• Uma entrevista sobre Verdades e Solos
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” no Jornal da USP
  • A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. Por Regina Igel / University of Maryland, College Park
  • Resenha de “Céu Subterrâneo” por Reuven Faingold (Estadão)
  • Escritor de deserto – Céu Subterrâneo (Estadão)
  • A inconcebível Jerusalém (Estadão)
  • O midrash brasileiro “Céu subterrâneo”[1], o sefer de “A Verdade ao Solo” e o reino das diáforas de “A Pele que nos Divide”.(Blog Estadão)

Paulo Rosenbaum

~ Escritor e Médico Writer and physician

Paulo Rosenbaum

Arquivos do Autor: Paulo Rosenbaum

Carta Aberta ao Mundo Acadêmico (Blog Estadão)

02 quinta-feira nov 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Associação dos Diretores das Universidades de Israel*

1 de novembro de 2023,

Caros colegas,

Nós, os líderes das universidades e instituições de investigação israelitas, escrevemos para expressar profunda preocupação com o discurso emanado da academia após o devastador ataque do Hamas a Israel em 7 de Outubro e a resposta inadequada, em muitos casos, por parte da liderança acadêmica.

Naqueles dias mais sombrios, numa tragédia sem precedentes nos 75 anos de história de Israel, os terroristas do Hamas infiltraram-se no país e assassinaram mais de 1.400 pessoas, incluindo bebés, crianças, estudantes e idosos – judeus, muçulmanos e cristãos. O ataque também incluiu o rapto de 240 civis de todas as idades para Gaza; outras pessoas desaparecidas ainda não foram identificadas e contabilizadas. No rescaldo destes acontecimentos horríveis, consideramos perturbador que certas narrativas de instituições acadêmicas deturpem a situação ou, nos piores casos, visem ativamente israelitas e judeus.

Encontramo-nos perante uma guerra em duas frentes: uma contra as atrocidades do Hamas e outra na arena global da opinião pública. Lamentavelmente, temos notado uma tendência alarmante em que Israel, apesar do seu direito à autodefesa, é erroneamente caracterizado como um opressor. Esta é uma falsa equivalência entre as ações de uma organização terrorista assassina e o direito de um Estado soberano de defender os seus cidadãos, o que infelizmente resulta na perda de vidas palestinas inocentes. Qualquer tentativa de justificar ou equivocar as ações brutais e grotescas do Hamas é intelectual e moralmente indefensável.

É perturbador notar que muitos câmpus universitários se tornaram terreno fértil para sentimentos anti-Israel e antissemitas, em grande parte alimentados por uma compreensão ingénua e tendenciosa do conflito. É irônico que os próprios corredores do iluminismo na América e na Europa, ostensivamente os bastiões do pensamento intelectual e progressista que são os seus campi, tenham adotado o Hamas como a causa célebre enquanto Israel é demonizado. As universidades, como centros de esclarecimento e de discurso racional, devem assumir a responsabilidade pelas opiniões que perpetuam.

Não há equivalência moral aqui. Sejamos claros: o Hamas não partilha valores com nenhuma instituição acadêmica ocidental. O Hamas é uma organização que prometeu repetidamente aniquilar Israel e o seu povo.

A sua ideologia é antitética aos valores da vida humana e aos valores liberais que prezamos. O Hamas canaliza a ajuda internacional para o armamento e não para o bem-estar dos seus cidadãos. Enquanto Israel utiliza as suas armas para proteger os seus cidadãos, o Hamas utiliza os seus cidadãos como escudos para as suas armas – que esconde em hospitais, escolas e mesquitas. É crucial distinguir entre os objetivos terroristas do Hamas e as aspirações legítimas do povo palestino à criação de um Estado. A fusão dos dois serve apenas para alimentar o ódio e a ignorância.

As instituições acadêmicas são faróis na paisagem intelectual e pedimos-lhe que as ilumine. Os vossos papéis como líderes destas instituições conferem-vos uma responsabilidade extraordinária: orientar o desenvolvimento moral e ético dos vossos alunos, imbuí-los da capacidade de pensar criticamente e de discernir as nuances que separam o certo do errado.

A liberdade de expressão é uma pedra angular da liberdade acadêmica, mas não deve ser manipulada para legitimar o discurso de ódio ou para justificar a violência.

Instamos você a delinear os limites entre o discurso construtivo e a propaganda destrutiva e a promover um pensamento matizado e baseado em evidências que desafie narrativas simplistas. Expor a falsidade das justificativas para atos de terror; expor e condenar declarações falsas; e rejeitar vozes hipócritas que justificam assassinato, estupro e destruição em nome da “resistência”.

Além disso, esperamos que os estudantes e professores israelitas e judeus nos campi universitários e universitários recebam o mesmo respeito e proteção que qualquer outra minoria. Os princípios de inclusão e segurança no campus devem ser inequivocamente alargados para incluir membros israelitas e judeus das vossas comunidades acadêmicas. Tal como seria impensável para uma instituição acadêmica alargar as proteções à liberdade de expressão a grupos que visam outras classes protegidas, também as manifestações que apelam à nossa destruição e glorificam a violência contra os judeus devem ser explicitamente proibidas e condenadas.

O que o mundo testemunhou no dia 7 de Outubro não foram métodos para ajudar as pessoas desfavorecidas a construir um futuro melhor para si mesmas. Os acontecimentos deste dia terrível devem ser vistos como um alerta para todos os perigos de organizações niilistas como o Hamas e o ISIS, que representam exatamente o oposto da liberdade e da liberdade.

Como líderes das universidades israelitas, temos sido encorajados por declarações claras de solidariedade e apoio a Israel, que são, no seu cerne, declarações de solidariedade com a humanidade, a iluminação e o progresso. Ao mesmo tempo, apelamos a uma mudança radical na clareza e na verdade no meio académico sobre a questão da guerra de Israel contra o Hamas, para que a luz triunfe sobre as trevas, agora e sempre.

Seguem assinaturas,

Prof. Arie Zaban, Diretor da Universidade Bar-Ilan. Presidente da Associação de Dirigentes Universitários – VERA

Prof. Daniel A. Chamovitz, Diretor da Universidade Ben-Gurion do Negev

Prof. Alon Chen, Diretor do Instituto Weizmann de Ciência

Prof. Asher Cohen, Diretor da Universidade Hebraica de Jerusalém

Prof. Leo Corry, Diretor da Universidade Aberta de Israel

Prof. Ehud Grossman, Diretor da Ariel University

Prof. Ariel Porat, Diretor da Universidade de Tel-Aviv

Prof. Ron Robin, Diretor da Universidade de Haifa

Prof. Uri Sivan, Diretor do Instituto de Tecnologia Technion-Israel

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A ideologia, a pedagogia e o álibi justificacionista            

02 quinta-feira nov 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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A ideologia, a pedagogia e o álibi justificacionista                                

Quando o Sr Guterres emitiu sua célebre e inapropriada frase “não aconteceu no vácuo” seguido do mesmas e manjadas referências justificacionistas ele sabia exatamente o que estava fazendo, e as possíveis consequências de seu ato.

