• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

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O Lado Incerto da História (Blog Estadão)

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A lado incerto da história.          

Paulo Rosenbaum

Se o senso comum determina que o oposto de certo seria o errado, tenho pensado numa outra hipótese. Dizem que a incerteza é a mãe de toda curiosidade. Para uma sociedade premida pela expertocracia e pela incessante demanda científica por evidências, essa é uma daquelas palavras-tabu, mesmo despois de Heisenberg ter formulado o principio da indeterminação.  E ela não se encontra só. Sob o mesmo status estão outras, por exemplo imprecisão, indeterminação, o insondável. Todos estes vocábulos tendem à execração e ao descrédito. Admitamos que há em todos nós uma certa aversão, vale dizer um horror pelo imponderável, na mesma medida que temos um apreço quase inversossimel pela precisão e pela certeza absoluta. Tudo isso a despeito de que o inapreensível do mundo seja muito mais frequente do que o peremptório. Afinal, como se sabe, a ciência tem muito mais perguntas do que respostas.

Como judeu e adepto da ideia de que Israel é o lar para aqueles que se identificam com uma nação que ostenta os valores judaicos prescritos pela cultura e tradição, cuja origem histórica pode ser remontada a 3.000 anos, também conhecida como idish kait, talvez precisaria e devesse explicitar meu conflito de interesse ao enunciar o que estou por enunciar. Isso não significa que não me pergunte se tudo poderia ter sido conduzido de uma outra forma em relação ao atual conflito em Gaza. No entanto, votei pela dispensa de formalidade para explicitar o tal conflito de interesse, considerando o que, com raríssimas exceções, tem  sido observado na conduta da mídia mundial.

Mais precisamente depois do 07 de outubro.

Hoje parece haver uma central única de jornalismo, particularmente quando se trata do assuntos relacionados a Israel e os seus habitantes atuais e futuros. Esta rede de comunicação vem desprezando um paradigma elementar: o da autocrítica. Boa parte da imprensa vem escolhendo suas manchetes e testeiras esquecendo de um detalhe fundamental. Uma prerrogativa que antes parecia consensual entre os veículos de informação confiáveis: trazer para seus leitores e telespectadores uma concepção de verdade razoavelmente aproximada aos fatos. Isso significa  buscar aprofundar o aspecto crítico e analítico em detrimento do viés ideológico e sensacionalista.

Pois bem, recentemente o supremo Aiatolá da Pérsia, atual Irã, fez uma declaração publicada em  um post nas redes sociais em 31 de maio — sim ele tem uma conta preservada no X.  Ali ele pode escrever o que bem entende, ainda que haja bem mais do que uma objeção ética ao seu discurso que frequentemente instiga o ódio, a violência e conclame extermínio de um povo.  Nesta publicação o chefe da teocracia agradeceu os estudantes e colaboradores dos EUA que fizeram mobs e acampamentos conclamando intolerância e violência antissemitas nos campi universitários. Os pacifistas do porrete fizeram vigílias entoando slogans clamando pelo extermínio dos judeus e de eventuais “infleis” de outras orientações políticas e religiosas.

Em seu comunicado Khamenei os elogiou ‘por estarem do lado certo da história’.

Proponho um teste de hipótese: será este de fato o lado certo da história?

Ainda não fiz uma análise minuciosa de como a imprensa mundial se comportou no inicio da ascensão dos nazistas na Europa nos anos 1930, mas suspeito que agora um erro muito semelhante esteja sendo cometido. Um erro que pode se tornar criminoso se insuflar, ao velho modo dos libelos de sangue, as massas contra comunidades e minorias. E isso já está ocorrendo. Do anúncio mentiroso e desinformador de que houve um ataque com um míssil contra um hospital em Gaza (BBC, CNN, Agencia Brasil, O Globo 17/10) aos números de vítimas civis fornecidos pelos mesmos extremistas fanáticos que voluntariamente não apenas massacram covardemente civis, mas especialmente usam sua própria gente como bucha de canhão. Hoje as investigações mostraram que o ataque foi resultado da falha de um míssil disparado por proxys iranianos, a  Jihad Islâmica. Foi este artefato que atingiu o estacionamento do hospital El Shifa. Esta pequena desinformação instrumentalizada custou tanto o cancelamento  de rodadas importantes de negociação de paz como mobs de linchadores dispostos a dar cabo de tripulantes de um avião da El Al no Daguestão, Rússia. Mais recentemente depois de notícias que inflacionaram o número de vítimas civis, judeus hospedados em hotéis na Grécia foram perseguidos e quase linchados. Uma sequência de eventos que estariam cronologicamente melhor alinhados com os éditos medievais europeus ou com a inquisição espanhola.

Bem, toda essa avalanche de desinformação potencialmente produtora de tragédias contra inocentes não parece ter provocado escárnio mundial, indignação de governos ou textos e editoriais condenando o regime da guarda revolucionária, uma conhecida e sanguinária tirania de inspiração totalitária.

A ONU, sob a tutela de Guterres, que abusa de seus critérios parciais, por exemplo, parece endossar a aberração do libelo teocrático.

Então me permito perguntar: que o regime que patrocina os inimigos da humanidade em pelo menos quatro países – Iraque, Síria, Yemen, Libano — e subsidia grupos que desejam desestabilizar o governo em outros países, como por exemplo na Jordânia. Se as mulheres sofrem repressão com penas variáveis que incluem  chibatadas, humilhações, torturas públicas  e espancamento. Se os adversários políticos, particularmente os partidos seculares e do campo da esquerda estão presos e sāo frequentemente torturados e mortos. Se os partidos são controlados por uma agremiação de inspiração teológica que determina quem pode ou não concorrer aos pleitos, portanto muito distante de um estado democrático de direito. Se o presidente morto recentemente em um acidente de helicóptero era mais conhecido como “o açougueiro de Teerã” Se todos estes elementos acima são exemplos, e para muitos constituem o lado certo da história, fica a duvida se afinal o lado incerto seria uma escolha tao equivocada.

Um último exemplo acaba de acontecer quando as forças de defesa de Israel resgataram 4 reféns que estavam sendo mantidos há 245 dias em cativeiro por um fotojornalista e seu pai, um médico. Ambos membros da organização que praticou a chacina em 07 de outubro. Notem que a modalidade jornalista-sequestrador mostra como recentemente as profissões se tornaram ecléticas. A maioria dos telejornais do mundo deram o furo da seguinte maneira: reféns liberados.

O uso de uma palavra no lugar da palavra que deveria ser a mais adequada muda totalmente o contexto, e, portanto, a interpretação. Neste episódio o mais importante é constatar que a filosofia da desinformação está na linguagem dos enganos bem estudados das mídias: a palavra seria resgate, não libertação.

Mais um motivo para fazer um contraponto: o elogio do incerto.

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Comentários sobre o Livro “Navalhas Pendentes” #navalhaspendentes

17 quinta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Para a quarta capa:

“Navalhas Pendentes” de Paulo Rosenbaum, além de oferecer uma história surpreendente, na qual seus conhecimentos médicos são utilíssimos, o autor coloca em xeque a liberdade autoral, a liberdade dos leitores e a dimensão por vezes esquemática das narrativas em que estamos todos mergulhados. Grande livro e grande projeto gráfico.”*

 *Cintia Moscovitch  (Jornal Zero Hora)

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“O autor do Eclesiastes, Salomão, declarava: “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol”. Tal constatação milenar está no cerne do romance “Navalhas pendentes”, de Paulo Rosenbaum, atualizada com algoritmos e mercados globais, inteligência artificial e autores incógnitos. O autor tece uma bem-urdida história em torno de uma editora que produz mais best-sellers do que seria razoável, escritos principalmente por Karel F., um autor que ninguém sabe quem é. Falar mais revelaria o desfecho que Rosenbaum dá ao livro. Basta dizer que, a partir da forma do romance de enigma, o autor atualiza a discussão tanto do fazer literário quanto do mercado editorial. E o faz numa narrativa fluida que alia questões éticas e estéticas a denúncias políticas.” *

 *Julio Jeha (Estado de Minas)

___________________________________________________

“Em meio às transformações por que passa o universo do livro, entre os quais o digital, o audiobook, a literatura em bandas desenhadas,  mega livrarias e casas editoriais gigantescas em escala mundial e o polêmico Chat GPT – que, surpreendentemente, e com dois anos de antecedência,o texto de alguma forma antecipou – a ferramenta de inteligência artificial lançada no final de 2021… eis que Rosenbaum incorpora à Navalhas Pendentes a discussão em torno da extinção da cultura e da criatividade humanas, da obra pós-humana, ao aportar à narrativa a inteligência artificial. Seria um algoritmo o autor/reprodutor de fórmulas dos best-sellers da editora Filamentos, membro da editora em formação KGF-Forster, maior conglomerado editorial do mundo? Um enigma que cabe ao autor e ao leitor decifrarem.”

