• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos da Tag: justiça

O Sequestro do Estado

25 quinta-feira out 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Tags

açao penal 470, anomia, autocracia, cala boca, centralismo partidário, Democracia grega, Eleições 2012, elites, hegemonia e monopólio do poder, impunidade, instituições financeiras, Julgamento Mensalão, justiça, manipulação política, mensalão, o pobre, pobres, poder absoluto, política, regimes, sequestro do Estado, significado de justiça

O Sequestro do Estado

Autocracia, do grego, autokráteia – força própria, poder absoluto.

Estudos econômicos recentes apresentaram realidades paradoxais. Se por um lado no século XX as condições sócio-sanitárias avançaram, o fosso que separa a extrema pobreza da extrema riqueza aumentou muito e a crise mundial propagada veio para dar o golpe de misericórdia no abismo. Esta incapacidade crônica de resolver o apartamento entre os que podem comer e os que não gozam do direito de perguntar por que continuam famintos, representa bem o malogro da política globalizada como instituição. Mas há um perigo muito maior nessa vergonhosa calamidade. As cinzas tem potencial assustador para gerar lideres totipotentes, os quais, geralmente, ficam à frente de governos cínicos. Facciosos, auto referentes e boquirrotos, eles formam a nova elite politico-econômica. Não vieram de onde vieram, pequena burguesia ou da pobreza para mudar nada, apenas ocuparam um lugar que antes não lhes pertencia. O problema é que mimetizaram os valores que antes atacavam ferozmente e se tornaram versões aperfeiçoadas dos antigos algozes. Hoje manipulam os mais pobres exatamente como machistas usam as mulheres. O pobre vai de mão em mão, transformado em objeto, sem acesso a ser player do jogo capitalista, oprimido por impostos e feliz por subsistir na miséria. Seu único préstimo é sustentar a autoilusão de que o regime é feito para eles, e por um deles.
A verdade é que regimes totalitários costumam governar com as instituições financeiras, o grande capital acionário e as elites econômicas. Essa dupla miragem impõe à sociedade inteira um efeito colateral. A verdadeira calamidade é que o favorecimento de governos populistas (distingua-se populismo de governo popular) entorpece a capacidade crítica e permite o cala boca da maioria na surdina, sem alarde. Pudera, quem pode falar quando são 70 e tantos por cento de aprovação?
Para conseguir tudo isso foi preciso saciar a fome sem prover renda, substituir educação e melhores condições de vida pela subserviência ao paternalismo de Estado, desqualificação da educação superior, e abandono do critério de mérito e esforço para lograr a ascensão sócio cultural. São rebaixamentos que seduzem. Acabam atingindo a oposição que se viu obrigada a renunciar seu papel fiscalizador e/ou associar-se comportadamente para compor com o governo: assim nasceu a base alugada.
Pois então que respondam os prezados leitores: Em qual República do mundo uma cúpula partidária inteira é condenada por corrupção ativa e os mandatários passam incólumes e continuam se elegendo e aos cúmplices, como se a suprema corte estivesse batendo martelos no açougue? Em qual Pais do mundo o uso da máquina pública é abertamente colocada a serviço de candidatos do regime e não se ouve uma palavra de protesto, uma contestação, um pio? Em qual Nação contemporânea, diante de sucessivos escândalos envolvendo sinistros interesses públicos e privados, a situação cresce e a oposição míngua?

Cautela é vital. A razão mostra que nem todos os políticos podem ser equiparados e o fenômeno motivador da ação penal 470 é essencialmente pluripartidário.

Mas há uma diferença, a fundamental: quem ataca a justiça ou a protege.
Os primeiros acham que a lei é uma espécie de guarita, um apêndice governamental, que os cargos de confiança facultam impunidade e, caso derrotados, ainda podem aguardar o indulto. E existem aqueles poucos que sabem que a justiça é a garantia, a única, que nos assegura os direitos individuais, liberdade e equidade. Confundir estes dois tipos e dizer que “são todos iguaizinhos” é embarcar na cortina de fumaça e fazer troça da constituição, como aliás farão os réus e seus padrinhos a partir de domingo a noite, assim que as urnas forem lacradas. Tudo devidamente acobertado por parcela da comunidade intelectual que agora arma a difamação do único poder atualmente independente da República, o Judiciário.

Como exercício de antecipação isso nos deveria fazer pensar que, se nada for feito, em qual tipo de ditadura nos transformaremos adiante.

