• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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Castas à brasileira.

26 quinta-feira jul 2012

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centralismo partidário, Eleições 2012, hegemonia e monopólio do poder, justiça, justiça e saúde, mensalão, política

Castas à brasileira

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum

As histórias das pessoas sensibilizam não exatamente pela narrativa de como sofrem, mas como cada uma resiste ao sofrimento. Essa resistência (desisti de “resiliência” depois da apropriação indevida que a psiquiátrica fez do termo) já é uma forma de cura que, às vezes, transcende cuidados médicos. Pois vejam dois exemplos de problemas que misturam medicina, justiça e aberração. A lei é para todos, pois não? Somos iguais perante a legislação? Então por que uma moça negra, trabalhadora doméstica, de aproximadamente 35 anos que teve o pé direito amputado em função de um tumor maligno não consegue se aposentar, e outros conseguiram o benefício por terem perdido a unha num torno mecânico? É um problema de peritagem? De organização sindical? Da capacidade de tumultuar um posto do INSS? Por que a classe política tem foro especial enquanto o policial federal não conseguiu obter a tempo a escolta antes de ser fuzilado em Brasília? Por que até os juízes estão sendo acossados ao julgarem gente poderosa conforme convém ao poder? O demagógico não é comparar eventos aparentemente distantes como esses, mas fingir que não são pertinentes. Estão todos interacionados.

A reforma do Código Penal ainda em trâmite só é bem-vinda se vier com determinação da sociedade para modificar as condições de sua aplicabilidade e minimizar a separação das castas nacionais. O sistema de castas à brasileira é aquele que separa não pela etnia ou por um tribalismo metafísico mas por extratos de poder. Numa blitz policial, o cidadão liberado quis saber qual o motivo de ter sido tão desrespeitado durante a revista, e a resposta foi: “Agora a gente trata pobre e rico tudo igual”. Pois esse é o medo, a regra ficou clara, serão todos maltratados.

É impossível contemporizar e duro admitir: a web é um lixão aberto ao ciberspaco. Diverte, distrai e há até pérolas resgatáveis, mas constam como exceções à regra. A legislação mudará para tentar enquadrar os crimes virtuais, resta saber se funcionará. Circulam pelo esgoto eletrônico sideral, além das calúnias e golpes, textos e correntes que para serem classificados sob este rótulo precisariam melhorar muito. Algumas merecem resgate: pedidos de volta dos “bons tempos” do regime militar, mensalão como conspiração arquitetada pela CIA, volta da censura com controle da mídia, educação formal dispensável, vírus da Aids fabricado por laboratórios farmacêuticos (essa até que poderia ser crível, mas para outras patologias), a mudança do clima como invenção das indústrias de ar condicionado, de fato o bestialógico é assustador. Mas o que causa espanto é que aparentemente perdemos a virtude — nesta altura é o que é — da perplexidade. O saudoso Millôr dizia que imprensa é oposição, o resto é capitulação. Espanta ver quantos capitularam e se acomodaram nos braços do subsidio estatal.

Escandalizei-vos já.

Sim, o mensalão (desculpem, é força do hábito), vale dizer, a lógica por detrás da “ação penal 470” sobrevive Brasil afora, com seus impunes tentáculos cheios da grana fácil dos contribuintes, travestida de “liberação de verba”, “medidas provisórias” e “emendas parlamentares”. Só mesmo “trouxas legalistas” ainda acham que não vale a pena sucumbir aos dez por cento. Acontece que eles são a maioria da população. Mesmo com o beneficio da dúvida, diante de tantas injustiças não era para um país redemocratizado estar de ponta-cabeça antes de se aposentar? A justificativa corrente “mas isso tudo ocorria também em governos anteriores” perdeu o prazo de validade. Se de fato ocorria, o que estamos esperando para evitar a recorrência?

Temos 200 milhões de técnicos de futebol e talvez a metade disso de analistas políticos amadores. Muitos admitem o medo de fazer comentários críticos em público — como confidenciou o funcionário de uma universidade — porque poderiam dedurá-lo e lhe cortariam o ponto ou a bolsa. O patrulhamento já era uma realidade, a novidade é o monitoramento virtual.

Por que os intelectuais adotaram o silêncio defensivo como forma de não se comprometer com os esculachos na República? A omissão da crítica intelectual — nome correto: “constrangedora cooptação“ — passou do ponto. Esperava-se muito mais da inteligência nacional. As vozes ouvidas são tímidas e em sua maioria coro de enaltecimento à gestão federal, puxa-saquismo, no velho idioma. Como Arthur Schopenhauer pedira em sua época, uma comissão da verdade merecia ser constituída também para avaliar porque assuntos e pessoas realmente vitais passaram a ser irrelevantes, enquanto a superficialidade arrivista tornou-se hegemônica.

