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ele se preparava para entregar as tábuas da Lei, enquanto enfrenta tensões entre sua fé e o que observa no acampamento. Após 40 dias de meditação, Moisés percebe a desunião e a anarquia entre os israelitas. Ele reflete sobre a necessidade de acordos e menos ego, Moisés recebe instruções no Monte Sinai antes de descer, pedindo orientações ao Criador, que participa com humor e sabedoria, que significariam um grande desafio para seu povo. Em meio a absurdos contemporâneos e críticas sobre a imediata aplicação das leis
A travessia de Moisés – Shavuot (A entrega das tábuas da Lei)
Moisés estava recebendo as últimas instruções antes de descer da montanha. Estava por lá há 40 dias e 40 noites, ele meditava enquanto fazia jejuns não intermitentes. Especulava sobre a natureza do Criador: Invisível, mas que interfere no mundo físico. Onisciente e Onipresente, destarte permite o inimaginável. Ele lutava pela convicção da esperança contra sua racionalidade desconfiada. Tentava ser contraintuitivo como um cientista, mas aberto ao inesperado como um Poeta.
O ambiente no acampamento estava carregado e tenso.
Moisés cochilou, e acordou com uma bronca:
— Acorda aí meu caro.
Moises achou que ouvia coisas, virou para o lado e pegou no sono novamente.
(Estrondo violento)
— As suas ordens, oh Senhor.
— Desce filho, desce que tá pegado. O caldo está entornando.
— Hoje tem canja?
(Som da terra se partindo e fendas de terremoto se abrindo)
— Foi mal. Perdão!
— Vai logo antes que eu perca minha paciência e olha que ela é do tamanho do raio de curvatura do Universo. Albert sabe, ele é do Conselho e está aqui ao lado, e não me deixa mentir.
Moshe calçou as sandálias e desceu devagar equilibrando as tabuas pesadíssimas. A carga estava na responsabilidade. Já havia quebrado as anteriores quando viu o que faziam no acampamento com o bezerro de ouro.
Confabulou para si: Ih, tem uns itens aqui nessas tábuas que vai fazer o pessoal chiar horrores.
— Yekuziel filho, posso ouvir pensamentos também.
— Rei do Universo, sinto, é que conheço bem essa rapaziada. E como fica o sigilo entre criatura e Criador?
— Quer mesmo que te mostre onde fica o sigilo?
— Altíssimo, pega leve comigo, sabe quando foi minha última refeição?
(Chove em abundância Maná, com gosto de churro!)
— Grato Senhor!
O monte Sinai estava cheio de vida e florescia conforme ele ia passando com as tabuas e o seu mensageiro.
— Sr. Estou com medo, o pessoal esta impaciente lá embaixo.
— Certo, suave, pega leve.
— Preciso confessar, não consigo ser um ortodoxo.
— E quem disse que você precisa ser, conhece o lema da entrada do Jardim do Paraíso?
— Não conheço
— É: viva e deixa viver.
— É que um amigo me disse que sou um ortodoxo não observante.
— Excelente. Vou adotar. Eles podem esperar mais um tantinho, chegue com classe.
— Eu sei Todo Poderoso mas eles…o Sr conhece!
— Conheço, oh se conheço
— Estas leis são para sempre?
— Para todo o sempre.
— É que (Moisés fica sem jeito mas desembucha) – É que vai demorar um tempo para o pessoal se adaptar.
— Decreto aplicação imediata para toda a humanidade. Para os primos. É isso ou a coisa vai para a fissão nuclear.
— Certo, podemos repassar?
— Desce.
— Posso dar uma lida antes
(Trovão violento)
— Desce já.
— Opa. Descendoô.
Aproximando-se do acampamento Moisés detecta de longe uma certa anarquia. Ninguém se interessa. Todo mundo parece grudado no celular.
Ele pigarreia para tentar receber alguma atenção.