*Lucia Barnea (O Estado de São Paulo)

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“Neste livro, Paulo Rosenbaum apresenta uma ficção envolvente, sobre uma editora que se destaca no mercado por sua  inacreditável capacidade de publicar best sellers. Por isso a aventura de Paulo pela ficção, me encantou. Em Navalhas Pendentes, ele encontrou o segredo dos livros mais vendidos.”*

*Eduardo Salomão

“Ao investigar um plano criminoso no mercado editorial, o protagonista de “Navalhas Pendentes” vai além da trama policial e questiona a própria criação literária na era digital.”

*Leonardo Senkmann,

(Universidade Hebraica de Jerusalém)

“Neste seu terceiro romance, Rosenbaum cria uma armadilha para o leitor, com citações, ironias e referências intertextuais que, ao mesmo tempo que arma e desarma a leitura, cria sua narrativa. E, na história, as lâminas que assombram o personagem principal – Homero Arp Montefiore – são signos denunciadores, pairando como fios que conduzem aos crimes que ele teria (ou não?) cometido. O leitor é quase convidado a, no papel de detetive, se envolver na história e desvendar seus segredos.”

Jornal da USP 

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BIOGRAFIA

Foto

Paulo Rosenbaum é um escritor (ensaísta , poeta , romancista ) e médico. Possui publicações no Brasil e no exterior, é criador e editor do blog “Conto de Notícia”, que publica regularmente no jornal “O Estado de São Paulo”. Possui graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, mestrado em Medicina (Medicina Preventiva) pela Universidade de São Paulo (1999) e doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo (2005), pós doutorado pela Universidade de São Paulo.(2010). No campo literário publicou “Impreciso Emigrar”, (1979) Poesia pela Massao Ohno , “A Verdade Lançada ao Solo” (2010) ficção, pela Editora Record. Publicou a ficção “Céu Subterrâneo” (Editora Perspectiva, 2016) e “A Pele que nos Divide: Diáforas Continentais” (Quixote-Do, 2018). A primeira edição (esgotada) de “Navalhas Pendentes” foi lançada no final de 2021

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Acerca de um outro tipo de Luto (Blog Estadão)

16 quarta-feira out 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Paulo Rosenbaum

Acerca de um outro tipo de Luto

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/acerca-de-um-outro-tipo-de-luto-yurtzait/

Gershom Scholem em seu extraordinário livro as “Grandes Correntes da Mística Judaica” (Editora Perspectiva), escreveu sobre o movimento hassídico polonês ele sempre nos remete à dúvida. A dúvida, assim como consta nos ensinamentos talmúdicos originários nos ensina que, a princípio, sua manifestação é um sinal de saúde. A dúvida é a razão última do sentimento do inacabado, da lembrança constante da nossa condição inapreensível, tão pertinentes à especulação intelectual, à curiosidade universal e principalmente à busca por sentido.

Ao duvidar, somos obrigados a nos perguntar e desafiar o dogmatismo e a tentação do sentimento peremptório. O luto de acordo com os preceitos judaicos é um mergulho inimaginável na meditação e na melancolia. Mas qual gênero de melancolia? Inicialmente trata-se da reafirmação da perda. Recitar o kaddish – uma curiosa oração em aramaico onde não há qualquer menção à morte — duas vezes ao dia, vestir os mesmos trajes rasgados do sepultamento é repisar a dor e intensificar o sofrimento da privação da presença do ser amado reafirmada pela consciência de que será para toda vida. O esquecimento deve ficar provisoriamente abolido. É o elogio da exuberância incomoda, o enaltecimento da memória repisada, a persuasão baseada na insistência e, se quiserem, o anti negacionismo por excelência.

Com prazer convidaria Ernst Becker, o autor do icônico “A Negação da Morte” para passar alguns dias comigo ou com alguém enlutado para dividir a experiência. A ideia seria lhe repassar algo além do simbolismo, para que ele tivesse alguma ideia sobre os sentimentos que o ritual faz aflorar. Não renego a imensa sabedoria que o ritual oferece, pelo contrário, mas é evidente que se trata de um interregno intencionalmente doloroso. Te coloca frente a frente com o desamparo e o vazio abruptos.

Tortura? Autocomiseração?

Apenas ocasionalmente a função me parece clara. Especulo que talvez seja para depois te oferecer a redenção e o alívio do final de uma caminhada através das oscilações entre túneis claros e obscuros. Mas quem está lá dentro, quem depara com a extensão e a densidade sabe, não há complacência, especialmente no meio da jornada, no corredor, no hiato.

Estas reflexões que faço aqui agora, como homenagem ao meu pai, cuja data de aniversário de falecimento é hoje, dia 17 de julho, e representam o dia de passagem através daquela que já foi definida como a porta irreversível. Uma porta que a despeito de ser irreversível pode ser entreaberta para recuperar pelo menos dois conceitos caros à filosofia monoteísta, seja qual for sua vertente: arrependimento (teshuvá) e (emuná) fé.

O Rabino, químico e sociólogo Adin Steinsaltz escreveu: “o Talmud não ensina sanidade: ele cria sanidade”. O que este homem de caráter renascentista e de um sorriso todo compreensivo quis afinal dizer com isso? Ensaio uma resposta: o hábito de questionar desenvolve no sujeito a capacidade de arguir, de meditar sobre o que é significativo não só na palavra que simboliza Dus, mas, também, e principalmente, sobre o que é uma vida significativa e seu impacto no conceito de justiça.

Não é insignificante que a santidade no judaísmo, e particularmente no hassidismo posterior, esteja na representação da tzedaká (algo aproximado de caridade), e, portanto, deriva de sua raiz hebraica, tzadik (o justo). Ser justo é mais do que ser apenas santo. Isto é, o justo sempre se aproximara da verdadeira natureza de Dus que é ser parte de uma justiça excelsa, as vezes incompreensível, a justiça divina. Ser justo é uma imitação simbólica, é preciso procurar ser parecido com a natureza do Altíssimo. Por isso o conceito de justiça é tão especial e único na tradição mosaica. Como escreveu Schlolem, o hassidismo “deu uma ênfase ao lado psicológico da vida.” O hassidismo também incorporou os aspectos esotéricos de uma forma original e única. Para além da mistificação simplificadora, trouxe-os à vida. Descobre-se que descendo as profundezas do próprio eu pode-se “transcender os limites da existência natural” e descobrir D-us em tudo, ou melhor “não há nada senão Ele”.

O cabalismo sob a visão hassídica – e é essa sua grande contribuição — tornou-se um instrumento de análise psicológica, e de autoconhecimento, “um instrumento de precisão daquilo que é, não raro, espantoso” conforme escreveu o mesmo Scholem. Agregou e misturou o sentimento religioso à preocupação com a mente humana e seus impulsos e tendências. Na escola de um outro rabino menos conhecido do que Ball Schem Tov e Schneur Zalman, Tzvi Hirsch de Jidatschov: a busca de todos os homens poder-se-ia resumir como a mística da vida pessoal.

Relembro tudo isso neste dia do Yurtzait do meu pai pensando em todos que já perderam alguém que fazia o papel de âncora geopolitico-espiritual.  Por isso trago alguns parágrafos do que senti naquele dia específico há exatos três anos:

“Você também trouxe para os teus uma outra espécie de compreensão do mundo prático. Fundou para além do teu núcleo de contatos imediatos, a vinda de uma mudança que ainda não chegou: a leveza da rotina, o estoicismo prático e o desprezo pela cultura do sofrimento. Foi quando adquiriste as passagens para as passárgadas elevadas. Um paraíso constituído por sítios imaginários. Mistura de jardins londrinos com estradas vicinais caipiras. Tua “Nova Inglaterra” não precisará mais esperar por todos nós. Reside aqui. Ela nos reunirá não como família, mas na grande cúpula da congregação sagrada. A utopia possível, aquela na qual você acredita como ninguém. E, cedo ou tarde, reconheceremos o que você vive a dizer:  as leis não bastam, chega de revolução, de reformadores heroicos, de grandiloquências narcísicas, viemos civilizar o mundo através do afeto, e é por isso mesmo que sempre foi difícil nos tolerar. Nos últimos tempos, você vinha elaborando outro sistema de notação,  um tipo original de benevolência. Queres criar uma nova terminologia?  Para os sonhos de reerguimento?  Das pregações livres de dogmas. Da ridicularização amena dos fanatismos. Dos doutrinadores de ocasião. Lembras quando pintou as luzes como Chagall? Ou o amarelo-terra de Van Gogh? E pinceladas transversais? Os dinossauros-grúfalos com consciência?  Então, por mais invulneráveis, não podemos mais negar o trágico que tua ausência nos imporia. Perdão. Trágico nunca, apenas uma branda melancolia. Se exigíamos que ficasse mais era só porque sabíamos  da tua capacidade de nos achar. Em qualquer lugar. No espaço tempo, agora abolido. Mas se a escolha for a partida, que a direção seja unívoca, clara, rumo ao grande “quem”. E eis que tuas dúvidas sobre o que era o outro mundo foram todas respondidas. Menos uma: o que faremos nós?  Precisamos do teu olhar e discernimento. Entender como uma fé não intelectualizada conseguia superar a pressão dos ceticismos. Se precisamos te encontrar é para saber mais sobre o segredo do teu apreço pela vida. Você, como Leon Bloy, tinha aquela “imensa curiosidade” de saber o que se esconde atrás das cortinas. De onde nenhum visitante regressou.  Mero despiste, você sempre soube. O ‘Grande Quem” você conhecia, um dia compartilhará conosco.

