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  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

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Invisíveis ao Poder (JB) [coluna vetada]

28 sábado jun 2014

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coluna vetada

 

Coisas da Política

Hoje às 06h00

Invisíveis ao Poder

Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Gosto se discute. Eis que será preciso contestar o velho ditado senso comum de que religião, política e futebol são temas indiscutíveis. Dado nosso contexto, seria possível aceitar pacote de tabus consentidos? Como é que não se discute política? Agindo exatamente como nossos representantes costumam fazer: desqualificar a outra metade. Matam dois coelhos com uma só paulada. Não dialogam sobre o que interessa e contornam a insatisfação crescente da opinião pública. Por quê? 

Porque o que interessa é faturar as eleições, o resto é detalhe. Só se esquecem de que turbinar a animosidade não é bom para ninguém. Este é o caráter do jogo no qual se disputa: ganhe quem ganhar, alguém será transformado em resíduo, sobra, o lado derrotado, a metade perdedora. Destarte, os 49% vencidos somarão, no mínimo, quase metade da população do país. Para desespero de quem aspira ser hegemônico, estes são os fatos. Só um governo civilizado poderia arcar com o ônus que nos aguarda a partir do dia 1 de janeiro de 2015. 

 A metáfora da Copa é pleonasmo, mas vem bem a calhar. Podem se incomodar, mas essa competição esportiva não deixa de ser uma forma de expressão do darwinismo de resultados: alguém precisa perder, morrer, de qualquer forma sumir, para que a evolução prossiga em paz. Só a desrazão faz com que vibremos com disputas. É sob o domínio da afetividade violenta que entramos em férias coletivas. Vamos assumir que é a paixão que assume temporariamente o controle dos corações e mentes. 

Eis um império instável, ciclotímico, e sujeito a guinadas bruscas. Todas estratégias a serem evitadas em campanhas políticas já que o ganho de levar a taça a um custo tão alto gerará – ou já gerou – sérios empecilhos para governar. Vale dizer, governar não é simular administração enquanto se finge que algum estranho pilota. Governar é assumir responsabilidades e propor mudanças que atendam a toda a sociedade, incluindo aqueles que estão rejeitando a administração. 

É preciso interromper o ciclo dos filiados, apadrinhados, subsidiados e patrocinados com dinheiro público

É preciso interromper o ciclo dos filiados, apadrinhados, subsidiados e patrocinados com dinheiro público, promiscuidade letal para a democracia. Para sair da crise institucional – pode ser branda, mas é evidentemente crítica – é preciso ter a coragem para propor e sustentar uma mentalidade realmente inclusiva.  A outra escolha é a aposta catastrófica de segmentar o país e jogá-lo aos termos da violência e da secessão.       

Numa democracia autenticamente representativa são propostas, apenas elas, que deveriam estar no centro do debate. E, num caminho em que cabe todo mundo, senão, nada feito. Não discutir política é bloquear aquele que seria o único resgate razoável para a palavra “cidadania”. Esse termo bastardizado, maltratado, esvaziado de significado na boca vazia da maioria dos legisladores. Só há cidadania com representação e participação. Porém, a criação de instrumentos oportunistas de inclusão – como os tais conselhos populares – só fazem reforçar a desconfiança da sociedade em relação às intenções de golpear acordos. 

Da tentativa perturbadora de que um único partido obtenha hegemonia para reformar o Estado. Argamassa velha não sustenta reboques, e decerto a sociedade se reunificará contra aventuras.   Antes, haveria de se educar pessoas para escapar da armadilha do carisma populista – todo populismo, de qualquer matiz, direita, esquerda, centro, é de índole totalitária – que só uma mudança significativa nos rumos da educação, que vá para bem além de vagas gratuitas e critérios raciais. Desarmar a sociedade não é retirar o direito de se defender do Estado. Não basta recolher pistolas e rojões das ruas, mas concatenar discurso e atitude, articular diálogo com transparência. Talvez esta seja a chance de recobrar a esperança, isso pode significar nos tornar menos invisíveis ao Poder.  

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