• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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Inadmissível (blog Estadão)

22 sexta-feira maio 2015

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abolição da culpa, conto de notícia, inadmissível, Maioridade penal, vítima primária e secundária

Inadmissível

Paulo Rosenbaum

22 maio 2015 | 14:44

Assim que largou a lâmina, o criminoso transformou-se em vitima do sistema e em seu auxilio, vieram os defensores da inocência presumida de réu confesso. Sabe qual é a primeira acepção de vítima no dicionário? Um objeto ou ser vivo destruído ou sacrificado por uma causa ou um objetivo. Mas o conceito de vitima está sendo desmontado pela interpretação ideológica. Logo, parte significativa da mídia escolheu reproduzir frases e lamentou pela vítima secundária e entendeu as motivações da vítima primária.

Agradeço sua entrevista, ela elucidará muito o panorama.

Como assim isso é novo para mim? Não soube? Acabam de conceber, é oficial: no nosso País temos só vítimas, as primárias e as secundárias. Sobraram alguns crimes, mas o grosso não é mais isso. Todo mundo hoje é uma vitima. Aproveitando a ocasião o Sr. poderia explicar o que quis dizer com ” isso é inadmissível?”

O que ninguém pode aceitar? Perfeito. Permite adiantar para o Sr? Ontem, encontrei um dicionário subjetivo e queria muito submete-lo à sua apreciação. Pode ser? O senhor não tem tempo? Posso ler. É só mesmo um verbete, o ” inadmissível” . Já está na mão. Mais tarde não. Não deu para perceber? O tempo está esgotado. Acho que o senhor não compreendeu bem. Não é meu tempo ou o seu, não há mais tempo para ninguém. Onde o encontrei? Isso importa? Por que o senhor está correndo? Não tem problema, vou caminhando do seu lado. Não se preocupe, sempre consegui ler andando. Já que o senhor não está parando começo aqui mesmo:

– Inadmissível: podem ser facas inimputáveis. Equivalência moral entre criminoso e vítima. Estado omisso. Segurança entregue à sorte. Desprezo sistemático pela sociedade. Indignação forjada. Educação postergada Alianças de ocasião. Perdão à revelia da criatura imolada. Concorda? Mas como, se ainda nem comecei? Veja só o que acaba de dizer. Em meios aos atenuantes, vítimas continuam vítimas. A injustiça social é explicação ou desculpa? Vale para a Lagoa e Alemão, Copacabana e Galeão? O senhor não acha que o vale vida não deve conhecer latitude, longitude nem vicissitude? Tem gente que não é responsável pelos próprios atos? Então, por favor, explique qual é a idade da moral? Tudo bem, vamos então mudar para ética. Que seja. Por acaso o senhor ouviu o que estão dizendo por ai? Eu sei, eu sei, é tanta coisa para escutar que é melhor ficar surdo. Mas tive a paciência de gravar para que vossa excelência ouvisse.

“Sob injustiça não pode haver paz, logo, vale tudo”

Espantoso não? Não estou insinuando nada, a fita é muito clara. O senhor e seus aliados estão deixando a coisa andar? Eu entendi, claro que entendi. É para deixar todos em igualdade de condições. Socializar a desigualdade. E como é que as coisas se ajeitarão? Não é bem assim? Então explique, sou todo ouvidos. Será na coletiva? Ah, na palestra de doutor honoris causa. E qual o título da vossa aula magistral excelência?

“A medida certa para que o Estado não sucumba nem ao capitalismo selvagem nem ao populismo de ocasião?”

Quero estar lá. E logo depois, para onde vai a comitiva? Inauguração de fábrica chinesa de rojões? Qual será o tema do discurso? Meio batido. Ouvir o que ela tem a dizer sobre o “Pátria educadora”? Não vai dar. O senhor está me convidando? Cadeira VIP para a imprensa? Quanta honra, mas justo nessa tarde terei compromisso. Mas isso é muita indiscrição excelência. É meio delicado, mas para o senhor posso contar. Tenho agendada uma audiência no tribunal de pequenas causas. Não, nada sério. É que resolvi processar o Estado. Não, nada disso. Não sou um desses querelantes malucos. A causa é mais do que justa. Promete guardar segredo? Não, não estou brincando. O processo está tramitando há anos. O juiz foi ameaçado, testemunhas precisaram ser escoltadas, e o senhor não imagina quantas vezes tivemos que adiar o julgamento. Agora será em local secreto. A causa? Estou pleiteando o direito de permanecer vivo.