Como poderemos esquecer das tuas danças e sapateados, tuas experiências com sopa de galochas e o ingênuo pedido de isqueiro para bombeiros que quase te rendeu uma detenção? Teu exemplo de fortaleza não apagou tuas indignações. Como protestos privados. A fúria contra as autocracias disfarçadas. Tua crítica arguta contra a excesso de seriedade.  Quantas vezes tentou nos ensinar sobre as saudades do paraíso?  Lugar que já foi ilha, já foi agricultura, já foi teu filho Sérgio que te antecedeu. Um Gan Eden que nos ofereceu uma visão de fora dos trópicos. O Jardim do Éden, como escreveu Gershom Scholem,  pode ser o símbolo da própria felicidade. Tua arquitetura de objetos indiretos e soluções geniais. Teus arranjos sofisticados pela simplicidade. Teu tirocínio compreensivo. A busca, como a de Tolstoy, por uma justiça baseada na espiritualidade pessoal. Assim como a relação com os céus, pessoal. Tudo isso foi só para te dizer que que se isso fosse uma separação ela não terá sentido nem a mínima duração. Já me ensinaram, primeiro a união, depois a havdalá, o apartamento, temporário. Forjaremos um novo tempo até este alcançar enfim o encontro da permanência. Para sempre, Pai, para sempre.”

Se disserem que o tempo é o remédio, recuse. O tempo é um placebo que nos avisa que amanhã será mais fácil do que hoje. Não custa rir de mais este recibo passado por um estelionatário chamado destino.

Dói, mas a alternativa seria esquecer que somos seres cômicos.

Não levar o luto a sério é a maior prova de respeito à irreverência sagrada.

Foi isso que meu Pai ensinou.

(a continuar)

Para ler mais

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/moishe-aharon-ben-chava-mauricio-rosenbaum/

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O lado incerto da história (Publicado no Jornal O Dia, versão impressa e digital)

13 quinta-feira jun 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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, A lado incerto da história.          

Paulo Rosenbaum

Se o senso comum determina que o oposto de certo seria o errado, tenho pensado numa outra hipótese. Dizem que a incerteza é a mãe de toda curiosidade. Para uma sociedade premida pela expertocracia e pela incessante demanda científica por evidências, essa é uma daquelas palavras-tabu, mesmo despois de Heisenberg ter formulado o principio da indeterminação.  E ela não se encontra só. Sob o mesmo status estão outras, por exemplo imprecisão, indeterminação, o insondável. Todos estes vocábulos tendem à execração e ao descrédito. Admitamos que há em todos nós uma certa aversão, vale dizer um horror pelo imponderável, na mesma medida que temos um apreço quase inversossimel pela precisão e pela certeza absoluta. Tudo isso a despeito de que o inapreensível do mundo seja muito mais frequente do que o peremptório. Afinal, como se sabe, a ciência tem muito mais perguntas do que respostas.

Como judeu e adepto da ideia de que Israel é o lar para aqueles que se identificam com uma nação que ostenta os valores judaicos prescritos pela cultura e tradição, cuja origem histórica pode ser remontada a 3.000 anos, também conhecida como idish kait, talvez precisaria e devesse explicitar meu conflito de interesse ao enunciar o que estou por enunciar. Isso não significa que não me pergunte se tudo poderia ter sido conduzido de uma outra forma em relação ao atual conflito em Gaza. No entanto, votei pela dispensa de formalidade para explicitar o tal conflito de interesse, considerando o que, com raríssimas exceções, tem  sido observado na conduta da mídia mundial.

Mais precisamente depois do 07 de outubro.

Hoje parece haver uma central única de jornalismo, particularmente quando se trata do assuntos relacionados a Israel e os seus habitantes atuais e futuros. Esta rede de comunicação vem desprezando um paradigma elementar: o da autocrítica. Boa parte da imprensa vem escolhendo suas manchetes e testeiras esquecendo de um detalhe fundamental. Uma prerrogativa que antes parecia consensual entre os veículos de informação confiáveis: trazer para seus leitores e telespectadores uma concepção de verdade razoavelmente aproximada aos fatos. Isso significa  buscar aprofundar o aspecto crítico e analítico em detrimento do viés ideológico e sensacionalista.

Pois bem, recentemente o supremo Aiatolá da Pérsia, atual Irã, fez uma declaração publicada em  um post nas redes sociais em 31 de maio — sim ele tem uma conta preservada no X.  Ali ele pode escrever o que bem entende, ainda que haja bem mais do que uma objeção ética ao seu discurso que frequentemente instiga o ódio, a violência e conclame extermínio de um povo.  Nesta publicação o chefe da teocracia agradeceu os estudantes e colaboradores dos EUA que fizeram mobs e acampamentos conclamando intolerância e violência antissemitas nos campi universitários. Os pacifistas do porrete fizeram vigílias entoando slogans clamando pelo extermínio dos judeus e de eventuais “infleis” de outras orientações políticas e religiosas.

Em seu comunicado Khamenei os elogiou ‘por estarem do lado certo da história’.

Proponho um teste de hipótese: será este de fato o lado certo da história?

Ainda não fiz uma análise minuciosa de como a imprensa mundial se comportou no inicio da ascensão dos nazistas na Europa nos anos 1930, mas suspeito que agora um erro muito semelhante esteja sendo cometido. Um erro que pode se tornar criminoso se insuflar, ao velho modo dos libelos de sangue, as massas contra comunidades e minorias. E isso já está ocorrendo. Do anúncio mentiroso e desinformador de que houve um ataque com um míssil contra um hospital em Gaza (BBC, CNN, Agencia Brasil, O Globo 17/10) aos números de vítimas civis fornecidos pelos mesmos extremistas fanáticos que voluntariamente não apenas massacram covardemente civis, mas especialmente usam sua própria gente como bucha de canhão. Hoje as investigações mostraram que o ataque foi resultado da falha de um míssil disparado por proxys iranianos, a  Jihad Islâmica. Foi este artefato que atingiu o estacionamento do hospital El Shifa. Esta pequena desinformação instrumentalizada custou tanto o cancelamento  de rodadas importantes de negociação de paz como mobs de linchadores dispostos a dar cabo de tripulantes de um avião da El Al no Daguestão, Rússia. Mais recentemente depois de notícias que inflacionaram o número de vítimas civis, judeus hospedados em hotéis na Grécia foram perseguidos e quase linchados. Uma sequência de eventos que estariam cronologicamente melhor alinhados com os éditos medievais europeus ou com a inquisição espanhola.

Bem, toda essa avalanche de desinformação potencialmente produtora de tragédias contra inocentes não parece ter provocado escárnio mundial, indignação de governos ou textos e editoriais condenando o regime da guarda revolucionária, uma conhecida e sanguinária tirania de inspiração totalitária.

A ONU, sob a tutela de Guterres, que abusa de seus critérios parciais, por exemplo, parece endossar a aberração do libelo teocrático.

Então me permito perguntar: que o regime que patrocina os inimigos da humanidade em pelo menos quatro países – Iraque, Síria, Yemen, Libano — e subsidia grupos que desejam desestabilizar o governo em outros países, como por exemplo na Jordânia. Se as mulheres sofrem repressão com penas variáveis que incluem  chibatadas, humilhações, torturas públicas  e espancamento. Se os adversários políticos, particularmente os partidos seculares e do campo da esquerda estão presos e sāo frequentemente torturados e mortos. Se os partidos são controlados por uma agremiação de inspiração teológica que determina quem pode ou não concorrer aos pleitos, portanto muito distante de um estado democrático de direito. Se o presidente morto recentemente em um acidente de helicóptero era mais conhecido como “o açougueiro de Teerã” Se todos estes elementos acima são exemplos, e para muitos constituem o lado certo da história, fica a duvida se afinal o lado incerto seria uma escolha tao equivocada.