Ao sequestrar o Estado, esse governo avança lentamente para aplicar os devidos torniquetes contra a liberdade de expressão, como já anunciaram os falcões do partido. O pedido de resgate já não interessa, preferem se apoderar da vítima para sempre. De servidor do povo, o Estado passou a se servir dele para consolidar seu projeto político monológico. O povo somos todos nós, ELES a nova elite, fazendo caixa pelos mais variados motivos. Recomenda-se o recentemente divulgado vídeo com a impressionante entrevista de Hélio Bicudo para entender melhor de quanto se trata. O mensalão foi apenas um detalhe dessa sofisticada maquinação, que não fica nada a dever às táticas dos regimes mais truculentos e autoritários. A julgar pela inércia, o Pais ainda não está pronto para ser passado a limpo, teremos que aguardar outro julgamento, o histórico, para saber a distancia que estivemos da autocracia.

O consolo? Passa por um velho princípio da física, a lei a gravidade. Neste mundo todos os corpos são irresistivelmente atraídos ao solo e tendem à queda, se é que não serão derrubados antes!

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”(Ed. Record)

Paulorosenbaum.wordpress.com

Para acessar link do JB use:

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/10/25/o-sequestro-do-estado/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Poesia para a política

20 quinta-feira set 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Tags

centralismo partidário, ceticismo, democracia, didática constitucional, disputa prefeitura de são Paulo, eleição e criatividade, Estado e Religião, Estado e religião separação, hegemonia e monopólio do poder, homens públicos, IDH, impunidade, Indice de Desenvolvimento Humano, instrumentalização da religião, Jorge Amador, juros campeões do mundo, justiça, liberalismo, liberdade, literatura e política, literatura para politicos, materialismo, mentiras prudentes, minorias, novelas de TV, poesia, pragmatismo, senso comum, STF, trópicos trsites, tristes trópicos, violencia, voto distrital

Poesia para a política

Em joules, quanta energia torramos nos últimos tempos com desvios de verbas, corrupção, favorecimentos, informações privilegiadas, fraudes, impostos escorchantes, uso político da máquina, mentiras prudentes, juros campeões do mundo?

Não creio que seja possível mensurar em joules ou em qualquer outra escala física o tamanho da hemorragia que todas estas forças, juntas, representam. Elas esgotam e impedem o País de encontrar um jeito mais civilizado de avançar. Essas forças atuam como fantasmas, parasitas que assombram os rumos de quem quer viver em paz.

É verdade que o STF está dando uma demonstração de que as previsões do PT de que só os outros são desorganizados despencou ladeira abaixo. Não contavam com uma justiça que tardou, mas agiu, um promotor obstinado, uma sequencia de investigações que tinham cabeças, troncos e membros. Com as previsões de impunidade se dissipando alguma justiça recairá sobre quem tutelou os paus-mandados.

O espetáculo é página virada, o problema é o que faremos depois? No dia seguinte? Isso é o que importa. Até quando seremos platéia? Como não há uma discussão que ultrapasse o nível das torcidas organizadas e a crítica fica restrita aos circuitos acadêmicos cativos das ideologias, o perigo será a opinião pública, saciada pelas punições, voltar a colocar as barbas de molho. Essa é fórmula certa para repetir erros e vivermos de mensalão em mensalão.

Pois o que deveríamos tentar descobrir não será outra coisa? Não seria restituir a poesia da política? Quem ainda se digna à composição em que a atitude dos homens públicos é comandada pelo bem comum? Nós, o povo, queremos mais, de preferência gente decente. Mas quem pode falar de ética sem derrapar na demagogia ou afundar no senso comum?

Realismo, pragmatismo, socialismo, materialismo, liberalismo já tiveram sua vez e falharam. Já a poesia do mundo mora na construção de esperanças, não mais num discurso de coletividades anônimas. Ninguém mais se reconhece nessa generalização reducionista das novelas de TV e do discurso político. Para devolver um pouco de criatividade, estes cérebros sobrecarregados de interesses pessoais precisam de doses progressivas de resubjetivação. Políticos e agentes do poder deveriam ser obrigados à leitura de ficção como fez Jorge Amador com os policiais na cidade de Neza no México. Segundo ele, a leitura além dos benefícios éticos, “enriquece indiretamente as experiências das pessoas”.

Para nosso desespero sentimos que sai eleição entra eleição faltam políticos com projetos políticos de longo termo, que não se extinguem com mandatos. Afirma-se que isso é porque o Brasil só tem partidos fracos. Não me convence. Aliás, entre o centralismo partidário do planalto e a tese da geléia geral das agremiações fico com a segunda opção. Só ações transgovernamentais e suprapartidárias deveriam sustentar a vida pública. Quem sabe assim não tenhamos que amargar mais uma década sendo a sexta economia do mundo com saúde, educação e segurança dissonantes e com um IDH perto da ducentésima posição.

A prova que estamos retrocedendo é a recente instrumentalização da religião nas eleições para o cargo de prefeito em São Paulo, que ameaça se repetir País afora. Ela é grave porque evidencia que a separação entre Estado e religião tem ficado engavetada na didática constitucional.

Os trópicos são realmente tristes e não é um problema de latitude!