Então, por quê, depois veio a público e numa declaração relâmpago quis, inutilmente, desfazer o mal estar, sabidamente irreversível, que acabara de produzir? 

Precisaríamos aqui entrar obrigatoriamente na psiquê dos mantras ideológicos e suas inconsequências. Aqulilo que um dia já foi chamado de “esquerda” fez grandes esforços para se livrar do impronunciável nome “comunismo” e depois tentou, por decadas, cronologicamente desde as denúncias de Kruschev — sob o horror dos milhões de concidadãos russos exterminados pelo ditador — ressignificar sua postura para se afastar da herança macabra do stalinismo.

A ideia era produzir uma abertura no estilo glasnost que mudasse os rumos da ideologia e a renuncia de todas as tentações totalitárias. Parte do espectro político alinhado com a esquerda passou então a empreender notável energia e pensou ter feito isso ao conquistar o poder seguindo as regras do jogo democrático, sem contudo rever auto criticamente e em profundidade seus dogmas e impregnações mais viscerais, como, por exemplo, sua visão estrutural do “problema judaico”.

Ainda brilhava na mente e na alma dos ressentidos a ideia de centralismo partidário, do Estado absoluto, de substituição radical do regime econômico capitalista, assim como o sentimento antissemita, somente mais recentemente racionalizado como antissionismo.

Ficou evidente que uma ideologia tem sido professada de forma monopsista dentro das salas de aula do mundo. E ela é não apenas hegemônica, mas sustentada pelos velhos e anacrônicos dogmas e refrões.

O inusitado apoio ao exército terrorista do Hamas nas marchas de estudantes violentos em Universidades nos EUA, e a perseguição e pichações nas instituições judaicas, nos leva a acreditar que o sistema pedagógico precisa não apenas ser repensado, mas completamente desconstruído. Quem ouviu os slogans sabe muito bem, entre quatro paredes, que não se trata de solidariedade ao povo palestino. Ali se encontravam os mais veementes e sonoros coros contra judeus desde o início da era nazi. Isso em mais de uma capital, e bem no centro do solo europeu.

Não saberia dizer se existe algum modelo pedagógico pronto para entrar em vigor imediatamente, pois não se trata de substituição, mas de uma mudança na estrutura de atitude existencial, de como se ensina. Gerações de professores doutrinadores precisam dar lugar a educadores que priorizem o ensino acima de suas convicções ideológicas. Que estimulem e enfatizem a criatividade sobre a repetição acritica. A dúvida, sobre as certezas peremptórias. Sem a maiêutica, estímulo à capacidade de se perguntar, e a aceitação da diversidade de interlocutores o resultado será o mesmo: teremos mais conversão do que educação, mais intelectuopolio do que reflexão, mais robotização das massas e menos autonomia intelectual. É assim que pretendem extinguir a polarização que vem se apossando do mundo? Se é, precisamos de um plano B. Somente uma formação dialógica e a indução constante ao pensamento crítico podem mudar o contexto.

O assunto é muito mais amplo, mas o que agora está em primeiro plano são as perturbadoras passeatas a favor dos métodos terroristas e de cantos judeofobicos.

Recentemente o general norte americano David Petraeus, interrompeu e corrigiu o jornalista que o entrevistava explicando que o Hamas nao era uma simples organização terrorista, mas um verdadeiro exército terrorista. Ou seja, o ocidente ainda tem dificuldades em compreender que o Hamas, além dos 229 sequestrados, tem 2.1 milhões de reféns em seu poder.

Trata-se da constatação de que, para pessoas doutrinadas, os valores reais da democracia são, quando muito, apenas seus detalhes cosméticos. O viés contra Israel e sua população, vale dizer o povo judeu, além das estatísticas, é um fato histórico. Sem admitir essa constante um debate intelectualmente honesto torna-se impossível. Esta seria a premissa. E passer a analisar as motivações deste vício antissemita, pois é disto que se trata, são multifatoriais.

Tenho sérias duvidas em atribuir o atavismo racista a um renascimento do nazismo, ainda que organizado sob outra matiz discursiva e de uma forma menos estruturada. Por mais que se assemelhem, pelo mesmo teor racista e perversidade, o escopo jihadista e o clamor apocalíptico cuja finalidade última seria uma teocracia de Aiatolás, torna a comparação repleta de furos.

De tudo isso uma conclusão merece destaque, o ódio antissemita e antissionista é um veneno para o qual não há e nunca houve interesse coletivo em se pesquisar o antidoto. E isso seria de responsabilidade de todas as nações civilizadas do mundo, pois nem sempre as vítimas de chacinas sistematicas podem advogar de forma eficaz em causa própria.

Além disso, os 1400 mortos não podem exercer este direito: foram calados pela covardia dos inimigos da humanidade e de seus costumeiros cúmplices. 

Se em algum momento, por desonestidade ou por um erro de avaliação da conjuntura estar ao lado do povo de Israel for transformado pela maioria — como aconteceu antes de Churchill insurgir-se contra a inércia do mundo — no lado errado da história, sinto que desta vez vou assumir o ostracismo, e quem sabe, resignar-me a mais um exílio.

https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/paulo-rosembaum/2023-11-01/a-ideologia–a-pedagogia-e-o-alibi-justificacionista.html?fbclid=IwAR1WJsfGpGasKnuRsQEq-IKI3nq7JPgdTU-70CSyOy9COQrXi3ihi8qovwA

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Ideology, pedagogy and the justification alibi (published in IG)

01 quarta-feira nov 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Ideology, pedagogy and the justification alibi

When Mr. Guterres issued his famous and inappropriate phrase “it did not happen in a vacuum” followed by the same well-known justification references he knew exactly what he was doing, and the possible consequences of his act.

So, why , then, did he go public and in a lightning-fast declaration want, uselessly, to undo the discomfort, known to be irreversible, that he had just caused?

Here we would necessarily need to enter into the psyche of ideological mantras and their inconsequences. What was once called the “left” made great efforts to get rid of the unpronounceable name “communism” and then tried, for decades , chronologically since Khrushchev’s denunciations — under the horror of the millions of fellow Russian citizens exterminated by the dictator — to re-signify his stance to move away from the macabre legacy of Stalinism.

The idea was to produce a glasnost-style opening that would change the direction of ideology and the renunciation of all totalitarian temptations. Part of the political spectrum aligned with the left then began to exert considerable energy and thought they had done so by conquering power following the rules of the democratic game, without, however, self-critically and in-depth reviewing their most visceral dogmas and impregnations, such as, for example, his structural vision of the “Jewish problem”.

