, a afoita intermediação fracassada para proteger a política militar atômica do Irã, e, por fim, a entrada relâmpago da Venezuela no Mercosul, exemplos desse oportunismo que vigora entre gaviões da política externa da Brasília atual.

Mas é claro que nenhum deles se manifestou quando Hugo Chavez despachou seu chanceler para convencer os militares paraguaios a desafiar a ordem institucional daquele país e ir contra a decisão do parlamento. Em outras palavras, o déspota venezuelano oferecia suporte para um golpe. Se faltaram chances para a ampla defesa de Lugo – e decerto faltaram – um crime não justifica outro, como diz o famoso aforismo.

Para o cidadão há o consolo de torcer. Assim como ontem vibramos todos por um título inédito para o Brasil, devemos usar a mesma energia para enviar força e coragem simbólica aos árbitros do país.

O que custa pensar no melhor?

Às vezes estragos na fachada induzem inesperadas reformas no prédio todo.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A verdade Lançada ao solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar e retransmitir usar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/05/vidracas-da-justica-e-o-executivo-redentor/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Artigos Estadão

Artigos Jornal do Brasil

https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

aculturamento Angelina Jolie anomia antiamericanismo antijudaismo antisemitismo artigo aspirações impossíveis assessoria assessoria de imprensa assessoria editorial atriz autocracia autor autores A Verdade Lançada ao Solo açao penal 470 blog conto de noticia Blog Estadão Rosenbaum Censura centralismo partidário centros de pesquisas e pesquisadores independentes ceticismo consensos conto de notícia céu subterrâneo democracia Democracia grega devekut dia do perdão drogas editora editoras Eleições 2012 eleições 2014 Entretexto entrevista escritor felicidade ao alcançe? Folha da Região hegemonia e monopólio do poder holocausto idiossincrasias impunidade Irã Israel judaísmo justiça liberdade liberdade de expressão Literatura livros manipulação Mark Twain masectomia medico mensalão minorias Montaigne Obama obras paulo rosenbaum poesia política prosa poética revisionistas do holocausto significado de justiça Socrates totalitarismo transcendência tribalismo tzadik utopia violencia voto distrital
Follow Paulo Rosenbaum on WordPress.com

  • Assinar Assinado
    • Paulo Rosenbaum
    • Junte-se a 30 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Paulo Rosenbaum
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d