• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

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Catatonia (blog Estadão)

10 quinta-feira jul 2014

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catatonia, Copa do Mundo, Fifa, Ghiggia, Maracanasco, Scolasco, Viaduto de BH

Catatonia

Paulo Rosenbaum

Convenhamos, o time não era só fraco. Mostrava inconsistência, falhas e insegurança. Não se trata se enxergar cada um dos jogadores – neste torneio o segundo conjunto mais caro do mundo. Falamos de time. Mas a palavra essencial que pode ajudar a entender o transe no Mineirão. Está no relato de uma testemunha ocular da antológica final no Maracanã em 1950: este narrador chamou de “catatônico” (catatonia – do grego katátonos – forma de alienação com tensão permanente de certos músculos) o estado do time, depois que Alcides Ghiggia desempatou a partida.

No caso da atual seleção, o colapso emocional, a derrocada psíquica, de qualquer forma a catatonia, começou muito antes da joelhada. A maioria dos analistas mostrava cautela, mas foi patente o usufruto político que a administração federal e o Partido, sem trair seu estilo auto-referente, vinha fazendo com tudo que se referia à Copa do Mundo.

Descontrole das contas públicas, inflação, aparelhamento, queda do PIB, controle da mídia, a retração dos investimentos e o desejo por supremacia estiveram na ordem do dia da opinião pública, até que, para alívio do Planalto, vieram as partidas. Um stand by geral, tudo suprimido pelo entusiasmo da maioria da população. Muito antes da estranha partida contra a Alemanha, o País já havia sido subjugado pelos cartolas da FIFA. A entidade sem fins lucrativos mudou leis, fez exigências, impôs padrão, regras e preços. Insinuaram até que tirariam o time de campo. Reação? Nem um pio. A Associação foi amplamente atendida, em tudo, ou em quase tudo. Por que um governo, reputadamente presunçoso, se curvaria com tanta presteza? Medo de perder prestigio? Antecipação do potencial cacife político se tivesse dado certo? Obediência tácita? Subserviência estratégica? Sempre houve uma ligação mesmo que não houvesse uma linearidade óbvia com as pesquisas eleitorais. Estava funcionando.

Como anotou Dora Kramer sem sua coluna, quase 90 dias separam o fim da Copa das eleições, e o povo não é bobo. Mas eis que surge o imponderável. As tais fatalidades, que é como por aqui nos referimos aos acidentes evitáveis. Ai chegou a vez dos locutores, que, assumindo a missão do patriotismo pecuniário, puxaram o coro de ofensas. Juntaram-se ao ex-presidente para promover agressões indiscriminadas: pagantes nos estádios, quem vaiava, críticos do time, descrentes da capacidade técnica, e aí foi um passo para reuni-los todos: golpistas e desgostosos com o regime. O ufanismo atingiu o apogeu com jingles insuportáveis criando uma parodia com o aforismo da ditadura “torça ou deixe-o”. Até que colou. Durou pouco. Até que acontece a tragédia do desabamento do viaduto. O desastre catalisou a ruína, que veio em cascata. A partir dai era como se a maquiagem estivesse se denunciando: melhor parar de operar sob escoras. Toda improvisação é fugaz e enganosa. Foi como se o jogo oculto tentasse se auto elucidar. Por qual acaso os esportes seriam os únicos poupados em meio a um clima tão desfavorável? Foi ali, naquele exato instante, que essa seleção perdeu todas as chances. Com o simbolismo em frangalhos e com a tática de um técnico de competência ciclotímica, fomos humilhados. Menos pela Alemanha, do que por golpes da manipulação política.

Há mais mistérios nessa vida do que supõe o senso comum, mesmo assim alguns podem ser esclarecidos: o futebol foi a mais recente vítima instrumental desse governo.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/catatonia-e-politica/

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Copa, jogos e diversão contra o culto da vitória

30 sexta-feira mar 2012

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Copa do Mundo, Culto da Vitória, diversão, escolas de samba, idolatria do êxito, ilusão política, o sentido da diversão, sociedade industrial, violencia das torcidas

Copa, jogos e diversão contra o culto da vitória

Jornal do Brasi/lPaulo Rosenbaum

Todos devidamente ultrajados com a tragédia pela briga de torcidas de futebol deste último domingo? Não será a última. A fórmula é simples: ultrapasse as fronteiras simbólicas da competição e tome concretamente o adversário como inimigo mortal. É que esquecemos completamente da raiz da palavra diversão, do latim divertere, “ir-se embora, afastar-se”.