The idea of party centralism, of the absolute State, of radical replacement of the capitalist economic regime, as well as anti-Semitic sentiment, only more recently rationalized as anti-Zionism, still shined in the minds and souls of those resentful.

It became evident that an ideology has been professed in a monopsistic way within the world’s classrooms. And it is not only hegemonic, but supported by old and anachronistic dogmas and refrains.

The unusual support for the Hamas terrorist army in the violent student marches at Universities in the USA, and the persecution and graffiti in Jewish institutions, leads us to believe that the pedagogical system needs not only to be rethought, but completely deconstructed. Anyone who has heard the slogans knows very well, behind closed doors, that it is not about solidarity with the Palestinian people. There were the most vehement and loud choruses against Jews since the beginning of the Nazi era. This is in more than one capital, and right in the center of European soil.

I wouldn’t be able to say if there is any pedagogical model ready to come into force immediately, as it is not a replacement, but a change in the structure of the existential attitude, of how it is taught. Generations of indoctrinating teachers need to give way to educators who prioritize teaching above their ideological convictions. That stimulate and emphasize creativity over uncritical repetition . Doubt, about peremptory certainties. Without maieutics, stimulation of the ability to ask questions, and the acceptance of the diversity of interlocutors, the result will be the same: we will have more conversion than education, more intellectualism than reflection, more robotization of the masses and less intellectual autonomy. Is this how they intend to extinguish the polarization that is taking over the world? If so, we need a plan B. Only dialogic training and constant induction into critical thinking can change the context.

The subject is much broader, but what is now in the foreground are the disturbing marches in favor of terrorist methods and Judeophobic chants .

Recently, North American General David Petraeus interrupted and corrected the journalist who was interviewing him, explaining that Hamas was not a simple terrorist organization, but a true terrorist army. In other words, the West still has difficulty understanding that Hamas, in addition to the 229 kidnapped, has 2.1 million hostages in its possession.

This is the realization that, for indoctrinated people, the real values of democracy are, at best, just its cosmetic details. The bias against Israel and its population, that is to say the Jewish people, in addition to statistics, is a historical fact. Without admitting this constant, an intellectually honest debate becomes impossible. This would be the premise. And start analyzing the motivations of this anti-Semitic addiction, as this is what it is about, they are multifactorial.

I have serious doubts about attributing racist atavism to a revival of Nazism, even if organized under another discursive hue and in a less structured way. As much as they resemble each other, due to the same racist content and perversity, the jihadist scope and the apocalyptic clamor whose ultimate purpose would be an Ayatollah theocracy, makes the comparison full of holes.

From all of this, one conclusion deserves to be highlighted: anti-Semitic and anti-Zionist hatred is a poison for which there is no and never has been a collective interest in researching the antidote. And this would be the responsibility of all civilized nations in the world, as victims of systematic massacres are not always able to effectively advocate for themselves.

Furthermore, the 1400 dead cannot exercise this right: they were silenced by the cowardice of the enemies of humanity and their usual accomplices. If at some point, through dishonesty or an error in assessing the situation, being on the side of the people of Israel is transformed by the majority – as happened before Churchill rose up against the world’s inertia – on the wrong side of history, I feel that This time I will accept ostracism, and who knows, resign myself to yet

https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/paulo-rosembaum/2023-11-01/a-ideologia–a-pedagogia-e-o-alibi-justificacionista.html

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“Will there be a presumption of innocence for Israel?”

20 sexta-feira out 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Where does so much loneliness come from?

“Will there be a presumption of innocence for Israel?”

Paulo Rosenbaum

Today we will not see what we used to see. There is a perplexity that doesn’t come from the fronts. I know it’s an exaggeration, but I woke up in 1939. In a world declaredly divided. My astonishment is not reflected in other faces, it does not invade other people’s profiles. I walked in a trance until I found a friend and I was as shocked as the others and I detected how impassive they were. For them, the world remained untouched. I envied them. It’s like a scare without defined limits. Blurred by surprise. By selective silence. By the inertia of the world. For the useless incessant appeal for help. Today, day one of mortification, of a falling asleep that hit us with disproportionate shadows. Even though today is our darkest hour, I made efforts to pray for arks of salvation today.

Today, they say, victims can be blamed because they were not victims enough. Today, we read that victims have not behaved appropriately for victims. Today we experience the inexorability of defense wars and avoidable suffering. And what is fair? Today we have lost the measure: leaders who do not lead and people who do not know their value. Today our sense of history has been corrupted because, unforgivably, our memory has collapsed.

Today the only unanimity is to pray for the hostages, for children who do not know that they are participating in a story in which they did not act, and for innocent people who are losing what they never had. Today life has been raffled off in inaccurate rocket markets. We watch the misinformation, the calculated media, the adjustment to synchronized inaccuracy. Or did you not witness the double news? The half-words issued in suspicious notes? Today the word that defines massacres prefers to bypass the word “terror”. What are you afraid of anyway? To call the name by name? Or to change the name of what defines the unacceptable.

Today we will allow ourselves to be carried away by alienation. For a state in which we seek unmotivated joys. They talk about Gog and Magog. They talk about a chronic inflammation of the world. They talk about the 70 nations. They talk about an unpredictable end. But how do I do it? I don’t believe in prognoses. I could never believe in predictions. As someone announced: the difference between the Greek oracle and the Hebrew prophets was that the first prided itself on its accurate predictions, the other tried to prevent them by persuading the audience that decrees from heaven can be rectified. Today, the refined mysticism expounded by Gershon Scholem seems to have been replaced by pasteurized mystifications.

Today, I saw one after another speak. Permanently and systematically. I watched the broadcasts, the speeches, the rhetoric and nothing, absolutely nothing convinced me. There is a fog that drowns the sensations. And I decided to dive into one of these clouds.

Today you don’t see tomorrow. But he is there. Its intensity was temporarily extinguished. I didn’t come to talk about tragedies. Not even to say who is right. I know who is right. I came to say that all this suffering would not be necessary. I came, naively, to talk about the temporary nature of everything. I came to show that evil is not an abstract entity. (as I agreed until yesterday). I came to announce a kind of end. It is not eschatological. Not the end of times. It is an end of a term that contains another ending. An outcome that does not belong to reason. The end will continue towards the end of the night until we are all guilty or innocent. There is an end. What is unacceptable is an end without a purpose.

Today I didn’t see the point. In nothing. Everything seemed irrelevant to me. And no matter how many reasons I see, the meaning was captured. There must be reasons in the hearts that the intellect is unable to grasp. These are what I’m looking for. And where are they?

Today I don’t know about rest. Today is Shabbat, but it is the wine, the challah, the braided bread, that are resting from us. There is a rebellion of objects, and nature will be an accomplice. There is no pessimism. It’s an intrusive reality that brings me to another destination. Freud wrote: the most peculiar thing about Jews was their ability to go forward. Forward? Who knows. Not today Freud. Today will be immersion in the day. Today will be a nutcracker suite. Today will be one day after another. No tomorrows, no forwards. No ties. It will be a hundred years of solitude concentrated in one.