http://brasil.estadao.com.br/blogs/conto-de-noticia/inadmissivel-2/

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A extinção da Infância

09 quinta-feira maio 2013

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controle de armas, Maioridade penal, minoridade

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Jornal do Brasil

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Coisas da Política

Hoje às 06h28

A extinção da infância
Jornal do BrasilPaulo Rosenbaum – médico e escritor

Semana passada pesquisadores nos EUA conseguiram produzir armas de verdade usando impressoras 3D. Um só tiro. A novidade deve aportar logo mais por aqui e, como já é tradição em alguns países, também poderemos presentear crianças artefatos bélicos.
A menina que abraçou o pai com a coragem dos que não calculam tornou-se escudo para a bala. Morreu, o assassino foi solto, depois de se apresentar à Justiça com a versão de legítima defesa. Que nada. Todos testemunharam os fatos no vídeo que o assassino entregou à polícia. Foi a sangue frio.

Meninas e meninos hoje são alvos preferenciais. A sociedade de adultos não só deixou de proteger as crianças, deliberadamente as expõe. Assim, na terra de ninguém, basta estar abaixo dos 18 para sair premiado com o bônus antecipado de impunidade. A minoridade tornou-se álibi automático para o crime. O que diz o Estado? Tergiversa, enrola, ludibria, habilidades que esta administração sabe usar como ninguém. Disseram que precisavam “equacionar isso para a Copa”. Zero de espanto!

Os adultos não só deixaram de proteger as crianças, deliberadamente as expõem
O problema de autoridade tornou-se evidente e fornece pistas importantes para matar a charada: após a ditadura militar, políticos governistas encaram criminosos como vítimas do sistema. Na prática, isso significa endosso político para certos tipos de delito. Em outras palavras, livre interpretação do que conhecemos como transgressão e um convite à anomia.

Como a falta de segurança atinge todas as faixas sociais — especialmente as que não têm esquadrões paramilitares à disposição — e não há mais pílulas para dourar, o governo federal agora culpa entidades abstratas. Para esta cúpula, mulheres molestadas e violentadas, gente executada, agredida e mutilada são estatísticas e acidentes de percurso das injustiças sociais históricas acumuladas. Quando muito, fatalidades.

A deliberada omissão do Estado enseja depressão social coletiva e pediria uma rebelião organizada. Com certeza, mereceria resposta nas urnas, mas isso também não acontecerá. Como sempre, no lugar de escárnio e protestos, seguimos calados para tocar nossas vidinhas privadas.

Há muito mais do que mazelas sociais, distúrbios de personalidade ou perturbações psicóticas no incremento da violência que enfrentamos. Apesar da situação de emergência, o diagnóstico requer tolerância, não linchamentos sumários ou pena de morte já. Em meio à calamidade emocional sem fronteiras que nos atinge, só podemos constatar a presença de um mal-estar difuso e inominável que se enraíza na cultura.

Por sua vez, crianças estão sendo pressionadas a não viverem experiências próprias de suas faixas etárias, e há uma tendência, inclusive acadêmica, para encarar abreviações da infância como “naturais”, e “frutos da pós-modernidade”. Desculpas, é o que são. Nada justifica que pedagogos (ainda a minoria) cedam às pressões do mercado e achem adequado que crianças sejam alfabetizadas aos 3, se preparem para aulas de computação aos 4 para serem bilíngues aos 5.

Crianças estão sendo pressionadas a não viverem experiências próprias de suas faixas etárias
O fato é que somos pressionados, e pressionamos por rendimento, trabalho duro, performance, sucesso e esperteza. Demandamos exatidão e objetividade. Coagimos crianças para terem autonomia sem perceber o insanável custo destas cobranças: perverter as feições próprias da infância. Além disso, fraquejamos nos exemplos. Os resultados estão aí. Famílias disfuncionais, e epidemia de drogas. Nitidamente, como mostra o contexto, não é caso de polícia.

Talvez, num futuro remoto, descubramos que simplesmente prolongar a infância poderia ser melhor para a saúde individual e coletiva. A partição da vida entre lúdica e séria, prazerosa e realista, pode ser só invenção de uma sociedade que não consegue experimentar diversão sem incomodar os demais. E se considerássemos que crescer só faz sentido se levarmos a vida na brincadeira?

No momento, a única classe que insiste no jogo sem regras, praticado contra as vidas alheias, é a dos políticos. Então, nobres colegas, façam-nos um favor: cresçam e desapareçam!

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/05/09/a-extincao-da-infancia/

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