Tudo pode eclodir no futebol, nas escolas de samba, em agremiações partidárias e até no pacato salão de festas do condomínio. Mas houve um ponto, anterior, que foi dando legitimidade à explosão de ações incivilizadas. E o que tem a ver estilo de vida contemporâneo com a violência – ainda imbatível como primeira causa de morte entre adultos jovens no Brasil – e o combinado pela internet de lutar à morte?

Tudo a ver!

Viramos fanáticos por resultados.

Desde pequenos, estimulados pela ambição, somos levados a acreditar que a competição é a alma do negócio. Há uma “pedagogia baseada em pódio”, e a instrução é clara: sejam os melhores, primeiros da lista, mais elogiados e cotados; não se esqueça de trazer a melhor nota e, finalmente,… Harvard. Aí, tornem-se presidentes, gerentes gerais, sócios-fundadores, chefes de repartição e políticos de peso. O conselho essencial, este subliminar, “se necessário, mate”. Há uma fila de exemplos demonstrando que a sociedade pós-moderna não conseguiu superar o estigma da educação como instrumento discricionário.

Para compor o arsenal discriminatório contamos com bullyings de Estado, acossamentos dos estranhos, e perseguições aos fracos. Talvez disso decorra alguma empatia pelo perdedor, como se ele mesmo não tivesse tentado, em algum momento, erguer o troféu. A máquina social pressiona, e mergulhamos de cabeça na ideologia da sociedade industrial. Achamos, enfim, o novo ícone pagão: o culto da vitória.

Não que se possa duvidar da meritocracia como critério justo, mas o questionamento vai por outra via: qual exatamente é o mérito da vitória? A própria democracia se baseia num jogo onde o vencedor é quem convence a maioria. Mas a que preço esse triunfo? Na política adulta não há espaço para ingenuidade: vence quem ilude melhor. Fazer o quê? Vivemos de ilusão. O problema é que a prestidigitação pública pode custar os olhos da cara e, não raramente, a cegueira da nação. Parece chato, mas mesmo o mundo dos talentos se rendeu ao business corporativo: do jogador de futebol aos artistas, tudo gira nas mãos dos agentes, dos empresários, e da instrumentalização da mídia.

Aqueles que ainda se inspiram em macro teorias socioeconômicas para explicar a violência – do marxismo ao capitalismo liberal – malograram. São obrigados a recorrer à lengalenga: “o problema é social”, “construção de mais presídios” ou “torcedores e agressores sem causa precisam de lazer”. O resultado final do justificacionismo irresponsável é o nonsense das políticas judiciárias e de segurança pública: encarceram-se punguistas, desocupados e viciados inofensivos enquanto assassinos renitentes e motoristas alcoolizados são liberados com recomendações de “medidas socioeducativas”. O que antes colava fácil, hoje derrapa na desonestidade intelectual. E chega de preconceito de classe social. Todas se envolvem em delinquência e em crimes hediondos. Não faltam B.Os. para comprovar.

Urgente: precisamos mudar de sentido. Que tal começar pelo circo?

Com a aproximação da Copa e da Olimpíada teríamos uma chance, única, de subverter a idolatria do êxito. Antes dos jogos façamos uma convivência lúdica entre rivais. Torcidas adversárias, misturadas, disputem partidas cômicas. A risada, a exposição ingênua ao ridículo e a autogozação, todas elas poderosas armas dissuasivas contra a banalização do ódio.

Na jogatina de palhaços distraídos pouco importa competir ou vencer: só vale nos divertirmos juntos.

Vamos nessa!

Para ver e comentar acesse o link do JB: http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/30/copa-jogos-e-diversao-contra-o-culto-da-vitoria/

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