Um último exemplo acaba de acontecer quando as forças de defesa de Israel resgataram 4 reféns que estavam sendo mantidos há 245 dias em cativeiro por um fotojornalista e seu pai, um médico. Ambos membros da organização que praticou a chacina em 07 de outubro. Notem que a modalidade jornalista-sequestrador mostra como recentemente as profissões se tornaram ecléticas. A maioria dos telejornais do mundo deram o furo da seguinte maneira: reféns liberados.

O uso de uma palavra no lugar da palavra que deveria ser a mais adequada muda totalmente o contexto, e, portanto, a interpretação. Neste episódio o mais importante é constatar que a filosofia da desinformação está na linguagem dos enganos bem estudados das mídias: a palavra seria resgate, não libertação.

Mais um motivo para fazer um contraponto: o elogio do incerto.

https://odia.ig.com.br/opiniao/2024/06/6861923-paulo-rosenbaum-o-lado-incerto-da-historia.html

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O circuito, ou, quem tem medo do ódio? (Jornal O Dia, versão impressa e digital)

13 quinta-feira jun 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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https://odia.ig.com.br/opiniao/2024/05/6837408-o-circuito-ou-quem-tem-medo-do-odio.html

O Circuito, ou, quem tem medo do ódio?

“A tolerância é um crime quando aplicada ao mal”

Thomas Mann

Recentemente pesquisadores fizeram um esboço da fisiologia do sentimento de ódio que apresentou padrões distintos de outros sentimentos como medo, ameaça e perigo. Nomearam-no como “circuito do ódio”, um sentimento que invade o sistema límbico, particularmente verificáveis nas estruturas do córtex e no subcortex, particularmente no putamen e na insula, antes que o sujeito possa ter qualquer controle sobre as próprias ações e palavras. A percepção estimula uma reatividade que tenta prever as ações alheias antecipando um eventual confronto.

O ex-premiê britânico do UK, Gordon Brown, concedeu uma entrevista na qual abordou os efeitos indesejáveis da globalização. Apenas esqueceu de um tópico que entretanto talvez seja o principal.  

Estamos falando do ódio globalizado. A palavra grega échthra, cujo significado é ódio, ainda permanece sub explorada. Em uma acepção analógica ela possui um sentido muito mais sofisticado do que detestar. Significa também creditur de ódio, vale dizer, aqueles que são crédulos no rancor.

Parece estranho, mas assim como há os que cultuam a trascendência do amor e a afetividade,  há aqueles que estão no outro espectro: vibram, tem fé e apostam coletivamente na violência e na destruição do outro como leitmotiv. Trata-se, portanto, de uma seita escatológica.

Sua credulidade pode aparecer através de haters ocultos atrás de máscaras, capuz, turbantes, e digitalmente sob Ips ocultos. A despeito dessa grande variedade de racismos e racistas, todos seguem o mesmo ritual: estão mobilizados por um impulso irracional, um instinto de ressentimento irrestrito. E, desafortundamente, a internet com a sua exigência de performance imediata e respostas semi automáticas protegidas pelo anonimato virtual trabalha a favor da credulidade no rancor.

A prova disso são os coros cujas vozes individuais desconhecem quase tudo o que propagam. Onde ninguém sabe explicar bem o que é que se defende durante uma marcha e nem porque atacam a quem atacam.

Nas entrevistas dos grupos que exalaram seu apoio aos grupos terroristas e ressuscitaram os libelos do arquiterrorista que organizou o 11 de setembro verificou-se um elo comum: ambos exaltam, do alto de sua ignorância histórica e geográfica, um ódio subjetivo e genérico dirigido contra o establishment.

Ninguém pode achar que o establishment é uma espécie de paraíso inspirado na bondade e em valores altruístas, mas entre os operadores do ressentimento não há espaço para análise. O que prevalece é uma estupidez cósmica. Na legião acritica encontram-se adoradores de influencers, jornalistas e docentes que professam o radicalismo como pauta, muitos deles financiados por jihadistas de Estado dentro e fora dos ambientes universitários.

Parece paradoxal que um Estado financie grupos que promovem e oferecem apoio ações indiscriminadas contra as pessoas? Pois é mesmo paradoxal, já que não há garantia alguma de que um dia toda esse sublevação financiada não se volte contra o patrocinador.

Inspirados ora na aversão ao ocidente, ora numa tirania populista, a sociedade que os adeptos da radicalização desejam só pode ser a que eles mesmos ditam. Por isso, em todas as eras o fanatismo tem sido um fator de instabilidade geopolitico, especialmente quando bem manipulada por regimes poderosos.

É preciso compreender com clareza: não se trata de uma luta a favor de uma causa, mas de uma insana bagagem de ressentimento, complexo de inferioridade, desejo de poder e dogmatismo político. E ele vem de todos os espectros políticos, afinal o ódio precisa ser racionalizado. O medo vem depois, e é sempre reativo.

No caso atual da resposta que Israel tem dado aos massacres organizado pelo exército terrorista do Hamas, uma cadeia de distorções invadiu a linguagem. Falam de “revide”, “retaliação” e outros refrões inadequados para descrever a ação de Israel saindo das cordas. Mas se consideramos as circunstâncias trata-se de defesa e prevenção. Qual país não faria o mesmo quando atacado por proxys em 3 fronts, financiados por Repúblicas não democráticas e sem nenhum controle social? 

A perversão da linguagem vem inchando o alfabeto com slogans, durante meses calunia-se livremente o estado hebreu com uma intenção genocidária que nunca existiu. O refrão durou até exitosamente grudar na fala coletiva. A tática é manjada, acuse-os de seu principal leitmotiv, até que as massas comprem a ideia no mercado central de valores corrompidos.

A inadmissível verdade é que, na raiz, são todos movimentos contra os judeus, chamemo-los de antijudaicos ou judeofóbicos, uma vez que a palavra antissemita vem se mostrando insuficiente para traduzir a especificidade do ódio. O ódio foi finalmente globalizado pela mass media, e sem os contrapesos adequados que deveriam proteger as garantias individuais.

A fisiologia do ódio é necessariamente ao mesmo tempo simplista e reducionista: é preciso impedir o bem-estar. Para os crédulos no ódio é necessário eliminar a paz através de todos os meios disponíveis para que as guerras pessoais prevaleçam contra a construção de uma sociedade realmente fraterna ou menos bélica. Obviamente essas prerrogativas nada tem de progressistas. Quem é contra os acordos de Abrão? Contra as inúmeras iniciativas — pelo menos cinco — todas recusadas pelos representantes da Autoridade Palestina? Quais das manadas que tem desfilado pelo mundo declararam ser a favor de soluções negociadas? Aqueles que expressam sua linguagem hostil nada apresentam de solidariedade a povo algum.

Todos sabemos muito bem quem são os antagonistas contumazes dos planos de paz. Eis o cúmulo da atitude paradoxal: jihadistas e seu conservadorismo primitivo, o ideário neonazista e a extrema esquerda estão todos juntos comungando dos mesmos propósitos e métodos.

A anacrônica aversão ideológica aos EUA é o que provisoriamente os une. Isso até pode até ter alguma durabilidade, mas só até que o reino das contradições torne-se insustentável. O que sabemos é que, historicamente os malignos consensos antijudaicos costumam terminar em banquetes autofágicos.

A internet e a darkweb deram consideráveis contribuições para a chamada vetorialização do ódio e sob a premissa da liberdade de expressão as plataformas não inibem posts que caluniam, difamam, pregam eliminacão de pessoas, destruição de estados etc.

Os governantes também não estão sendo muito prestativos quando é o caso de ser exemplos contra os discursos de ódio. Tampouco as instituições estão aparelhadas à altura para conter as sucessivas ondas de bulliyngs e conclamações violentas.

“Free speech not free Spit” ou “Liberdade de expressão, não de saliva” deveria ser um dos slogans de campanhas para coibir a pandemia.

Resta saber, o que faremos a respeito? A inércia e a neutralidade não são mais opções. Ou são, e neste caso, teremos que assumir as consequências dessa decisão. É perigoso  insistir na mesma técnica que tem falhado para conter o discurso de ódio. Censura, fact-check, cartazes pedindo para interromper tampouco parecem ter mostrado eficácia.

Deveríamos admitir que talvez ainda não haja uma terapeutica politico-tecnológica eficiente e capaz de prevenir novas tragédias, uma vez que a incitação violenta necessariamente estimulará algum desastre.