Isso até que o bem comum não seja mais uma quimera sonhada pelos habitantes e desprezada por quem faz política.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade lançada ao Solo” (Ed. Record)

Paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar, acessar o linkdo JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/09/20/poesia-para-a-politica/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Vale tudo, torcer e arbitrar 

02 quinta-feira ago 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

açao penal 470, conflito de interesses, justiça, mensalão, The Economist

Vale tudo, torcer e arbitrar

Em carreira meteórica o vale tudo se transformou no esporte mais popular no mundo. Dizem que superará o futebol. Sem julgamentos e longe das prospecções morais cabíveis, o vale-tudo é um perfeito símbolo dos nosso tempos.

Mas o vale tudo, que mudou de nome, se espalhou por toda parte. O símbolo do vale tudo é que as regras hoje favorecem o predador, quem cria o fato, o mais rico ou os milhões de “você sabe com quem está falando?”. Nesta nova versão da lei do mais forte isso equivale dar passagem para quem dá mais porrada, quem tem o joelho mais pontiagudo, e quem se adaptou melhor ao Coliseu das competições. A competição, dizem, tem sido o combustível do progresso.

Nos jogos temos que escolher um lado, e para escolhe-lo temos que torcer. Pouca importa que seja Fla-Flu, Gre-Nal Cor-San, olimpíadas, megasena ou a novela das 8, o fato é que todo mundo torce por alguma coisa.

Ouviu-se dizer que Dilma torce para que os acusados da “ação penal 470” sejam absolvidos. O PT torce para que seus candidatos não saiam prejudicados já que o projeto original continua. Isso já com a sociedade “avisada” de que se o julgamento for “político” a Central Sindical paralisará o país. Os réus, incluindo o acusado de ser co-mentor do esquema, torcem para que seus nomes pulem de réus para o hall dos mártires injustiçados. Os intelectuais de partido torcem para que tudo passe rápido a fim de que ninguém mais lhes cobre o silencio indevido. Os marquetólogos torcem pela grande borracha na mídia (já que a mordaça desta vez não colou). Os jornais sensacionalistas torcem por furos que escapem dos autos do processo, enquanto os advogados de defesa por brechas jurídicas e meios de desqualificar os consistentes relatórios do procurador geral. Os promotores torcem para que eles não as enxerguem. O homem comum torce para que se de um basta no assunto, de preferencia com alguma consequência que ele possa entender (80% das pessoas desconhece o significado do “mensalão”).

A oposição encurralada torce para que o processo não respingue sobre suas hostes. A imprensa paga pelo Estado pode se dar ao luxo de torcer discretamente enquanto, bem alimentada, ela cuida da guerra de dossiês. Os partidos nanicos torcem por sobras: com mais pressão da mídia, barganhas são trunfo extra nas negociações do horário eleitoral. O PMDB torce para ser esquecido e assim permanecer o mesmo: indefenestrável dreno no pescoço do Estado.

Os juízes torcem para que suas análises técnicas não sejam deturpadas. Para os apaixonados por causas, bem para esses não há mesmo muita saída. No julgamento mais relevante da história republicana qualquer condenação será tomada como golpismo conservador, toda absolvição, obrigação histórica.

Para nossa sorte a opinião publica brasileira é muito mais complexa do que as previsões do poder.

Como se vê estamos todos enrolados em bandeiras especialmente naquelas que não conseguimos enxergar.

Pois esse é o ponto mais perigoso na estrada da democracia.

Quando um arbitro julga ele não deve ser parte interessada e a isso convencionou-se chamar de ”conflito de interesse” Pois rapidamente um dos ministros superou o drama de consciência, tomou partido, e escolheu arbitrar. O problema, nesse caso, não está em como julgará, mas o equilíbrio de sua avaliação. O auto-julgamento requer um prumo milimétrico, instrumento para poucos, na balança entre legalidade e moralidade, lealdade e dever. A divisão é sutil, o impacto gigantesco. Agora é tarde, mas a análise deveria começar lá atrás quando o problema foi gerado, numa legislação equívoca, que prevê indicação de Juízes a partir dos lobbies e interesses do executivo.

Na cadeira magistral, especialmente instalada bem longe dali, repousa incólume a cabeça-mãe de todos os estratagemas adotados. Ela é a única que não torce porque para torcer seria necessário qualquer dúvida da vitória. E ela pensa que já ganhou. Está mais do certa que fez o que precisava fazer e que é assim que se governa (dai o pavor que a liberdade tem dos homens de convicção!) Estas certezas provem da crença em sua estrela, afinal seria muito improvável que alguém que comandou a deixasse cair. Esta cabeça não torce pela verdade, ela seria insuportável. Sem os dogmas, a verdade desabaria sob o peso de sua comprometida coroa.