Today we will not see slogans. Today we will not write “never again”. And you know why. Today we hear silences that forever, yesterday and today, seemed like betrayal to us. But what about just solidarity suffering? What if it is just the perplexity of those who cannot express themselves. What if societies themselves had become meaningless? Who can’t reach other people’s pain and justice? In this order: the pain of others and what is fair. The attacker and the attacked. Crime and legitimate defense. We are estranged and it felt like we were never united. I admit it, I admit it, I admit it. I will not assume anything other than the moment.

Today we live on the edge of a knife that descended in perfidious flights. Not just about us, but about all the lives that were lost. The abomination is against everyone. We hear that we are not alone, so tell us, where does so much loneliness come from? Where does the isolation that took away our illusion come from? Where does unsharable pain come from?

Today we know, we are meticulously divided. People are indivisible. Not destinations. And from this sharing we are left with the part that crumbles. Listen, Oh Creator: today we are inconsolable. It’s just that we no longer accept inspiration without clarity. Those who speak for us no longer speak for us. And those who govern cannot see us as we are. Today there is a ritual wine left on the tables. And we don’t even know where the enemies are anymore. The internal weapons are missing batteries.

Today, the fight is against what will never be human. What was never humanity.

Today we can feel that there is a collective ruse. And whoever speaks has a voice. Today we are countable and this testifies to our fragility. And what was subtle today is just lack of protection.

There is a vulnerability that runs after Jews. And today it reached us. It’s not that the world turned its back on us, but it didn’t hold hands or a conclusive hug. As Kafka wrote: “There is hope – Not for us.” Even in the most generous relativization of the world there are absolutes. Limits we can support.

Today mistakes are confused with self-deception. Today peace seems like a lost mirage.

An image that no one can pursue unless, or until, some justice descends upon everyone.

Ad Matai? Until when?

Tishri 22, 5784

October 7, 2023

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De onde vem tanta solidão? (Blog Estadão)

20 sexta-feira out 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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“Haverá presunção de inocência para Israel?”

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/de-onde-vem-tanta-solidao/

De onde vem tanta solidão?

“Haverá presunção de inocência para Israel?”

Por Paulo Rosenbaum

Hoje não vamos ver o que costumávamos ver. Há uma perplexidade que não vem dos fronts, Sei que é exagero, mas acordei em 1939. Num mundo declaradamente dividido. Meu espanto não se reflete nas outras caras, não invade os perfis alheios. Andei em transe até encontrar um amigo e para fiquei chocado que para os demais e detectei quão impassíveis estavam. Para eles o mundo continuava intocado. Eu os invejei. É como um susto sem limites definidos. Borrado pela surpresa. Pelo silêncio seletivo. Pela inércia do mundo. Pelo inútil apelo incessante por ajuda. Hoje, dia um da mortificação, de um adormecimento que nos atingiu com sombras desproporcionais. Mesmo sendo hoje a nossa hora mais sombria, fiz esforços para hoje mesmo rogar por arcas da salvação.

Hoje, dizem, as vítimas podem ser culpabilizadas porque não foram suficientemente vítimas. Hoje, lê-se por aí, que não tem sido vítimas com comportamento apropriado para vítimas. Hoje vivemos a inexorabilidade das guerras de defesa e o sofrimento evitável. E o que é justo? Hoje perdemos a medida: líderes que não lideram e povos que não conhecem seu valor. Hoje nosso senso histórico foi corrompido porque, imperdoavelmente, nossa memória colapsou.

Hoje a única unanimidade é rezar pelos reféns, por crianças que não sabem que participam de uma história na qual não atuaram, e por inocentes que estão perdendo o que nunca tiveram. Hoje a vida foi rifada nos mercados de foguetes imprecisos. Assistimos a desinformação, as mídias calculadas, o ajuste para a imprecisão sincronizada. Ou não testemunharam as notícias duplas? As meias palavras emitidas em notas suspeitas? Hoje a palavra que define massacres prefere contornar a palavra “terror”. Do que afinal tem medo? De chamar o nome pelo nome? Ou de mudar o nome do que delimita o inaceitável.

Hoje nos deixaremos levar pela alienação. Por um estado no qual buscamos alegrias imotivadas. Falam de Gog e Magog. Falam de uma inflamação crônica do mundo. Falam das 70 nações. Falam de um fim imprevisível. Mas como faço? Não acredito em prognósticos. Nunca pude crer em previsões. Como alguém anunciou: a diferença entre o oráculo grego e os profetas hebreus era que o primeiro se orgulhava de seus vaticínios certeiros, o outro tentava preveni-los ao persuadir a audiência que decretos dos céus podem ser retificados. Hoje, a  refinada mística exposta por Gershon Scholem parece ter sido substituída por mistificações pasteurizadas.

Hoje, vi um após o outro falarem. Permanente e sistematicamente. Assisti as transmissões, os discursos, a retórica e nada, absolutamente nada me convenceu. Há uma neblina que afoga as sensações. E decidi mergulhar em uma dessas nuvens.

Hoje não se vê amanhãs. Mas ele está lá. Sua intensidade foi provisoriamente apagada. Não vim para falar de tragédias. Nem para dizer quem está certo. Eu sei quem está certo. Vim para dizer que todo este sofrimento não seria necessário. Vim, ingenuamente, para falar sobre a provisoriedade de tudo. Vim para mostrar que o mal não é uma entidade abstrata. (como até ontem consentia). Vim para anunciar uma espécie de fim. Não é escatológico. Nem o fim dos tempos. É um fim de um termo que contém outro final. Um desfecho que não pertence à razão. O fim continuará em direção ao término da noite até que sejamos todos culpados ou inocentes. Há um fim. O que é inaceitável é um fim sem finalidade.

Hoje não enxerguei sentido. Em nada. Tudo me pareceu irrelevante. E por mais que enxergue razões, o sentido foi capturado. Deve haver razões nos corações que o intelecto não é capaz de captar. São estas que busco. E onde estão?

Hoje não consigo saber do descanso. Hoje é o Shabat, mas é o vinho, a chalá, o pão trançado, que estão descansando de nós. Há uma rebelião dos objetos, e a natureza será cúmplice. Não há pessimismo. É uma realidade intrusiva que me trás para um outro destino. Freud escreveu: o mais peculiar nos judeus era a capacidade de ir adiante. Adiante? Quem sabe. Hoje não Freud. Hoje será imersão no dia. Hoje será suíte quebra nozes. Hoje será um dia após o outro. Sem amanhãs, sem adiantes. Sem vínculos. Serão cem anos de solidão concentrados em um.

