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  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
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  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

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O que não se pode conjugar: a manipulação política do medo.

23 sexta-feira mar 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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infanticidio, manipulação, massacre Realengo, massacres Beslan, massacres Toulouse, o medo como arma política

O que não se pode conjugar: a manipulação política do medo.

Curioso que alguns verbos sejam mais difíceis de conjugar. Pode ser constrangimento ou inibição inconsciente. Com a conjugação de “morrer” e “massacrar”, está praticamente garantida omissão em alguns tempos verbais. Em “massacrar”, certeza, pularemos a primeira pessoa do singular e iremos direto para “eles massacram!”

Os infanticídios escolares mais alarmantes dos últimos anos — Toulouse, Beslan, Realengo, Virginia e Mumbai — costuram sua unidade numa notável coerência mórbida. Sempre há uma lógica – vale dizer, uma racionalização – para qualquer tipo de atrocidade. E o bordão de imbecilidades justificacionistas parece não ter fim. Estamos em dias tão anômalos que é possível testemunhar gente afirmando, inclusive de dentro da comunidade judaica, que os mortos no holocausto eram europeus pecadores, que crianças mortas por engano no Afeganistão eram filhas do terror e que os latino-americanos tem os carrascos políticos que merecem.

Bem feito para todos vocês! É o grito que se ouve lá de dentro.

Nada muito novo desde que Goebbels bolou as bases do marketing político moderno. É assim que até hoje o objeto de ataque em propaganda é decidido: elege-se o que pode aparecer mais no alto no monturo e lá vão eles. É que o departamento de criação das agencias e laboratórios terroristas notaram que a ação bestial contra crianças e multidões inocentes mobiliza e ajuda na captação de recursos. Foi assim que a Al Qaeda mudou o rumo das eleições na Espanha com o ataque ao metro de Madrid em 2004. Essa é a lógica imediata da escolha de alvos cada vez mais tenros. Logo será a vez dos berçários e maternidades.
Assim que se soube da chacina em Toulouse e-mails jorraram nas redações dos jornais: os de solidariedade concorriam com mensagens raivosas, anti-semitas e xenófobas.

Mas e a maioria? Onde é que se escondeu?

Precisamos pensar neste continente majoritário que escolhe silenciar. Psicanalistas e sociólogos vem alertando para a iminente irrupção do neo-fascismo (camisas verdes ou vermelhas pouco importa) e o motivo é evidente: ninguém quer interromper o jantar ou parar para avaliar o “estado da arte” que estamos legando para as próximas gerações.

E não há violência gratuita! Transeuntes, banhistas e ciclistas estão sendo caçados em cima das calçadas, no mar e em vias públicas. Civis descontentes chacinados. A violência passou a ser uma regra entre nós. E sob o clima de anomia generalizada sentimos que não há mais chão para descer. Mortificados com a sedação da esperança, o narcótico agora se chama realidade inexorável. Um monstro contra o qual ninguém tem mais saco para enfrentar.

Rendidos e acostumados a tolerar tudo como está, chegamos a um estado zen maléfico. Alcançamos o raio de curvatura da passividade e medo. Diante de tantas barbáries consolidadas e da pasteurização do terror, o universo pode querer acabar logo ali desde que minha energia elétrica não seja cortada. Não há mais como lidar com o sem sentido da jurisprudência perversa em que tudo parece estar se tornando.

Escolhemos o conforto contemplativo sem interromper rotinas, e não é que o show deve só continuar, ele precisa prosseguir contando com nossa salva de palmas. Para atenuar – ninguém é de ferro – trocamos postagens sobre os infortúnios da Terra.

A ação solidária precisa ir para bem além da solidariedade virtual. O “ativismo de teclado” é mais uma semente que a corporação inercial implantou para nos convencer que a ação cibernética desdobra-se diretamente ao real. Simplesmente não é verdade. O que sim estamos aprendendo é levar uma vida comportadinha, no cabresto que nos obriga só olhar para frente.
Se essa é a única alternativa melhor seria escolher o abismo.

É necessário criar raízes mais amplas que encontrem sentido na paz e na solidariedade. É preciso ressuscitar a utopia para que não pairem dúvidas de que a realidade é apenas mais uma invenção humana.

Que venham as metamorfoses.

Comente e retransmita a partir de

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/23/o-que-nao-se-pode-conjugar-a-manipulacao-politica-do-medo/

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