Ainda que muitos ali sejam réus confessos, ninguém tem autoridade suficiente para lançar a primeira pedra, mesmo que pareçam muito distantes do arrependimento. Os críticos e gente onde a palavra ética ainda tem valor prático torcem por punições, os pragmáticos pela repatriação do dinheiro público desviado do Banco do Brasil. Aqueles que amam a Republica e a liberdade acima das causas, torcem pela pedagogia simbólica das eventuais penalidades, para ultrapassar o castigo e alcançar a reeducação. Vale dizer, afasta-los de vez da coisa pública.

Mesmo que a justiça tarde, cabe enxergar o mérito antecipado e a inconteste vitória de toda sociedade nesse julgamento; isso mesmo que os cabeças saiam da sala do STF impunes. Um julgamento desta natureza, inconcebível há alguns anos atrás, é, hoje, notável avanço institucional, conforme reconheceram os editorialistas do ˜The Economist”.

O papel das pessoas é facilitar o nascimento daquilo que não é espontâneo ou óbvio numa sociedade. Nem tudo vale e assim como na indução aplicada num experimento científico, nossa prerrogativa é viabilizar os sentidos para as coisas.

A escada é alta, a direção incerta, mas o passo foi dado: um degrau rumo à justiça.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É Autor de “A Verdade Lançada ao Solo” (Ed. Record)
Paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar e compartilhar usar o link do JB :

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/08/02/vale-tudo-torcer-e-arbitrar/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Castas à brasileira.

26 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

centralismo partidário, Eleições 2012, hegemonia e monopólio do poder, justiça, justiça e saúde, mensalão, política

Castas à brasileira

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum

As histórias das pessoas sensibilizam não exatamente pela narrativa de como sofrem, mas como cada uma resiste ao sofrimento. Essa resistência (desisti de “resiliência” depois da apropriação indevida que a psiquiátrica fez do termo) já é uma forma de cura que, às vezes, transcende cuidados médicos. Pois vejam dois exemplos de problemas que misturam medicina, justiça e aberração. A lei é para todos, pois não? Somos iguais perante a legislação? Então por que uma moça negra, trabalhadora doméstica, de aproximadamente 35 anos que teve o pé direito amputado em função de um tumor maligno não consegue se aposentar, e outros conseguiram o benefício por terem perdido a unha num torno mecânico? É um problema de peritagem? De organização sindical? Da capacidade de tumultuar um posto do INSS? Por que a classe política tem foro especial enquanto o policial federal não conseguiu obter a tempo a escolta antes de ser fuzilado em Brasília? Por que até os juízes estão sendo acossados ao julgarem gente poderosa conforme convém ao poder? O demagógico não é comparar eventos aparentemente distantes como esses, mas fingir que não são pertinentes. Estão todos interacionados.

A reforma do Código Penal ainda em trâmite só é bem-vinda se vier com determinação da sociedade para modificar as condições de sua aplicabilidade e minimizar a separação das castas nacionais. O sistema de castas à brasileira é aquele que separa não pela etnia ou por um tribalismo metafísico mas por extratos de poder. Numa blitz policial, o cidadão liberado quis saber qual o motivo de ter sido tão desrespeitado durante a revista, e a resposta foi: “Agora a gente trata pobre e rico tudo igual”. Pois esse é o medo, a regra ficou clara, serão todos maltratados.

É impossível contemporizar e duro admitir: a web é um lixão aberto ao ciberspaco. Diverte, distrai e há até pérolas resgatáveis, mas constam como exceções à regra. A legislação mudará para tentar enquadrar os crimes virtuais, resta saber se funcionará. Circulam pelo esgoto eletrônico sideral, além das calúnias e golpes, textos e correntes que para serem classificados sob este rótulo precisariam melhorar muito. Algumas merecem resgate: pedidos de volta dos “bons tempos” do regime militar, mensalão como conspiração arquitetada pela CIA, volta da censura com controle da mídia, educação formal dispensável, vírus da Aids fabricado por laboratórios farmacêuticos (essa até que poderia ser crível, mas para outras patologias), a mudança do clima como invenção das indústrias de ar condicionado, de fato o bestialógico é assustador. Mas o que causa espanto é que aparentemente perdemos a virtude — nesta altura é o que é — da perplexidade. O saudoso Millôr dizia que imprensa é oposição, o resto é capitulação. Espanta ver quantos capitularam e se acomodaram nos braços do subsidio estatal.

Escandalizei-vos já.

Sim, o mensalão (desculpem, é força do hábito), vale dizer, a lógica por detrás da “ação penal 470” sobrevive Brasil afora, com seus impunes tentáculos cheios da grana fácil dos contribuintes, travestida de “liberação de verba”, “medidas provisórias” e “emendas parlamentares”. Só mesmo “trouxas legalistas” ainda acham que não vale a pena sucumbir aos dez por cento. Acontece que eles são a maioria da população. Mesmo com o beneficio da dúvida, diante de tantas injustiças não era para um país redemocratizado estar de ponta-cabeça antes de se aposentar? A justificativa corrente “mas isso tudo ocorria também em governos anteriores” perdeu o prazo de validade. Se de fato ocorria, o que estamos esperando para evitar a recorrência?