Hoje não veremos slogans. Hoje não escreveremos “nunca mais”. E você sabe bem por quê. Hoje ouvimos silêncios que para sempre, ontem e hoje, nos pareceram traição. Mas e for somente sofrimento solidário? E se for apenas perplexidade daqueles que não conseguem expressão. E se as próprias sociedades tivessem se tornado inexpressivas? Que não conseguem alcançar a dor alheia e o justo? Nesta ordem: a dor alheia e o justo. O atacante e o atacado. O crime e a legitima defesa. Estamos alheios e parecia que nunca estivemos unidos. Admito, admito, admito. Não assumirei mais nada a não ser o instante.

Hoje vivemos no fio de uma navalha que desceu em voos pérfidos. Não apenas sobre nós, mas em todas as vidas que que foram escoadas. A abominação é contra todos. Ouvimos que não estamos sós, então diga, de onde vem tanta solidão? De onde brota o isolamento que nos ceifou a ilusão? De onde parte a dor não compartilhável?

Hoje sabemos, estamos meticulosamente divididos. As pessoas são indivisíveis. Destinos não. E desta partilha ficamos com a parte que se esfacela. Ouve Oh Criador: hoje estamos inconsoláveis. É que não aceitamos mais inspirações sem clareza. Os que falam por nós não falam mais por nós. E quem governa não consegue nos enxergar como somos. Hoje há um vinho ritual que sobra nas mesas. E nem sabemos mais onde estão os inimigos. As armas internas estão sem as baterias.

Hoje, a luta é contra o que nunca será humano. O que nunca foi humanidade.

Hoje podemos sentir que há um ardil coletivo. E que quem fala porta uma voz. Hoje somos contáveis e isso atesta nossa fragilidade. E o que era sutil hoje é apenas desproteção.

Há uma vulnerabilidade que corre atrás dos judeus. E ela hoje nos alcançou. Não é que o mundo tenha nos dado as costas, mas não deu as mãos nem o abraço conclusivo. Como Kafka escreveu: “Há esperança – Não para nós.” Mesmo na mais generosa relativização do mundo existem absolutos. Limites que podemos suportar.

Hoje os enganos confundem-se com autoenganos. Hoje a paz parece uma miragem perdida.

Uma imagem que ninguém pode perseguir, a menos que, ou até que, alguma justiça desça sobre todos.

Ad Matai? Até quando?

22 de Tishri de 5784

7 de outubro de 2023

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Historical Sense (published in “Último Segundo” e “O Dia”)

16 segunda-feira out 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Tags

Anti- Zionism is Anti-Semitism 2, Gaza, Israel, Marcuse, Terrorism Hamas, Thanatophilia, Umberto Eco

Historical Sense – by Paulo Rosenbaum

“–What is a Jew?

–Someone with a sense of history”

Isaiah Berlin

_____________

At the height of the Cold War, Herbert Marcuse wrote that maintaining balance between nuclear powers was the mutual and rational understanding of the meaning of the initiative for nuclear action. The word deterrence, more than desirable, contains a lovely concept. Analogically, among the multiple meanings and meanings it also includes disenchantment, discouragement, getting rid of one’s head, and, finally, in common parlance “cold water shower”. I insist on the word, because its meaning seems to be unknown in the vocabulary of fanatics and this is fundamental to analyze the extent of the problem of the war that has started. Theocratically inspired terrorist groups do not understand deterrence because the impulse to terrorism is directly dependent on thanatophilia, a glorification, the worship of death as a sacrifice that is independent of the results: they will be enjoyed after life.

Furthermore, it is speculated that the ignominious attacks that the terrorist organization Hamas carried out against civilian populations on October 7th also had the leitmotif of attracting Israel — which must act with extreme wisdom and prudence — into a second ambush. In other words, with refinements of unprecedented cruelty, install unprecedented terror and maximize fear with unprecedented devastation through massacres, rapes, incineration, decapitation of babies, and kidnappings that are still ongoing. The objectives: destroy the myth of invulnerability, obstruct peace agreements with Saudi Arabia and instigate Israel’s political isolation.

Now, the specialty of Jewish culture itself over the millennia has been iconoclastic, therefore, the first function was already destined to fail. The exercise of self-criticism, humility and above all the constant ability to reevaluate the context, has always been part of the DNA of the Jewish people. The well-known metaphor of a question answered with another question is self-evident proof of this almost innate hermeneutic procedure. Aspects that fanatics of any kind are deprived of. On the contrary, the hatred of fundamentalists focuses precisely on doubt, the imprecise, what cannot be certain. It is understandable that they do not support civilizations that put themselves to the test, democracies, and the permanent challenge to absolute certainties: the relativization of everything.

The terrorists’ second mission is also proving to be deficient, although it is an aspect to be observed and followed with caution: sabotaging agreements and achieving Israel’s political isolation. A large part of the West, especially true democracies – as there are occasional ones – have reacted in a compassionate and favorable way to Israel. It is worth saying, not exactly against the Hebrew State, but taking a stand against barbarism, in this clear attack not only on Jews and people of other religions and ethnicities — from 40 different countries — but in favor of all civilization.

The marks of the Holocaust were still alive, in a long healing process, soothed by the idea that there was now a State, close to infallibility, in terms of security and reception. A government that could defend the Jews in case opportunists see an opening to repeat old mistakes, mistakes that many have attempted throughout history. No state is infallible, and, in fact, Israel made mistakes and wasted many opportunities for peace with the more pragmatic wing of the Palestinian Authority, who were murdered and expelled from Gaza by Hamas.

What do you do when you face an enemy who rejects peace, not because he doesn’t know it or ignores the term, but precisely because he knows exactly what it means?

So how will we understand each other?

Peace is a ruse, an alibi to moderate impulses, a food that no one accepts naturally. The great meaning of peace, still unknown, cannot be shared. It is not silence, concord, tranquility, or “woe to the vanquished”. What peace does not bring, bombs supply. To form a truce it is necessary to coexist, if not in language, in language. Multiculturalism, which should mean relaxation and coexistence, has been transforming into multisectarianism. In a progressive corrosion that reaches culture, electronic networks have multiplied dialects and tribes. After almost eight decades after the end of the Second World War, there is a bolder analysis than the superficiality of Chomsky’s conspiracy theories: terror may be legitimized under the political manipulation of fear. Several experts have asserted that terrorist organizations have taken the place of absent administrations — under a similar operating mode in organized crime and other pockets of violence. And there are those who read in a reductionist way that the presence of the state means left, and its absence could be translated as right. Evidently, neither one nor the other.

Non-radical Islam knows that everything that has been done by Hamas in the name of faith is a perversion of Muslim religious rules. In an apparent contradiction, while jihadists burn “infidels” and massacre civilians, children or adults, they at the same time subsidize sophisticated medical treatments for sick people and operate under the auspices of tribal leaders, who, in return, give them (often having no other option) ) moral support and hiding in their homes and public places in case of military responses from the attacked entities.