O amortecimento coletivo chegou ao insuportável e à beira do ponto de ebulição, agora terá que escolher de qual lado do abismo ficará.

A sociedade sairá triunfante porque, diante da parada dura que é o tamanho do fosso, ninguém mais pode se dar ao luxo de escolher errado.

Paulo Rosenbaum é médico e escritor. É autor de “A Verdade Lançada ao Solo”. (Ed. Record)

Para acessar e comentar use o link do JB

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/07/26/castas-a-brasileira/

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O mito da boa causa: a lógica do mensalão e a ameaça à democracia.

01 quinta-feira mar 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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advogados, centralismo partidário, Democracia grega, ditadura, etica na politica, mensalão, Platão, Socrates

O mito da boa causa: a lógica do mensalão e a ameaça à democracia.

O povo brasileiro mistura ingredientes paradoxais: malícia para a vida quotidiana e desconcertante ingenuidade política. Mas não é preciso ser gênio para perceber que se a sociedade não se mobilizar – como fez recentemente em outras votações – terá que engolir uma grande armação.

Percebe-se forte movimentação nos bastidores do julgamento do mensalão, o processo político-institucional mais documentado da história republicana. Com muito custo, advogados dos réus tentam limpar o rastro de sujeira que seus clientes deixaram enquanto se arranjavam para conquistar, manter e ampliar o poder no início da era Lula.

Menos previsível que o ato do poder ávido e corruptor é a lógica que o inspirou. E ainda inspira! O óbvio merece ser relembrado: um dos pilares axiológicos da democracia é a moderação/controle que o poder legislativo deveria exercer sobre os demais. O mensalão – que prossegue com réus em julgamento, malgrado impunes — foi apenas um plano desmascarado como crime eleitoral. O gravíssimo é que prossiga incólume, ainda que com outras características.

Comprar apoio de deputados para governar, usando supersalários ou acordos secretos que fomentam o clientelismo é ameaça séria ao Estado democrático. Nostálgicos do poder absoluto, essa turma quis ressuscitar a versão tropical do centralismo partidário, vale dizer, modelar a máscara para uma neo ditadura.

Incrível, mas até aqui a lógica tem sido bem sucedida. Flagrados no crime eleitoral, se sustentaram com malabarismos e composições curiosas para o partido que monopolizou o slogan “ética na política”. Terminaram na mesma vala comum da maioria dos moralistas: ética para os demais!

Hoje, nós os gatos escaldados, enxergamos que o telhado de vidro existe e é coletivo.
Nesse caso especifico do mensalão a justiça do País tem uma dívida especial com os cidadãos, que vai muito além do sistema de penalidades que o sistema jurídico costuma aplicar para dar consistência ao estado de direito. O que está em disputa é a manutenção ou interrupção do aval para jogo perigoso dentro da área.

Quem detém poder sempre pode mudar as regras do jogo, e a sociedade que se ajoelhe diante das arbitrariedades. Mas não lutamos justamente contra o arbítrio que caçou a voz da sociedade e o Brasil durante décadas? Se houver condescendência com o “mito da boa causa” a próxima vítima será a democracia.

Para ver o texto completo acesse o link do JB:
http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/01/o-mito-da-boa-causa-a-logica-do-mensalao-e-a-ameaca-a-democracia/

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Crack, fissura, e reality shows: é a sociedade quem precisa ser retirada do ar

19 quinta-feira jan 2012

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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centralismo partidário, Crack, Crítica social, crime e drogas, drogas, e reality shows: é a sociedade quem precisa ser retirada do ar, fissura

Crack, fissura, e reality shows: é a sociedade quem precisa ser retirada do ar

Jornal do Brasil Paulo Rosenbaum

Palavras dizem quase tudo, entretanto algumas têm mais valor simbólico que outras: A palavra agora é crack (racha, fenda, estrondo, estalido e, segundo o American Heritage, quebrar sem dividir em pedaços). Temos vários cracks históricos: o de 29 (por ironia a especialidade acadêmica de Ben Bernake, secretário do Tesouro norte-americano), o de 2008 nas bolsas americanas, o de 2010 nas europeias, cracks sociais, cracks simbólicos, cracks narcóticos e simplesmente crack, a onomatopeia, o som de algo se partindo.

Depois da grande desmobilização que sucedeu à queda do regime militar no Brasil, faz alguns anos que parece, nós, o povo, assistimos a tudo pela janela e pela TV. Na maior parte das vezes sequer nos levantamos para ver o que está acontecendo na esquina. Uma estranha passividade reina. Uma doença social imobilista, paralisante, que, diante da exaustão precoce, vai se instalando a ponto de tudo parecer normal quando nada está.

Para ler o artigo na íntegra acesse: http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/01/19/crack-fissura-e-reality-shows-e-a-sociedade-quem-precisa-ser-retirada-do-ar/

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