Temos 200 milhões de técnicos de futebol e talvez a metade disso de analistas políticos amadores. Muitos admitem o medo de fazer comentários críticos em público — como confidenciou o funcionário de uma universidade — porque poderiam dedurá-lo e lhe cortariam o ponto ou a bolsa. O patrulhamento já era uma realidade, a novidade é o monitoramento virtual.

Por que os intelectuais adotaram o silêncio defensivo como forma de não se comprometer com os esculachos na República? A omissão da crítica intelectual — nome correto: “constrangedora cooptação“ — passou do ponto. Esperava-se muito mais da inteligência nacional. As vozes ouvidas são tímidas e em sua maioria coro de enaltecimento à gestão federal, puxa-saquismo, no velho idioma. Como Arthur Schopenhauer pedira em sua época, uma comissão da verdade merecia ser constituída também para avaliar porque assuntos e pessoas realmente vitais passaram a ser irrelevantes, enquanto a superficialidade arrivista tornou-se hegemônica.

O amortecimento coletivo chegou ao insuportável e à beira do ponto de ebulição, agora terá que escolher de qual lado do abismo ficará.

A sociedade sairá triunfante porque, diante da parada dura que é o tamanho do fosso, ninguém mais pode se dar ao luxo de escolher errado.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”. (Ed. Record)

Para acessar e comentar use o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/26/castas-a-brasileira/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Vidraças da justiça e o Executivo redentor

05 quinta-feira jul 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

justiça, mensalão, planos de saúde, significado de justiça

Vidraças da justiça e o Executivo redentor

O jato da FAB ultrapassou a barreira do som e estilhaçou as vidraças do STF. Foi um evento espetacular e chocante, mas se os símbolos ainda têm algo a dizer, é nossa obrigação debruçar sobre eles. Pois há um mundo onde nem tudo é casual e os fenômenos não são aleatórios. Pouco provável que tenha sido imperícia dos exímios pilotos.
Não defendo nenhuma hipótese mística ou paranormal: não pairam mais dúvidas de que concentração de energia é um fenômeno mensurável. A nanotecnologia e a microfísica contemporânea, já avançaram para demonstrar que, no jogo de íons, a matéria pode concentrar ou dispersar enormes quantidades de energia. E forças psíquicas entram com poder para afetar essa contabilidade.

Os transtornos foram relativamente pequenos, e, ainda bem, ninguém se feriu gravemente. Alguns ministros tiveram que se deslocar para prosseguir trabalhando.

Há unanimidade que os dois mandatos do PSDB e os dois e meio do PT promoveram significativos avanços sociais e a justiça ampliou suas perspectivas.

Mas a venda que recobre a estatua da justiça precisa de urgente restauro.

O ex-ministro poderoso que caiu fora de dois governos foi autorizado a recolher salários acumulados enquanto o caseiro que o denunciou está a ver navios, o poder de pressão e confisco do sistema financeiro sobre o cidadão comum aumentou desmesuradamente, os planos de saúde montaram verdadeiro esquema lesa-pacientes numa área sensível em que o cidadão é o bode expiatório preferencial. O contraste nessa área não poderia ser mais absoluto quando se imagina o plano de saúde vitalício assegurado para ex-parlamentares e ex-governantes.

Assim como há consenso sobre os tais avanços da sociedade, esboça-se uma percepção na opinião pública de que algo se deteriora no quesito direitos civis e equidade. Assim as áreas que vem dando nítidos sinais de retrocesso podem ainda estar no plano sutil, destarte estarmos diante de fatos gravíssimos. Claro que os índices de aprovação da atual administração ainda não refletem esse desgosto, pois a maioria vincula bom governo com poder de consumo e crédito fácil. Aí ficamos bem na fita, ainda que comprometidos no cinema de longo prazo.

A independência dos poderes, uma das bases da República democrática vêm sendo aos poucos substituída por um “executivo redentor” que insinua que os poderes legislativo e judiciário só servem para atrapalhar a performance daqueles que administram.

Não é nada fortuito que a corda aperte o pescoço exatamente na hora em que o processo do mensalão está para ser julgado depois de sete longos anos. Estamos diante de uma dupla forca. Todos sabem que o que está em jogo ali vai muito bem além da justiça tardia. Apesar de confiar na lisura e capacidade de discernimento dos meritíssimos, suspeita-se que pressões externas ao tribunal transbordem o que um ser humano pode suportar.

À boca pequena já circula a versão que alguém “já queimado” assumirá o crime e os outros estarão livres para prosseguir em suas carreiras, rumo às aspirações maiores da existência: o poder.

Isso é o que mais amedronta.