Terrorist groups then fill power gaps. Furthermore, similar to electronic sellers of faith, they offer a paid way out of transcendence. The West has preferred not to notice another obvious psychological gap: the crisis of meaning that is plaguing societies. The left, in turn, disregards the “hunger for meaning” to attribute all responsibility to socioeconomic marginalization. Even though dark times are back, it is better to accept and name them than to deny them.

Old enemies need to overcome differences and accept again that, with a common enemy lurking, sooner or later union will be inevitable. But it is urgent to define a typification: assuming that there are incurable public enemies of humanity who must be isolated and brought to justice. For these, impose codes of peace, preferably ones that contain tolerance and freedom. No one will get out of this mess alone and there is not even a guarantee that a provisional consensus will be successful. As long as Israel does not have a media channel to give its version of the facts, I do not see how to reverse the long construction that previously and permanently deprived Israel of the presumption of innocence. It is worth saying, it doesn’t matter much what happens in reality, the image of the Jewish State as a culprit or a debtor in relation to world public opinion persists. It seems that debate, logical argument, and even historical evidence do not dissuade those who have always been convinced. They use debate only and exclusively to narrate their dogmas and issue their peremptory certainties. It is not about open debate, listening, a hermeneutic process of interpretation to reach intellectual consensus, even if precarious. No.

It is always important to remember that the death drive, a favorite food of fanatics, tends to have an erratic course.

And unpredictable.

Tags

Herbert Marcuse

Chomsky

Jihadists

Israel

War in Israel

Death Drive

Thanatophilia

Umberto Eco

Palestinian Authority

Dissuasion

Multiculturalism

Multisectarianism

Blog Paulo Rosenbaum

News Tale

news story blog

Stephan Zweig

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Nostalgias Antecipadas, ou, a Inesperada Ubiquidade (Blog Estadão)

24 domingo set 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Nostalgias antecipadas, ou, a Inesperada ubiquidade.

“A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”

Albert Einstein.

Encontro-me em uma casa aleatoriamente alugada através de um site. Está localizada dentro de uma reserva da mata atlântica, quase na divisa com o Estado do Rio de Janeiro. Por acaso, coincidência ou manifestação de sincronicidade – descubro, perplexo, que conhecia o proprietário. Contudo, o mais curioso é que, mesmo antes de saber do fato, fui reconhecendo sinais e símbolos familiares espalhados pelo lugar. Pois descubro que o sujeito de vaga lembrança, muito afável e simpático, sempre sorridente e, de alguma forma solicito, falecera faz algum tempo.

Ao andar pelo local passei a imagina-lo, identifica-lo e enxergá-lo e as suas marcas em quase todos os detalhes da residência. Havia uma curiosa vivacidade, quase palpável, nas minhas visualizações.  O que estava sendo apreendido ali? Pude ouvi-lo, comemorando, discutindo, rezando, apontando para o que observava da varanda, mexendo em seu ateliê (seria dele?), lavando as mãos, dançando na sala, jogando com os filhos, talvez fazendo jogos lúdicos durante as caminhadas pela mata, fotografando uma mariposa, rabiscando um organograma para as suas atividades. Finalmente soube dos seus passos através das longas escadarias da casa.

Na verdade, fui tomado pela ideia de que, talvez, ele pudesse estar vivendo simultaneamente ali, em uma existência paralela à nossa. Segundo os físicos, o que antes pareceria loucura ou desvario espiritual, tem alguma plausibilidade. Segundo Bradford Skow, professor do MIT, uma vez que sob a perspectiva da teoria geral da relatividade, o tempo, assim como o espaço, são dimensões, poder-se-ia viver em simultaneidade com outros ciclos temporais.

Fui adiante, e me perguntei, teria ele antevisto o mundo do qual não faria mais parte? Ou será que ainda faz?

O fato é que nossa memória é um inesgotável reservatório de perspectivas especulativas. Foi um passo para impulsionar meu exercício, e passar a imaginar detalhes de sua família. Evidente e previsivelmente um fio condutor acabou me trazendo até os meus familiares. Não, não são apenas saudades futuras do ainda não vivenciado no passado: estamos falando de percepções de um futuro ainda ignorado que passa a ser prospectado a partir de algum elemento capturado da realidade.

Eu as nomeei como nostalgias antecipadas. Quem são elas? O que será quando não estivermos mais perto daqueles que estão por perto? Quem cuidará de tudo? Quem organizará o ritmo das viagens? O que conversarão sem que eu possa contesta-los? Como será quando os filhos, que nos visitam em breves retornos dos seus exílios voluntários, vierem? Quem impulsionará as alegorias, os chistes, as ironias fonéticas da linguagem?

Julgamo-nos imprescindíveis. O tempo é o mais indiscreto explicitador de realidades: fica cada vez mais auto evidente quão não essenciais somos.

Entretanto, termo-nos como imprescindíveis, entre outros mecanismos de defesa, nos ajuda a levantar da cama, especialmente nas manhãs difíceis.

Da varanda de mais de 100 metros de altura deste paraíso que une montanha e mar, posso enxergar a ponta das rochas reluzentes. Cobertas de espuma salina e submersas pelas ondas em ciclos de vai-e-vem permanentes. Diante do panorama posso sequer cogitar que não somos mesmo as efemérides mais abstratas deste mundo quando uma simples mesa pode nos sobrevir. Vale dizer, em contraste com a matéria, que dura indefinidamente, nós somos os passageiros intrusos.

Foi o que a inesperada ubiquidade fez surgir: estaríamos buscando sentido sem considerar que talvez o sentido esteja em algum aspecto imanente? Que ele esteja e seja parte de nós mesmos, e que inclusive dure, por exemplo, apenas o instante fugaz no qual esta meditação esteja sendo feita?

E se apenas tivermos o momento, e todo o resto especulação? Ou se toda a busca por sentido não fizer sentido? A não ser saber que sobrevivemos exatamente pela aspiração por achar que precisamos encontrar um sentido?

Quando penso em nostalgias antecipadas, evito viver no agora. E aí está um obstáculo significativo ao cultivo da imperturbabilidade. Se sei que desaparecerei, posso sonhar. Mas, se nego, encontro-me fixado no tempo. Como manter-se imperturbável? É evidente que as tempestades políticas, a hegemonia das relações instrumentais entre as pessoas,  a ansiosa busca pelas glórias do mundo e outras efemérides virtuais são obstáculos às tentativas de manter-se incólume.

E se não houver uma finalidade última, valeríamos menos?

Foi quando um grande pássaro de bico azul, olhos reluzentes com uma faixa laranja que risca o topo da cabeça até o fim da cauda, pousou na ponta de uma rocha vulcânica. Tento identificá-lo, tudo que concluo é que ele está, como eu, observando o mar. Aquilo é tudo, o presente contínuo. E ali, exatamente ali, evoco a síntese: e se a vida não passar de puro acontecimento? Quando a natureza é desmitologizada, só há constatação das presenças, acontecimentos autônomos que dispensam observadores, mas que paradoxalmente, deles dependem.