Mesmo que o conceito de verdade tenha sido posto em cheque, isso não signifique que ele inexista. Poderíamos começar valorizando a informação de qualidade e expondo a desinformação. Pelo menos eria um sinal de que detectamos o perigo e estamos agindo.

Enfim, o objetivo final da seita do ódio unificado é nos tornar parte dela, ainda que à nossa revelia. Desejam que odiemos com perfeição, que o rancor e o ressentimento sejam impecáveis, que possamos abominar tudo e todos de uma forma tão vil e implacável quanto a que eles pregam. Em síntese, desejam nos eletrocutar expandindo o cícuito.

Basta recusar aceitar o jogo idólatra e adotar o conceito de John Locke “não devem ser tolerados aqueles que adotam doutrinas incompatíveis com as regras da Sociedade Civil”.

Em uma ocasião perguntaram para o prêmio nobel da paz Elie Wiesel o que ele aprendeu depois de passar pelo experiência do holocausto.

Wiesel respondeu:

“—Lute contra o mal imediatamente. Não espere, não tente se convencer de que vai ficar melhor”. [1]

O que estamos esperando?


[1] Kurzweill, A. On the road with rabbi Steinsaltz. Bem Yehuda Pressa, New Jersey, 2021, pág. 58

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Consternações difusas (Blog Estadão)

03 segunda-feira jun 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Consternações difusas

Paulo Rosenbaum

Dedicado ao dia que começa pela noite: o levante do Gueto de Varsóvia

Meu avô nasceu na Polônia e morava em Varsóvia na rua de Mila com a New Olipik, lugar onde se iniciou uma das revoltas mais significativas contra o exército nazista. Durou 3 semanas, 2 semanas a mais do que a resistência dos franceses à invasão da Alemanha.  Nachmann Wolf conseguiu sair alguns anos antes fugindo do clima anti-judaico da Europa, e nunca mais teve notícias de seus 5 irmãos, pai, mãe e demais familiares. Como tantos sobreviventes, preferiu emudecer em relação aos seus sentimentos. Provavelmente sua memória funcionava de modo seletivo, uma das maneiras para contornar o gatilho traumático do extermínio que vivenciou. Como Wolf faleceu quando eu era adolescente, nunca pude explorar bem tudo o que ele teria para nos contar.

Apesar da genial definição de Isaiah Berlin de que o judeu é alguém com senso histórico, isso não significa que saibamos introjetar afetivamente essa realidade. Por isso escrevo consternado, para buscar alguma auto-compreensão – afinal por qual outro motivo além deste os escritores escrevem?

Meu manifesto se resume a uma consternação difusa. Ando consternado com os consensos malignos que foram sendo configurados pelo mundo. Por interesses de nações inteiras. Violenta e injustificadamente. Rápida e insidiosamente. Por maiorias moralmente entorpecidas por ideologias ambíguas e confusas. Nem Wilhelm Reich poderia imaginar – mesmo entendendo muito bem os fundamentos do nazismo e do fascismo — que o fascismo vermelho iria tão longe quando se trata de demonização dos judeus. Sempre com o padrão ético duvidoso de uma indignação seletiva quando se trata de analisar a autodefesa de um povo permanentemente incompreendido pela história.

Também me pergunto até onde seria aceitável a legitima defesa e quais os seus limites. Mas a duvida instantaneamente se clarifica. Basta contemplar o volume de gente que se manifestou pelas ruas londrinas e norte americanas endossando explicitamente os atos dos inimigos da humanidade contra as pessoas inocentes no dia 07 de outubro antes mesmo que houvesse uma resposta ao massacre.

Basta observar o número de pessoas, que, no escuro de um estratégico anonimato, torcem pelo êxito do terror. Some-se a eles os que se afirmam neutros, quando a neutralidade é apenas mais um álibi quando o que está em questão é o senso básico de justiça e civilização.

Consternado quando os judeus – e também quem ouse defende-los – são cercados por multidões autoritárias e antidemocráticas dentro de campus universitários para impor sua liberdade de expressão às custas da mordaça alheia. Vale dizer, da permissiva liberdade com que andam impondo o cala-boca aos que discordam. Solidariamente, fico consternado com aqueles que se sentem ameaçados por discordar da arbitrariedade justificacionista. Notem bem que a tirania se aperfeiçoou quando os déspotas aprenderam a usar o “estou eleito” como escudo universal.

Consternado com o absolutismo que se instalou nos recintos que deveriam zelar pela segurança dos cidadãos. Consternado com a ideia de que nas próprias democracias ocidentais a intolerância contra os judeus tem sido naturalizada. Evidentemente nada se poderia esperar das ditaduras com sufrágios cosméticos de partido único quando os candidatos são escolhidos pelos líderes supremos, como é o caso do império dos ayatollas.

Consternado com a postura quase hegemônica nos meios de comunicação nos veículos mundiais de imprensa condenando Israel sem que lhe seja concedido o direito à defesa. O número de exortações e palpites sobre o que a nação hebraica deve ou não fazer supera em muito os técnicos oniscientes no País do futebol.

Consternado pela “naturalização” de um ódio ancestral que agora se fantasia com multiplicidade de nomenclaturas criativas, embora igualmente torpes, ora como antissionismo, ora como anti-israelense

É perturbador quando mobs,  passeatas, semi-linchamentos e apelos explícitos à eliminação de um País inteiro são classificados sob a rubrica “contra Israel” quando todos sabemos qual seria o nome honesto ao qual realmente corresponderia. Evidentemente, a única palavra que não pode ser abertamente assumida é “fazemos isso porque não gostamos de judeus”. E é disso que se trata. Tema que, cogito, se transformou neste momento, no assunto mais relevante do planeta. E a irritação do mundo tem um diagnóstico, e poderia ser resumido: é porque agora os judeus aprenderam a se defender. Isso não significa incorporar a histeria e a paranoia e não reconhecer o apoio que os judeus e Israel tem tido por parte de alguns importantes agentes mundiais.

Afinal consternação não é melancolia, não é desolação, nem clima soturno. Minha consternação é um estado de perplexidade poética que encerra um detalhe, ela já nasceu difusa e ainda não encontrou um eixo que a manteria na rota da objetividade.

Por isso mesmo, apesar das toneladas de motivos, ainda não me ceifou um fio de esperança nesta véspera de Pessach. Se realmente não há mais luz no fim do túnel só restam duas saídas: ele precisa ser demolido ou o sobrevoaremos incólumes.

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/o-livro-dos-porques-sem-respostas/

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/consternacoes-difusas/

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/uma-lagrima-para-hidratar-o-deserto-as-mulheres-sequestradas-tem-algo-a-te-dizer/

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Qual é a duração de uma vela?  

03 segunda-feira jun 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Qual é a duração de uma vela?  

Meu avô, sobrevivente da Shoah, costumava citar uma estrofe, depois repetida pelo meu pai. Ambos afirmavam que o mundo só conheceria a grande paz se e quando uma velha profecia tivesse lugar: “quando todos forem culpados ou todos forem inocentes”. Para além da metáfora, sabemos quão inverossímil soa a hipótese. Mas é fundamental buscar algum sentido nas palavras, mesmo quando elas soam estranhas ou aparentam ser um conjunto de argumentos nonsense.

O significado está possivelmente em aceitar a imperfeição. Em saber que temos que agir num mundo defectivo que estará sempre inacabado. Significa atuar hoje, no presente, como a única possibilidade empírica de interferir na realidade. Para tanto, é preciso aceitar que a luta mais árdua é contra o mundo das idealizações. Parece um contrassenso, mas pensem bem. A expectativa da perfeição é irreal.  Um planeta impecável é, na linguagem dos hindus, o grande maia. Uma ilusão. E a ilusão pode significar doença e sofrimento mental. A moléstia costuma ludibriar a percepção humana com a promessa de que somente a perfeição é aceitável. Mas estamos muito longe de qualquer perspectiva de viver em um mundo idílico. Ainda hoje aprendi com um grande amigo português judeu-cristão, o NV, que precisamos do desafio e que a oscilação precisa ser compreendida como um êxito.

Por isso mesmo talvez tenhamos sido pedagogicamente expulsos pelo Altíssimo da inércia de um jardim paradisíaco. Um terreno onde mais nada precisava ser feito. Foi preciso aprender a viver do que é perecível. Em meio às oscilações e incertezas. Não, isso não é perder a esperança. É redimensioná-la. Isto é, até atingir a grande paz, teremos que conviver e aceitar pequenas tréguas, armistícios oscilantes, pacificações parciais, avanços mínimos, justiça em solavancos, além de assimetrias e fragmentos de bem-estar em meio a um mar de desconforto.

