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  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
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  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

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Como se julgar? O que significa justiça?

04 sexta-feira mar 2011

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a sombra, auto-julgamento, conceito de justiça na tradição judaica, hermeneutica juridica, justiça, justo que sofre, maniqueísmo, o que é ser justo?, significado de justiça, tzadik, vícios moralistas

Claro que aqui não se trata de dar definição como se estivessemos dentro de um compêndio de direito. O conceito de justiça (e portanto do ser justo) é um dos fundamentos da civilização moderna.

Será?

De uma perspectiva talmúdica estaríamos em outro campo. O justo é um advento não só poderoso como raro. São uns poucos justos no mundo. Muitos estão a procura-espera dessa justiça, mesmo que as vezes confundam justiça com hermenêutica jurídica ou jurisprudência.  Não. Isso não é aquilo.

A justiça na perspectiva judaica não é só uma terminologia para definir ética. A justiça não é feita por juízes ou tribunos, religiosos ou laicos. Não é dessa justiça que estamos falando. Falamos da justiça como eixo filosófico, como atitude, aquela que norteia a vida. Falo da justiça como o fundamento  poético (sim, estético também) que nos permite viver com liberdade.

Já que segundo o filósofo e rabino Schneur Zalman um tzadik (justo) é tão raro — somos apenas, quando muito, aspirantes à justos — que devemos nos conformar com a belíssima idéia de sermos “justos que sofrem”.

Sofremos porque não é possível aos seres humanos médios — aqueles que não nasceram com uma carga de santidade introjetada n”alma — escolherem a perfeição.

E pela santa imperfeição que sofremos. Mas sofremos porque aspiramos a justiça. A justiça  que, talvez, não esteja conosco, a justiça longínqua, inaccessível, a justiça que a vida — em suas gradações e tonalidades múltiplas — teria a potência de nos oferecer. Mas a potência não vira, necessariamente, ato. Deveras nunca.

Um dos papéis humanos é tentar fazer nascer o que não é espontâneo. Assim como numa indução em um experimento científico, a nossa prerrogativa é tentar viabilizar um sentido para as coisas, e isso é, já, um passo para a justiça.   

Assim, abandonando-se completamente e renunciando à inalcançável perfeição podemos voltar a pensar em nossos papéis. O papel de sujeitos que lutam para buscar a justiça nos sentidos interiores. Malgrado se perceberem brutais, omissos, mentirosos e espertos. E mesmo assim não se rendem à debilidade de uma análise maniqueísta. Não se flagelam, não se penitenciam, não  se entregam aos vícios  moralistas. Em outras palavras, — e aí está a genialidade pseudo-naive de Zalman —  somos obrigados a conviver com nossas sombras e a melhor notícia é que ela não precisa ser extirpada, eliminada ou sublimada. Ela deve ser assimilada no sofrimento já que somos os tais justos que sofrem. Os permanentes sêres intermediários. E os que sofrem (talvez só eles) saibam que precisamos sair da medíocre passividade na qual estamos todos metidos.

Se conseguirmos esta aspiração ela deve começar conosco. Somos justos, sequer razoáveis no julgamento particular em todos os dias defesa e acusação encarnam aquele papéis horrendos de sempre enxergar (alguns até pagos para isso) só um lado?

Não só não somos, como ficamos a espera de que jurados alienados e frequentemente hostis nos concedam a benesse do fôro privilegiado (nota- só há esta aberração no Brasil) ou a sentença máxima, geralmente definitiva.

Não se pensa em bondade, talvez nem caiba mais, mas em justiça.

Isso, só isso,  já seria uma enorme mudança no mundo prático.

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