Uma impunidade dessa ordem e nesta escala produz efeitos históricos com amplas repercussões, inclusive biográficas. Caso saiam vitoriosos, explorarão as presumidas inocências como mais uma prova da conspiração cantando a derrota da “burguesia lacaia”.
Aos poucos, valores como honestidade, trabalho e esforço vão sendo ideologizados em banho-maria para serem transformados e servidos a la carte como “moralismo reacionário”. E como é fácil seduzir aqueles que não ousam pensar pelos próprios meios, teremos que nos conter diante de um eventual cala-boca dessa ordem de grandeza.
O atual governo tem sido pródigo nas mensagens dúbias e em produzir a desmoralização seletiva. Muitas vezes comprometendo a moderada e histórica boa atuação do Itamarati, se servem do Estado para colocar o país em situação embaraçosa perante a opinião pública mundial. Aproximação com ditadores, retórica anti norte-americana, a afoita intermediação fracassada para proteger a política militar atômica do Irã, e, por fim, a entrada relâmpago da Venezuela no Mercosul, exemplos desse oportunismo que vigora entre gaviões da política externa da Brasília atual.

Mas é claro que nenhum deles se manifestou quando Hugo Chavez despachou seu chanceler para convencer os militares paraguaios a desafiar a ordem institucional daquele país e ir contra a decisão do parlamento. Em outras palavras, o déspota venezuelano oferecia suporte para um golpe. Se faltaram chances para a ampla defesa de Lugo – e decerto faltaram – um crime não justifica outro, como diz o famoso aforismo.

Para o cidadão há o consolo de torcer. Assim como ontem vibramos todos por um título inédito para o Brasil, devemos usar a mesma energia para enviar força e coragem simbólica aos árbitros do país.

O que custa pensar no melhor?

Às vezes estragos na fachada induzem inesperadas reformas no prédio todo.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A verdade Lançada ao solo” (Ed. Record)

paulorosenbaum.wordpress.com

Para comentar e retransmitir usar o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/05/vidracas-da-justica-e-o-executivo-redentor/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Comentários: “Romance “A Verdade Lançada ao solo” aborda transcendência, política e religião”

15 terça-feira maio 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

justiça, política, religião, transcendência

http://www.verdestrigos.org/wordpress/?p=3044

Romance de Paulo Rosenbaum aborda transcendência, política e religião

O romance “A verdade lançada ao solo” (editora Record) marca a estreia do médico Paulo Rosenbaum na ficção. Ele parte da tradição judaica para questionar o lugar do homem na Terra, aplicando judaísmo e filosofia a fatos históricos. O autor oferece uma visão construtiva em uma época em que se decretou a morte de todas as crenças. Elos inusitados e potentes metáforas desequilibram o leitor em um enredo denso, que mistura drama, aventura, religião e política. (Jornal Alef)

“Romance de Paulo Rosenbaum aborda transcendência,política e religião

Em prosa cheia de imagens originais o escritor lança seu primeiro romance, que aplica judaísmo e filosofia a fatos históricos

Quem criou o criador? Assim, instigando o leitor, começa o livro “A verdade lançada ao solo“, de Paulo Rosenbaum. O livro marca a estreia do médico na ficção, um romance de cunho ensaístico conduzido em três tempos, que parte da tradição judaica para questionar o lugar do homem na Terra.

Em 1856, na aldeia judaica de Tisla, no interior da Polônia, Zult Talb é um rabino com dons proféticos. Ele é o ponto de partida de um itinerário que divaga pelo tempo e corre o mundo: Brasil, Alpes suíços, cidades mediterrâneas e Europa oriental.

Com perspicácia e elegância, Rosenbaum oferece ao leitor uma visão construtiva em uma época em que se decretou a morte de todas as crenças. Elos inusitados e potentes metáforas desequilibram o leitor num enredo denso, que mistura drama, aventura, religião e política” (Blog do livro)

** Paulo Rosenbaum é médico, doutor em ciências pela USP, poeta e escritor. Roteirista e produtor de documentários, atuou como editor de revistas científicas no campo da saúde. Também é pesquisador na área de clínica médica, semiologia clínica, relação médico-paciente, prevenção e promoção da saúde e pesquisa de medicamentos. Com mais de dez livros publicados nas áreas de medicina e poesia, “A verdade lançada ao solo” é seu primeiro romance.

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Justiça e grande justiça, para que servem?

19 quinta-feira abr 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ Deixe um comentário

Tags

direito romano, grande justiça, justiça, mensalão, repsol

Justiça e grande justiça, para que servem?
Jornal do Brasil

Paulo Rosenbaum

É justo que o diplomata iraniano com “imunidade diplomática” não seja indiciado pela suspeita do crime de molestar crianças em Brasília? É justo que a presidente da Argentina exproprie a Repsol sem discutir a indenização? É justo que a corte brasileira postergue o julgamento do mensalão até que prevaleça a tese de que ele não passou de “uma conspiração burguesa contra o governo popular”? O jurista dirá que a aplicação da lei não é ciência exata e contempla contextos. É verdade, mas quais os limites para que as regras sejam retorcidas? O fato é que, com tantas contextualizações, já nem se sabe se a justiça pode, de fato, cumprir seu papel constitucional como poder independente.