Isso dito, hoje deveria ser um dia especial, uma infindável vela acesa pelo Yom Ha Shoah, (o dia das vítimas do holocausto) para lembrar os 6.250 milhões de judeus assassinados pelo regime nazista (250 mil após a derrota oficial do III Reich), mas eis que a lembrança do holocausto foi obnubilada pelos sufocantes novos momentos de perseguição e ataques contra os judeus dentro e fora do Oriente Médio.

Dos campi universitários em New York às multidões londrinas cantando com naturalidade slogans de extermínio. Gente comum ostentando símbolos abertamente favoráveis aos grupos jihadistas, organizações que sabidamente pregam o extermínio. Não é exatamente neonazismo, ainda que a intolerância e o racismo rivalizem com o partido que nasceu de rufiões bêbados nos bares de Munique.

Há muitas evidências de que tais multidões não nasceram “orgânicas”. Fazem parte de um movimento global, generalizado, orquestrado e financiados por Estados e organizações ricas. Só isso já revelaria uma rotunda falência do propósito acadêmico de desenvolvimento da capacidade de interlocução e equidade. Mas além disso há um agravante, tudo ocorre sob o pano de fundo da disputa pelo poder entre as grandes potências. É uma reinação mascarada com nova plumagem para um vício recorrente. O que prova a paupérrima criatividade dos homens. Testemunhamos o renascimento de uma novíssima onda de intolerância, onde a nação judaica, mais uma vez, é eleita para ser falsa e escandalosamente culpabilizada pelos males do mundo.

A esperança para os judeus talvez esteja num longínquo despertar dos outros povos para um outro tipo de consciência. Alteridade que ainda não apareceu. Sabemos que será um despertar parcial, em doses minúsculas. Com sorte, teremos aproximações sucessivas. Até que os consensos do mundo não sejam forjados pela adulteração grosseira das ideias. E que aqueles que apostam na intolerância sejam derrotados por suas próprias contradições. Ainda assim, nunca haverá uma resolução completa.

Já chegamos a conclusão de que a função pedagógica das guerras é limitada. Prevenimos os motivos que as desencadeiam? Como evitar o desperdício de vidas inocentes?  E separar aqueles que usam tais vidas para exaltar suas agendas daqueles que tem obrigação moral de se defender dos massacres de rotina?

A verdade é que o conceito de legitima defesa parece ter pouca aplicabilidade quando se trata de Israel. Mas, e aí esta um dos problemas, a legitima defesa não serve apenas para interromper o agressor, mas é fundamental impedir a recorrência da agressão. Eis um princípio universal do direito que, assim como as medidas antirracistas, tem sido apenas seletivamente aplicada em relação aos judeus e ao seu único Estado. Ainda que não haja nada pleno, ab ovo usque ad mala, da cabeça aos pés, de alto a baixo, de um extremo a outro, é essencial frisar que Israel sabe de suas imperfeições. Aceita-as exatamente por compreender a natureza imperfeita do mundo. Os slogans “nunca mais” e o recente “nunca mais é agora” deveriam ser substituídos por “nem ousem tentar novamente”. Não se trata de uma ameaça. É apenas um grito coletivo de almas que entenderam que basta.

O que nem Israel nem os judeus do mundo estão dispostos a aceitar doravante é o retorno de um gênero de tratamento que há oito décadas foi conduzido com uma semi perfeição maligna, pavimentando a extinção de metade da população judaica do mundo.

E é isso que deve ser perfeitamente compreendido pelo mundo. Qualquer tentativa de repetir o malfeito será imperfeitamente rechaçada. Em tempo, a duração de uma vela equivale ao tempo de uma lágrima atravessar a memória.

Não ousem, porque jamais esqueceremos.

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Leia também:

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/carta-aberta-a-sra-minouche-shafik-abaixo-assinado/

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/consternacoes-difusas/

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76 ANOS: de @Moisés para @HerzlTheodor

03 segunda-feira jun 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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76 ANOS: de @Moisés para @HerzlTheodor

CLARÕES E LUZES DE COR AZUL-LILÁS BAIXAM ABRUPTAMENTE DO CÉU

Moisés é avistado numa carruagem que pousa suavemente na nuvem 18

— O que? Não Acredito! Querido. Mestre. Quanta honra.

— Fala aí chegado.

–Cheguei faz um tempo, e falaram sempre que você era figurinha carimbada, mas que nunca está no pedaço. Você fica bem lá no alto, né?  De Moshe a Moshe nunca houve alguém como…

— Tá, tá, Theodor, não vamos exagerar, uma das vantagens aqui é que ninguém precisa puxar o saco, — Moisés puxa Herzl para perto pela gola — mas sabe como é, sempre tem um mané que esqueceu que aqui não tem carne.

–Churrasco, nunca rola?

–Falta brasa.

— A que devo a honra da sua visita na minha modesta nuvem?

— Estava vagando por aí, mas hoje me sacudiram em plena escuridão cósmica. Quem te acorda de madruga e te manda descer sem te dar tempo para saborear a gemada do dia?

— O que houve Moshe? Tua cara tá meio amarrada!

— Você é que parece espantado, e só chegou faz o que? Uns150 anos? Amigo, eu estou de plantão há 3.000 anos, você está ligado na muvuca lá embaixo?

–O Zoilo lá do Sul?

— Um desmiolado, mas nein!

— Os aiatolás radioativos?

— Também nein.

— Já sei, é o pessoal lá de Columbia? A tal baronesa Shafik?

–Café pequeno!

–Foi bom lembrar, você aceita um?

–Aqui nada de estimulantes, só orgânicos.

— Perdão, é que mocosei uma garrafinha de vodka.

— Falo das pataquadas dos caras da ONU, que furada cara. Como pode?

— Pois é, tá tudo dominado.

–Vamos ao que interessa Theo. Ouça bem aí, estamos documentando cada fala, cada slogan contra nós, cada fake acobertada, agora mesmo convocamos e estamos gravando com Spielberg um documentário para o streaming. Registramos cada barbaridade que tú nem faz ideia. Coisas que não se ouvia desde 1939.

–Achávamos que o mundo estava vacinado.

–Amos Oz, aquele da nuvem número 36.

ESTRONDO VIOLENTO

— Ok Já sei – Moisés fala constrangido — Altíssimo: eu sei, eu sei, nuvem é sigilo. Continuando, como escreveu Oz, o holocausto foi uma vacina contra o ódio aos judeus, mas o efeito imunizante, infelizmente, está passando.

—Mas e a tal da memória imunológica?

–Não vale para a história. O que vemos hoje é uma nova epidemia de demência e irracionalidade. Voltando ao ponto, eu estou calejado, mas vim te ver aqui exatamente por isso.

— Eu dei uma espiada daqui. Que coisa absurda Moshe, e agora a coisa está pegando até no novo continente.

— Estamos monitorando bem de perto, Yale, Harvard, turbas nas ruas da Europa financiados por bilionários, o apreço à barbárie virou moda, hit até para os bacanas em Manhatam, estão zoando com a palavra enquanto comem bagel torrado. Há um grande vazio e o você sabe muito bem qual é o bode expiatório que sempre funciona!

— Nosotros!

— Bingo!

— Tem jogo aqui?

— Só botcha no domingo. Noé e Abraão faturam todas. Agora direto ao ponto querido Herzl, a moçada hamazista encanou com a tua palavra.

–Qual palavra?

— Uai, aquela você inventou, sionismo.

–Ah essa?

— Ué, véio, baixei aqui por isso.

–Bem que desconfiei, tua nuvem é a aquela ali, não?

–Tem coisas que nunca revelamos aqui, nuvem é igual sigilo bancário

RISOS ABAFADOS

— Por que a risadinha?

— Esse negócio de sigilo está fora de moda, quero dizer para os mortais comuns que colocam tudo na net.

– Jura? Mas aqui o lugar de cada um na nuvem é segredo de Estado.

— Uhn.  Mas, a que devo a honra da visita? O Altíssimo te mandou vir falar comigo?

–Queremos entender melhor o que está rolando, mas cá entre nós sabemos que a implicância com o teu neologismo de retorno para Sion é pura fachada. O problema é o mesmo, isso tudo é cortina de fumaça.

— Moshe, esses racistas fanáticos não têm noção? Nos expulsaram de todos os lugares da terra e agora querem o único lugar que restou para os judeus?

— NÃO, NÃO, no fundo eles e a torcida do Corinthians sabem, a terra nunca foi a questão. Mais uma vez estão implicando com a gente.

HERZL VAI AO DESESPERO

— Mas por quê Criador? Por quê? Por quê?