Se houver um ideal de saúde psíquica, ela envolve ingressar na natureza do tempo, e ter presente o hoje, aí. Então reformulo: não é viável antecipar nostalgias, elas só podem ser vividas uma única vez. E sua duração, será sempre extinta no instantâneo.

O transcendente coexiste, em outra unidade temporal. Entretanto ele pode esperar: uma dimensão por vez.

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Um Médico chamado Matheus Marin (Blog Estadão)

02 sábado set 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

≈ 1 comentário

https://www.estadao.com.br/…/um-medico-chamado-matheus…/

Dois anos hoje.

Matheus andava preocupado com o legado hahnemanniano.

Nós também.

Por Paulo Rosenbaum

01/09/2021 | 16h35

2 min de leitura

Um Médico chamado Matheus Marim

Médico, professor de medicina, homeopata por escolha, um sujeito que nunca se rendeu aos dogmas, nem às doutrinas pétreas, e tinha na atitude científica genuína uma morada. Porém não a qualquer ciência, mas aquela que questiona o cientificismo e privilegia a visão experimental e vitalista. É verdade que tem muita gente muito mais próxima dele e que o conheceu de forma mais intima. Amigos e colegas médicos que poderiam falar melhor sobre ele, discursar com mais conhecimento sobre suas características e qualidades.

Só ouso fazê-lo porque o meu contato foi baseado na intensidade e sob a pressão dos momentos agudos e críticos. O suficiente para conhecer a ética e o rigor pessoal com que ele a aplicava. E por saber, ou intuir pouco importa, o rumo de seu leitmotiv. É improcedente falar do que era consensual em sua personalidade, mas é essencial ressaltar o que dele emanava: uma tranquilidade peculiar, que se infiltrava mesmo à revelia do interlocutor. Testemunhei por várias vezes seu atuar calmo em meio à turbulência, e suas palavras que se assentavam, sutis, mesmo em meio às situações dramáticas. Nunca houve uma mudança de tom, nenhuma exasperação, zero afobação. Sua intensidade fazia-se pela firme constância e pela responsabilidade com que tomava e assistia seus casos clínicos.

Seria ele um adepto de uma versão do estoicismo moderno? Talvez. Decerto um workaholic convicto. Seu heroísmo nunca foi acidental, tanto no combate à peste como às mazelas humanas, e este é um esforço que merece um registro especial. Assim como de tantos e tantos médicos, enfermeiros e equipes de saúde que tombaram frente a uma onda de patologia sem ainda nenhum sinal de desfecho. Muito provavelmente a melhor definição de seu atuar como médico que ajudou milhares de pessoas através da clínica da similitude, é lembrar de uma qualidade evocada pelo fundador da homeopatia, uma virtude que Samuel Hahnemann julgava fundamental num cuidador.

O terapeuta pode ser solidário, deve ser empático, mas deve também exercer uma “muda comiseração” durante as entrevistas médicas.

E era essa sua forma particular de interagir com os enfermos. Relatos mostram um médico que agia como uma pessoa frente à outra. Um clínico que, enquanto ouvia as queixas, polia as lentes dos óculos dos seus pacientes idosos, que se preocupava em jamais renunciar a um pedido de alguém precisando de seus serviços. Sua mera presença, com seu indisfarçável e longo avental branco, impunha uma espécie de respeito tácito, isso mesmo quando se encontrava em meios hostis ao tipo de medicina que praticava. De alguém que se entregava ao inegável talento na arte de cuidar, muitas vezes em detrimento dos interesses pessoais. Às vezes, para acolher um relato de sofrimento da pessoa tratada, mas, muitas vezes, dos familiares destas pessoas também. Às vezes, por horas, às vezes durante a madrugada.

Matheus apostava, como Gregório Maragnon, que a homeopatia seria, um dia, redescoberta em laboratórios. Na verdade, ela já foi redescoberta pela ciência e validada pela sociedade, apesar de todas as tentativas de interdita-la, na maior parte das vezes por motivações alheias à saúde dos homens e contra os interesses da humanidade. Independentemente de seu atuar clínico e de pai e avô atento aos seus, encontrava ainda tempo para produzir experimentações de novos medicamentos (como, por exemplo, Botrophs jararacuçu e Brosimum Gaudichaudii), procurar bons interlocutores dentro das ciências da saúde, articular eventos, promover cursos, e, talvez, o motor número um de sua trajetória vital: sua defesa de uma forma ímpar de praticar a medicina.

Matheus, por tudo isso e, gracias a la vida, sua marca no mundo estará garantida, aqui, agora, mas também num futuro longínquo e lá fora.

Obrigado por tudo, grazie mille: é a Medicina que te agradece.

https://www.estadao.com.br/brasil/conto-de-noticia/um-medico-chamado-matheus-marim/

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Aspectos éticos relativos à medicina preventiva, proteção individual e comunitária em Homeopatia* Terceiro e último artigo da série “Aspectos da Diversidade Metodológica nas Ciências Médicas” (Blog Estadão)

03 quinta-feira ago 2023

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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Aspectos éticos relativos à medicina preventiva, proteção individual e comunitária em Homeopatia* Terceiro e último artigo da série “Aspectos da Diversidade Metodológica nas Ciências Médicas”

Apesar das campanhas sistemáticas de desinformação levadas adiante com vultosos subsídios, e sob a grave omissão de declaração de conflitos de interesse, a Homeopatia e as Medicinas Integrativas e Complementares tem se afirmado amplamente como teoria e prática médica, tanto no país quanto no exterior, como indica o parecer do recente documento do Board on Health Promotion and Disease Prevention, dos Estados Unidos.

No Brasil a homeopatia foi reconhecida em 1980 como especialidade médica, sendo regulamentada a sua utilização em nível nacional no sistema de atenção à saúde em 1988, pela Resolução nº 04 da Comissão Interministerial de Planejamento (CIPLAN), integrada por representantes de quatro ministérios federais.

Ao aprovar uma redução no número de atendimentos clínicos (entre 50 a 75% do definido para os demais médicos) a Resolução reconheceu o potencial da atuação preventiva embutida na atenção médica homeopática. Quase vinte anos após, foi aprovada em 2006 a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), através da Portaria nº 971, do Ministério da Saúde, que normatizou sua aplicação na rede pública, definindo inclusive estratégias de pesquisas aplicáveis à nossa realidade.