Claro que aqui neste espaço jornalístico não cabe definição de justiça, pelo menos ao modo dos compêndios de direito. Podemos partir do suposto consenso: a justiça é um dos fundamentos da democracia, portanto da civilização contemporânea.

Será?

Adotássemos outra perspectiva filosófica uma visão, mais ampla, surgiria. Mesmo que, às vezes, confunda-se justiça com hermenêutica jurídica o “senso do justo” inato é raro.

É conhecida a tradição do direito romano, e bem menos conhecida a do direito talmúdico. Nesta última a perspectiva da justiça não é só uma terminologia que se aproxima da ética. A justiça não é monopólio de juízes ou tribunos, religiosos ou laicos. É a justiça do dia a dia realizada e praticada pelos homens comuns. No sentido filosófico é um conceito de justiça que se aproxima da cultura e mistura caridade e diálogo. Segundo essa hermenêutica somos apenas, quando muito, aspirantes que devem se conformar com a condição de “justos que sofrem”.

Se justiça é termo tão cheio de significados, o que ela é e para que serve?

Na grande justiça podemos enfocar justiça como uma atitude que norteia a vida. Justiça como fundamento poético (estético também) e liberdade.

Sofremos por não ser possível aos seres humanos comuns — aqueles que não nasceram com os devidos pesos e medidas introjetados — escolherem a perfeição. Pois na santa imperfeição sofremos todos e coletivamente, exatamente porque precisamos de justiça. Justiça que não está ao nosso alcance, justiça longínqua, inaccessível, justiça que só a vida teria potencial para oferecer. Mas nem sempre a potência se torna ato. Vira e mexe, saímos dos tribunais com documentos cheios de promessas.

Como a justiça não é inata um dos papéis humanos é tentar criar, contra o senso comum, o que não é espontâneo em nossa natureza. Assim como a indução funciona num experimento científico, a prerrogativa é assumir as responsabilidades das coisas que fazemos. Só renunciando à perfeição podemos repensar nossos papéis. Buscar justiça não é só condenar criminosos, organizar delatores, postergar o direito, marchar contra a corrupção, garantir as posses ou obter ressarcimento. Devemos recuperar a grande justiça. Agir de acordo com consensos éticos, malgrado conscientes da nossa própria brutalidade, omissão e de que sempre tentamos ser mais espertos. Mesmo assim, temos o dever de recusar a rendição às debilidades e vícios moralistas. Somos obrigados a conviver com sombras internas de uma natureza indissipável. Pode ser assimilada se formos mais compreensivos diante da irreversível condição de seres intermediários.

Apenas em parte a alarmante corrupção que corre solta é explicável pela maior transparência. O jogo da atual administração está claro: abafar o que a opinião pública sente na carne. Mas isso nem funciona nem basta. O poder se perdeu e o resgate da credibilidade não é mais tarefa simples. A epidemia de violência que vivenciamos em todo o País, por exemplo, é um dos efeitos colaterais da falta de cultura da justiça lato sensu.

Em outras palavras, será preciso recuperar, através da cultura, o sentido do justo. Noção, falsamente ingênua, presente nas várias tradições. Por acaso somos justos, sequer razoáveis, no julgamento que fazemos dos outros? Quem denuncia a denúncia de quem denuncia quem denunciou?

É polêmico, mas temos que considerar a hipótese de que já faz tempo que o direito institucional perdeu o sentido filosófico do justo. A sociedade clama justiça como punição. Esqueceu-se do fragmento solidário que torna a justiça uma aliada do cidadão e não seu algoz. Precisamos recuperar essa outra dimensão da justiça. Isso, só isso, já produziria enorme mudanças no mundo prático e no universo político.

*Paulo Rosenbaum é médico e escritor. Autor de “A Verdade Lançada ao Solo” Editora Record.

Para comentar acesse: http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/04/19/justica-e-grande-justica-para-que-servem/

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...

Como se julgar? O que significa justiça?

04 sexta-feira mar 2011

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

Tags

a sombra, auto-julgamento, conceito de justiça na tradição judaica, hermeneutica juridica, justiça, justo que sofre, maniqueísmo, o que é ser justo?, significado de justiça, tzadik, vícios moralistas

Claro que aqui não se trata de dar definição como se estivessemos dentro de um compêndio de direito. O conceito de justiça (e portanto do ser justo) é um dos fundamentos da civilização moderna.

Será?