RELAMPAGOS FUGAZES CORTAM OS CÉUS

— Porque fui o co-autor das algumas regras éticas, códigos morais e preceitos civilizatórios mínimos que o pessoal chamou de religião.

–E os beócios querem nos cancelar?

— Pois é, o que eles não suportam mesmo é que agora temos uma terrinha e um exército que pode nos defender.

–Mais uma vez estão nos acusando dos males do mundo.

— É como a Golda Meir vive por ai dizendo, por que devemos ser o único povo do mundo que os demais se acham no direito de dizer como fazer para se defender?

— Golda? Que mulher. Ela está por aqui?

— Não é para o nosso bico Theo, a nuvem dela fica direto abarrotada com feministas querendo autógrafos.

–Moishe? Feministas? Depois de todo o vexame que elas deram?

— Pois é, na verdade aquelas não eram feministas de verdade, elas sumiram lá de baixo na hora que mais precisavam mostrar a que vieram! Minha mensagem é clara, fui enviado para te avisar: desce lá e fala para os democratas que lá na nuvem dos founding fathers, os pais fundadores da América, especialmente Thomas Jefferson e George Washington não querem nem ouvir falar dessa administração. São democratas, mas eles acham que os caras estão pisando na jaca, estão aqui implorando por gente nova.

–Jaca?

–É, uma dessas frutas tropicais, dá muito no Brasil

–Adoro esse lugar, as vezes fico olhando pela minha câmera tele só manjando a moçada surfando em Copa.

— Sei, sei. Herzl, se liga, é hora se concentrar no problema central.

–Mestre, me diga, como?

–Fala para o pessoal parar de divulgar nas redes desse jeito as mensagens contra nós.

— Como? É preciso denunciar os antissemitas.

–Agora, na nova língua, mudaram de nome, eles se autodenominam antissionistas.

— Como é que eu viro influencer?

— Vou fingir que não ouvi.

— Desculpa, é que parece tão sedutor.

— Seguinte, não fiquem espalhando denuncias com as mensagens de ódio, lembre-se da grande regra do marketing, o meio é a mensagem. Na hora que você coloca a mensagem dos haters como denuncia, você as espalha. Deixe isso com os profissionais.

— Explica ai Mestre!

–Seguinte, o que fica no “das Unterbewusste”; o subconsciente, também conhecido como desconhecido é o circuito do ódio, e a denúncia que realmente importa fica em seguindo plano, sacou?

— Ahãn. Neurolinguística?

— Não, inteligência do mass media.

– Ok

– E ai, prosseguiu Moshe, o tal algoritmo, essa coisa medonha, se espalha e dá a falsa impressão de que eles são a maioria. Capicce?

— Eles não são?

— A minoria ruidosa sempre suprimiu o grosso silencioso da população. A maioria sabe que no caso de Israel a questão é uma luta por sobrevivência. E que dessa vez fio, garanto, vai ser outra história.

— E quanto aos primos, os árabes da região?

— Eles estão percebendo que a única saída são os Acordos. Em qual outro lugar no pedaço há democracia, em qual a liberdade religiosa está constitucionalmente garantida? Fica firme e você vai ver que a coisa vai virar, a parte saudável e a paz justa vão prevalecer.

— Mestre, tu sabes que sou meio secular, mas respeitosamente te pergunto: o Criador está ligado no que está rolando?

ASSOBIOS E TROMBETAS

Moshe olha misericordioso para cima e exclama:

–Não cochila nem um segundo desde 07 de outubro.

— Mas e o futuro, e Israel?

— Fica frio, isso é conosco.

— Estou frio há mais de século, rs

SILENCIO CELESTIAL

— Moshe, no fim você não me deu a resposta!

— Fio, aqui também temos mais perguntas do que respostas.

–Até ai? Céus. Então o que devemos fazer?

–Aprendi duas máximas: Na dúvida, refletir bem antes de reagir, ai está nossa liberdade. E meditar na máxima do nosso querido Hillel: cuidar do outro como cuidamos de nós mesmos.

— Hoje temos uma nação!

–Não é bem só uma nação, é uma cultura acomodada em um Estado.

— Feliz Dia da Independência de Israel Moshe Rabeinu.

— E foi graças a ti também: 76 anos. Apareça para o chá de romã das 5.

— Vou sim e levo uma lembrancinha, uma plaquinha que fiz aqui na minha impressora 3D

ESTAMOS AQUI HÁ 6.000 ANOS, VAMOS CONTINUAR, GRATO.

_______________________________________________________

Leia também

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/carta-aberta-a-sra-minouche-shafik-abaixo-assinado/

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/uma-lagrima-para-hidratar-o-deserto-as-mulheres-sequestradas-tem-algo-a-te-dizer/

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/de-oswaldoaranha-para-presidencia-planalto-gov-mesonychoteuthis/

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O livro dos porquês sem resposta. (Blog Estadão)

03 segunda-feira jun 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O livro dos porquês sem resposta.

ou

Está tudo aqui. 

Por que o atual governo do Brasil votou contra a emenda apresentada à Organização Mundial de Saúde que pedia a libertação dos reféns sequestrados?  Por que notícias distorcidas adquiriram mais relevância do que as versões próximas à realidade? Por que a noção de verdade tornou-se um tabu? Por que o esperançoso multilateralismo tornou-se um retrógrado multisectarismo?

Por que a importação de eleitores pode corroer as democracias? Por que as Universidades tem abandonado seu papel analítico e têm se tornado bastiões de intolerância e extremismo? Por que os radicais merecem a paciência,  a compreensão e o excesso de civilidade às custas de sociedades acuadas? Por que a segurança pública encontra-se em processo de extinção? Por que a interpretação da constituição precisa de hermenêuticas extravagantes e repletas de idiossincrasias? Por que as instituições foram instrumentalizadas e estão perdendo sua função original para obstar regimes tirânicos e o totalitarismo? Por que as minorias violentas sobrepõe#Pagromm-se às maiorias neutras e inertes? Por que é tão difícil compreender que denunciar o ódio reproduzindo a mensagem dos haters só amplia o publico viciado no ressentimento?

Por que os racistas antissemitas/antissionistas obtém a indulgência de comunidades que auto intitulam-se pacíficas e democráticas? Por que aqueles que julgam — como o juiz Khan que deletou posts prévios anti-Israel — não são obrigados a se declarar impedidos pelo conflito de interesse? Por que Israel deve ser a Nação mais inspecionada, questionada, fiscalizada, sancionada e julgada da face da Terra?  Por que os judeus tem sido a grande constante histórica nas perseguições étnico-religiosas pelo mundo? Por que um Pogrom como o de 07/10 tem sido lenta, mas progressivamente assimilado, banalizado e naturalizado por grande parte da mídia internacional? Por que os sequestrados pelos inimigos da humanidade não obtém o status que lhes corresponderia enquanto são torturados e desumanizados? Por que a Cruz Vermelha cruza os braços quando se trata de visitar os reféns sequestrados pelos hamazistas? Por que os movimentos feministas tem sido seletivos na demonstração de indignação contra a violência sexual contra as mulheres judias? Por que a presidente da Universidade Columbia e outras autoridades acadêmicas omissas durante os tumultos e perseguição contra judeus, continuam em seus cargos? Por que os intelectuais chapa branca, disfarçam suas objeções antissemitas com slogans antissionistas?

Por que não há pente fino para analisar o financiamento de grupos violentos? Por que o Poder vem se mostrando indulgente e leniente com as organizações criminosas? Por que a humanidade elege déspotas, populistas e ditadores para depois dedicar-se décadas para destitui-los? Por que os candidatos eleitos podem trair livremente o programa que os elegeu? Por que os fanáticos berram? E por que acabam  levando no grito? Por que o centro não interessa aos radicais? Por que a emancipação intelectual é uma raridade? Por que as pautas subjetivas estão cada vez mais desvalorizadas? Por que precisamos viver em função da moda?

Por que o materialismo tem sido cada vez mais hegemônico? Por que os sonhos são eclipsados pelo princípio da realidade? Por que na saúde o cuidado e a prevenção não são tão valorizados quanto os procedimentos?  Por que as duas grandes seitas escatológicas contemporâneas são o antiamericanismo e o antissionismo?  Por que a liberdade pessoal passou a ser uma exceção?

Por que  enfrentamos tantos obstáculos para alcançar o status de sujeitos da própria história? Por que a política deixou de ser a formulação consensual do bem comum? Por que a auto transcendência não é um atributo natural das pessoas? Por que, como queria Jonathan Sacks,  nossas perspectivas estão limitadas por nossas expectativas? Por que a busca espiritual tornou-se exceção? Por que a Meditação é menos importante do que os afazeres diários? Por que a natureza tem sido subjugada e torturada? Por que as vitimas tem perdido os direitos para os perpetradores? Por que sucumbimos às pressões do consumo? Por que os governos podem amordaçar o direito à livre expressão?