— Preparem-se, que aqui estão as instruções que devem ser seguidas.
— Moshe, pode esperar terminar? Estamos vendo a CPI.
— Mais uma? Qual CPI?
— A dos aposentados
(Faíscas erráticas e brasas voam de todos os dados)
— Oh irmãos, isso aqui que trago nestas pedras é muito mais importante.
Moises nota que também há muita gente grudada num telão
— O que aquele pessoal está assistindo ali? É o Timão? Interfere o Senhor.
— Altíssimo. Nem te conto!
— Estão vendo o que?
— Noticiário internacional.
— Boas notícias?
— Depende.
— Depende do que?
— É que eles estão tentando entender como estamos sendo acusados por estar nos defendendo, e olha, os inimigos da humanidade fizeram barbaridades e ainda tem gente sequestrada.
— Cansei.
Pela segunda vez na história do Universo o Criador Suspira e o mundo para.
— Alegam o que desta vez?
— Que não temos direito à legitima defesa.
— Mais uma vez essa história?
Moises cogita voltar para cima, e pedir novas instruções. E roga:
— Altíssimo? Não dá para nos dar um refresco?
— Só tenho de maracujá, brincadeira. Eu tento, mas todo mundo precisa colaborar.
— Mas e toda essa situação? Os zumbis admiradores do Adolf saíram do armário.
— No pasaran!
— Agora senti firmeza!
(Trombetas de anjos soaram exigindo mais formalidade)
Moisés recolhe-se
— Ofereça a paz condicional em boa fé e se não aceitarem veremos.
— Este todo mundo irredutível. Enxergo muita desunião.
— Ai, ai, ai, já falei que o caminho é menos ego. Nunca leram Viktor Frankl? Não sabem o que é auto transcendência?
— Não ouvi bem o que tu disse Excelso.
— Falei baixo porque os freudianos têm birra.
— Ah, aí também rola uma divisão?
— E onde não tem?
— Aqui está todo mundo convencido que tem razão!
— Que ironia, eu que sou quem sou não estou irredutível
— Qual é o caminho? Dá uma luz aqui para a gente!
— Minha especialidade. Acordos, podem ser provisórios, faz tempo que abandonei a Utopia.
— Acordos de Abrahão?
— Chames como quiser — mas esse foi um filho muito amado, pai de muitos povos.
E ele tem enorme prestígio aqui em cima e respeito dos primos.
— O pessoal tem birra de quem fez a proposta!
— Menos ego moçada, devia ter feito esse o meu primeiro mandamento.
— Quer mexer? Ainda dá para editar. Trouxe o lap.
— Fica assim mesmo!
— E o Macron?
—- O da bofetada? Véio, aquela doeu.
— É que ele andou insuflando a turminha radical, manja, os que querem impor homogeneidade religiosa?
— Bom, como já avisei, vida e morte esta nas mãos da língua, ele deveria é ter mais respeito com a Bardot.
— Perdão, não é a Bardot, é só Brigitte.
— As vezes a informação demora um pouco para chegar aqui.
— Aqui é Musk! Chega rapidinho.
— O que, óleo essencial?
— Esquece.
— Agita aí, porque vocês precisam de um milagre.
— Desculpa a insolência Mestre, mas esse é o seu departamento.
— É verdade, mas já fiz tantos, e vocês já estão crescidinhos. Eu e a cúpula formamos maioria e decidimos que chegou a hora de ser apenas observadores participantes.
— Qual cúpula? Ai também tem Executivo, Legislativo e Supremo?
— Evidente. Divisão de poder e rodizio. Pergunta para o Freud, ele é que está na coordenação.
— Cheguei aqui bem embaixo, o que faço agora?
— Estou vigilante, dou a maior força, mas a bola está convosco. Boa sorte e Mazal Tov.
(Luz brilhante e ubíqua irradiada da Terra em direção aos céus)
— Amem.
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