De uma perspectiva talmúdica estaríamos em outro campo. O justo é um advento não só poderoso como raro. São uns poucos justos no mundo. Muitos estão a procura-espera dessa justiça, mesmo que as vezes confundam justiça com hermenêutica jurídica ou jurisprudência.  Não. Isso não é aquilo.

A justiça na perspectiva judaica não é só uma terminologia para definir ética. A justiça não é feita por juízes ou tribunos, religiosos ou laicos. Não é dessa justiça que estamos falando. Falamos da justiça como eixo filosófico, como atitude, aquela que norteia a vida. Falo da justiça como o fundamento  poético (sim, estético também) que nos permite viver com liberdade.

Já que segundo o filósofo e rabino Schneur Zalman um tzadik (justo) é tão raro — somos apenas, quando muito, aspirantes à justos — que devemos nos conformar com a belíssima idéia de sermos “justos que sofrem”.

Sofremos porque não é possível aos seres humanos médios — aqueles que não nasceram com uma carga de santidade introjetada n”alma — escolherem a perfeição.

E pela santa imperfeição que sofremos. Mas sofremos porque aspiramos a justiça. A justiça  que, talvez, não esteja conosco, a justiça longínqua, inaccessível, a justiça que a vida — em suas gradações e tonalidades múltiplas — teria a potência de nos oferecer. Mas a potência não vira, necessariamente, ato. Deveras nunca.

Um dos papéis humanos é tentar fazer nascer o que não é espontâneo. Assim como numa indução em um experimento científico, a nossa prerrogativa é tentar viabilizar um sentido para as coisas, e isso é, já, um passo para a justiça.   

Assim, abandonando-se completamente e renunciando à inalcançável perfeição podemos voltar a pensar em nossos papéis. O papel de sujeitos que lutam para buscar a justiça nos sentidos interiores. Malgrado se perceberem brutais, omissos, mentirosos e espertos. E mesmo assim não se rendem à debilidade de uma análise maniqueísta. Não se flagelam, não se penitenciam, não  se entregam aos vícios  moralistas. Em outras palavras, — e aí está a genialidade pseudo-naive de Zalman —  somos obrigados a conviver com nossas sombras e a melhor notícia é que ela não precisa ser extirpada, eliminada ou sublimada. Ela deve ser assimilada no sofrimento já que somos os tais justos que sofrem. Os permanentes sêres intermediários. E os que sofrem (talvez só eles) saibam que precisamos sair da medíocre passividade na qual estamos todos metidos.

Se conseguirmos esta aspiração ela deve começar conosco. Somos justos, sequer razoáveis no julgamento particular em todos os dias defesa e acusação encarnam aquele papéis horrendos de sempre enxergar (alguns até pagos para isso) só um lado?

Não só não somos, como ficamos a espera de que jurados alienados e frequentemente hostis nos concedam a benesse do fôro privilegiado (nota- só há esta aberração no Brasil) ou a sentença máxima, geralmente definitiva.

Não se pensa em bondade, talvez nem caiba mais, mas em justiça.

Isso, só isso,  já seria uma enorme mudança no mundo prático.

Compartilhe:

  • Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Mais
  • Tweet
  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Pocket
  • Compartilhar no Tumblr
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
Curtir Carregando...
Posts mais Recentes →

Artigos Estadão

Artigos Jornal do Brasil

https://editoraperspectivablog.wordpress.com/2016/04/29/as-respostas-estao-no-subsolo/

Entrevista sobre o Livro

aculturamento Angelina Jolie anomia antiamericanismo antijudaismo antisemitismo artigo aspirações impossíveis assessoria assessoria de imprensa assessoria editorial atriz autocracia autor autores A Verdade Lançada ao Solo açao penal 470 blog conto de noticia Blog Estadão Rosenbaum Censura centralismo partidário centros de pesquisas e pesquisadores independentes ceticismo consensos conto de notícia céu subterrâneo democracia Democracia grega devekut dia do perdão drogas editora editoras Eleições 2012 eleições 2014 Entretexto entrevista escritor felicidade ao alcançe? Folha da Região hegemonia e monopólio do poder holocausto idiossincrasias impunidade Irã Israel judaísmo justiça liberdade liberdade de expressão Literatura livros manipulação Mark Twain masectomia medico mensalão minorias Montaigne Obama obras paulo rosenbaum poesia política prosa poética revisionistas do holocausto significado de justiça Socrates totalitarismo transcendência tribalismo tzadik utopia violencia voto distrital
Follow Paulo Rosenbaum on WordPress.com

  • Assinar Assinado
    • Paulo Rosenbaum
    • Junte-se a 30 outros assinantes
    • Já tem uma conta do WordPress.com? Faça login agora.
    • Paulo Rosenbaum
    • Assinar Assinado
    • Registre-se
    • Fazer login
    • Denunciar este conteúdo
    • Visualizar site no Leitor
    • Gerenciar assinaturas
    • Esconder esta barra
%d