Por que rejeitamos o inusitado, o místico e o inapreensível? Por que doa parte dos auto proclamados bem pensantes costumam estar do lado equivocado da história?  Por que nos calamos diante do arbítrio? Por que os abismos nos observam? Por que não estamos fazendo nada, ou quase nada, quando deveríamos estar todos atentos e perplexos? Por que nos limitamos a observar enquanto a anomia se espalha? Por que e quando deixamos de nos importar? Por que não sabemos mais perguntar? Por que escolhemos a resignação quando ainda poderíamos reafirmar nossa discordância? Por que nos dispersamos tanto? Por que temos a sensação de abandono? Por que, apesar de tudo, guardamos esperança?

Por quê?

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A lágrima que hidrata o deserto: as mulheres sequestradas tem algo a te dizer (blog Estadão)

26 terça-feira mar 2024

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/uma-lagrima-para-hidratar-o-deserto-as-mulheres-sequestradas-tem-algo-a-te-dizer

Paulo Rosenbaum    

A lágrima que hidrata o deserto: as mulheres sequestradas tem algo a te dizer

Vocês esqueceram que ainda existem sequestrados que são reféns na faixa? O que é isso? Amnésia seletiva? Não se preocupe. Nós estamos aqui como âncoras da tua memória parcial. E quanto às mulheres judias sequestradas pelos inimigos da humanidade? Sim, elas estão agora em Gaza há quase 200 dias pensando sabe em quem? Em você. Tudo que elas desejam é voltar para suas famílias, e sabem que esse é o único e incontornável caminho para algo parecido com shalom!

Não, não é cessar fogo, me refiro à Paz, um conceito cujo significado verdadeiro é desconhecido. Você já demonstrou várias vezes que não captou o significado, e tem sorte, porque hoje me descobri com uma paciência didática.

Sim, elas tem você em mente. Exatamente você que pede neutralidade e faz objeções ao direito de legítima defesa quando o inacreditável está acontecendo com elas bem na sua frente. Achas mesmo que você não tem qualquer obrigação moral com elas? Compromisso ético? Por que tua fé é outra? Por que tua ideologia pensa de outro modo? Ou, talvez, você tenha um outro sistema de orientação identitária? Acha que um País não tem a obrigação de tentar recuperar seus cidadãos de uma quadrilha assassina? De derrotar os facínoras que promoveram o segundo maior ataque terrorista da história contemporânea?

Sabe o que cada uma destas mulheres sente a seu respeito?

Na verdade, neste momento elas não podem pensar, estão ocupadas demais recolhendo os destroços nos quais seus corpos foram transformados. Não precisa acreditar em mim: apesar do atraso inédito a amostra está exposta de forma clara no recente relatório que a ONU produziu: a natureza dos crimes sexuais cometidos pelos terroristas jihadistas do Hamas.  Consultem antes de embarcar na reino das falsificações. Natureza que uns poucos jornalistas, acadêmicos e políticos tiveram a coragem de chamar pela nome correto, enquanto outros tiveram a ousadia de classificar como “resistência armada”.  Não se envergonham de dizer, escrever, e publicar asneiras? Mas e tu? Acreditas mesmo nisso? Ouvem os briefings dos porta-vozes do terror?  Por favor, consulte a campanha #nadajustifica e saberás a verdadeira dimensão dos ataques sexuais contra mulheres e meninas. E caso persistas em seu dilema moralmente bizarro, evocando os habituais “mas”e “poréns”, seu nome será grafado, agora e no futuro, em uma pedra fria qualquer para depois ser apagado para sempre junto com o grande painel dos covardes.

Mesmo acreditando que no subtexto de toda ideologia e alinhamento autoritário há uma cegueira, neste caso, diante de todas as provas que você insiste em ignorar, há algo muito mais nocivo. Não apenas porque sua cegueira mostra indícios de premeditação, mas, principalmente, pela seletividade com que você simula indignação. Você escolheu sacrificar qualquer valor moral, como por exemplo condenar estupros e assassinatos, para aderir a uma ideologia efêmera qualquer.

Pode levar um tempo, mas Isso não passará em vão. Sabes por que? Não sou eu que marcarei seu nome e dos seus cúmplices. Quem os anotará serão as vítimas, sobreviventes ou não. Elas, assim como os cadáveres desconhecidos amordaçados não erguem monumentos, não podem escrever, mas tem a história a seu favor. Sabem como erradicar o sorriso cínico da boca dos escarnecedores. Está soando dramático para ti? Pois tú, antissemita disfarçado de antissionista, nem imagina a surpresa que vamos preparar.

Sabemos todos que o acontece no Oriente Médio tem a marca de digitais estranhas, os dedos dos ayatollas, interesses não explicitados das outras potências com nostalgia de grandeza, manipulação da psicologia sobre massas ignorantes. Este conjunto de sinais enlouquecem os papiloscopistas, pois as pegadas dos mandantes estão por toda parte sem que se possa identifica-los.

Por um momento esqueça o grande cenário e concentre-se apenas no microcosmos.

A natureza brutal dos ataques contra mulheres não foi fortuita. Não foi porque sim. Ela tem uma raiz nao apenas misógina, mas está também crença jihadista de que o feminino serve exclusivamente a um propósito objetal. Para os mártires de coisa nenhuma, as mulheres são seres semi animados que devem servir exclusivamente aos propósitos concupiscentes dos machos: reprodução, prazer, submissão e seu complemento covarde, tortura.

Era o que o durante décadas o corpus do núcleo duro feminista denunciava. Porém, curiosamente, dessa vez, com bem menos vontade, empenho e velocidade. Como já dito antes, os movimentos feministas e as mulheres se calaram e sumiram. Entretanto, os adeptos do ritual sangrento adicionaram às motivações anteriores um novo ingrediente: a necrofilia. Exatamente isso. Talvez nem mesmo assim você tenha ficado impressionado. Aliás, me parece que você perdeu a capacidade de se sensibilizar com o vil. A origem de tudo que estamos vendo, o massacre do dia 07 de outubro, violar cadáveres e mutila-los fez parte central do cerimonial. Isso tem um significado, a ideia do ódio ao corpo feminino, e ao que ele representa. Difícil acreditar que todos os 1.800 necrófilos tivessem mães castradoras. É mais plausível acreditar que realmente acreditam num mundo de servidão feminina e reificação da tirania masculina. Mesmo assim, você aceitou marchar a favor do sadismo de violadores. Mesmo assim você é entusiasta dos documentários falsos que renegam as evidências do crime.

O jihadismo apresenta em seu programa um supremacismo fálico chauvinista que exige o rebaixamento das mulheres à condição de fragmentos descartáveis. De que outra forma explicar os relatos e comprovações de pedaços de seios cortados arremessados como brinquedos? Ou de facas furiosas dilacerando o aparelho genital de meninas e  bacias fraturadas por sevicias contumazes?

As mulheres que morreram em 07 de outubro – incluindo as jovens compatriotas brasileiras Carla Stelzer Mendes, Bruna Valeanu e Celeste Fischbein, além do garoto Ranani Glazer, que depois de uma nota fria do Itamaraty, foram simplesmente esquecidos e desprezados pelo atual governo brasileiro — perderam a voz. Para ti não parece vergonhoso? Mesmo assim as 19 reféns sequestradas, ainda vivas, e que estão em poder do exército terrorista tem algo a dizer para você. Elas compreendem que você duvida pelo que elas tem passado, o que elas não conseguem entender é como você ainda consegue se manter incólume? Como dorme sem ficar perplexo? Ou, será que você se diverte com as cenas, discretamente, quando sozinho, no quarto escuro?

Dizem que na tradição sânscrita a palavra “karma” é uma especie de inexorável necessário. Não sei se acredito, mas espero que aqueles que ainda defendem ou fornecem álibis às ações ignominiosas dos inimigos da humanidade possam gozar de pesadelos análogos.

As mulheres que seguem sequestradas e tem sido torturadas rogam, chorando, que da tragédia advenha uma terapêutica que possa hidratar tua sinistra indiferença. A umidade, elas argumentam, é uma terapêutica com potencial para fazer renascer em sua alma estéril um pingo de solidariedade.

Somente assim, com uma única gota de lágrima, o deserto sobreviverá com a paz possível.

E, desta vez, você não estará incluído.

Leia também:

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/e-as-mulheres-se-calaram-e-sumiram

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/o-embuste-da-memoria-artificial

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/de-oswaldoaranha-para-presidencia-planalto-gov-mesonychoteuthis

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