O aspecto preventivista que a especialidade oferece tem sido enfatizado tanto pela comunidade de praticantes como pela população. Não é fortuita que a escolha de muitos médicos que praticam a homeopatia no Brasil e no mundo tenham escolhido a Saúde Pública e a Medicina Preventiva como interlocutores acadêmicos privilegiados. Além da promoção da saúde e de estar alinhada com os parâmetros da vigilância epidemiológica (política de imunização, monitoramento de zoonoses, endemias, epidemias e pandemias) a homeopatia – considerando sua forma de atuação tanto no sistema de saúde privado como no público – apresenta potencial para atuar preventivamente. Durante quase uma década, no Centro de Saúde Geraldo Paula Souza, através de um convênio entre a Associação Paulista de Homeopatia (APH) e a Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), efetivou-se o atendimento ao público em ambulatório didático, onde preceptores e alunos que faziam o curso de especialização em homeopatia frequentavam o ambulatório. Durante a experiência naquela Unidade Básica de Saúde foi possível constatar uma atuação transdisciplinar e a integração entre áreas da clínica médica homeopática e da medicina preventiva.

É portanto ainda o espaço generoso da anamnese (cuja etimologia significa “recordar de novo”) um instrumento único, e talvez ainda subestimado como recurso terapêutico, que pode elucidar o contexto dos sintomas — cuja origem etimológica significa literalmente segundo a etimologia, do grego symptoma, coincidência, acidente, acontecimento — que junto com os sinais obtidos através do exame físico e a análise dos exames subsidiários, guiam o médico naquilo que é o aspecto mais importante para fundamentar sua atuação e posterior avaliação dos resultados.

Esta capacidade de extrair uma história clínica – criando muitas vezes condições inéditas para que o paciente consiga se expressar — captura não só todos os sintomas, mas também extrai os principais aspectos biopatográficos (eventos mais marcantes e/ou traumáticos na vida dos sujeitos). E este enfoque apresenta potencial para impactar o que chamamos de estratégias preventivas em Medicina.

A certificação científica dos que praticam a terapêutica baseada no princípio dos semelhantes está lastreada nos procedimentos que a boa semiotécnica apregoa: anamneses compreensivas, checagem constante da qualidade de vida, ética e responsabilidade clínica para oferecer aos doentes as melhores opções terapêuticas (medicamentosas e não medicamentosas), evitar o excesso de idealização na cura, valorização do  acompanhamento dentro da atenção primária e secundária à saúde, além de guiar-se pela experiência e por sua permanente análise e monitoramento do estado clínico dos que estão sob tratamento.

O papel da homeopatia na prevenção e detecção precoce das doenças crônicas e infecciosas.

Importante aqui evocar as contribuições técnico-cientificas e conceitos de Kossak-Romanach:

“Não existe nenhuma patologia ou doença dita somática onde não possam ser detectadas alterações no estado psíquico do doente. Em todos os casos a moral do doente sobressai como elemento dos mais importantes na totalidade dos sintomas” e adiante “A homeopatia é a terapêutica ideal para se dirigir aos estados vagos que precedem a doença como diagnóstico, em situações nas quais a terapêutica habitual oferece um tranquilizante e procura entusiasmar o paciente pelo fato dele “não ter nada”

Quando Hahnemann atribui grande importância aos sintomas mentais e psíquicos e insta os médicos a prestar máxima atenção ao estado psíquico e da disposição física do enfermo, ele aduz um chamamento para que o clínico enxergue precocemente o que pode ser um primeiro indício de um adoecimento mais sistêmico. E esta precocidade na detecção tanto no estado psíquico como nos distúrbios funcionais e mesmo lesionais, mas de caráter “vago” podem ser importantes para definir uma estratégia preventiva. Seja direcionando o paciente para uma avaliação clínica mais minuciosa com ou sem exames subsidiários como também trazendo à consciência do sujeito esclarecimento sobre seu próprio estado e a necessidade de cuidar(se).

A filosofia médica que embasa a homeopatia também considera parte importante de sua atuação o controle e prevenção de moléstias crônicas. Como parâmetro de seguimentos dos casos clínicos considera vital o acompanhamento prospectivo do enfermo:  se o paciente está pior se a enfermidade inicial (illness) caminha em direção ao avanço da moléstia (disease). Detectar o illness, o adoecimento, a pré-moléstia, já seria ampliar muito a percepção do “mal-estar”, já seria dar uma passo adiante no que se entende como papel preventivo da arte médica.

Esta migração não ocorre só como gradiente cronológico, mas principalmente de transição qualitativa de estados clínicos. Este é um papel importante na prevenção de que estados funcionais não progridam para estados mórbidos lesionais e/ou incuráveis. Esta tarefa requer a aplicação de pesquisas clínicas qualitativas e novas ferramentas que permitam aferir epidemiologicamente os resultados.

Outros aspectos da prevenção: o dialógico e o papel da linguagem na semiologia

Para Paul Ricoeur, só existe sujeito no âmbito dialógico. E o instrumento para que este pertencimento seja operativo, é a linguagem. É mais do que compreensível que as linguagens ocupem lugar central nas terapêuticas.

Por dois motivos essenciais: primeiro é que a função de um médico que pratica a homeopatia não está limitada apenas pela tarefa de sanar determinada patologia mas a de oferecer condições qualitativas mais apropriadas para que as pessoas também possam se dedicar à tarefa do autocuidado – não circunscrita somente à prevenção de enfermidades e promoção de saúde, mas como uma perspectiva de “ocupar-se de si mesmo” a epimeleia, a qual se referiu Foucault (Foucault, 2002). Este conceito aduz uma auspiciosa renovação do debate ontológico à luz da saúde coletiva, da epidemiologia e das ciências humanas. Epimeleia heautou é uma palavra grega que significa aproximadamente “inquietude de si”. Ou seja, que o sujeito tenha tempo e disposição para analisar suas próprias ações e implica em que a verdade (no caso, os conteúdos ou insights percebidos através do estudo de si mesmo) sejam os agentes da transformação do sujeito

Relação Médico Paciente, auto-observação, médicos de família e a adesão ao tratamento

O tipo de relação médico-paciente que se estabelece, por ser parte incontornável da semiologia tal como proposta pela homeopatia, auxilia na adesão aos tratamentos. E permite que se detectem idiossincrasias individuais, predisposições hereditárias, características familiares não apenas patológicas, mas também de aspectos socioeconômicos e ambientais. O atendimento de famílias inteiras é um fator significativo na coleção de conhecimentos que o médico passa a ter, tanto do ponto de vista das predisposições patológicas individuais, como da dinâmica da própria família.

A auto-observação é um outro fator que pode estar no rol das técnicas que indiretamente favorecem a prevenção. Ao ser informado que deve estar atento a todas as modificações que se processam durante um tratamento o paciente fica mais atento ao que se passa sem seu corpo e sua mente.

Esta abordagem junto com os procedimentos associados a ela fornecem elementos clínicos para uma atuação abrangente, de caráter antropológico e eticamente defensável, que ampliam a percepção do médico e do paciente sobre o significado do cuidado e da saúde. O conjunto destes saberes e práticas instruem assim uma verdadeira “pedagogia da saúde**. A epistemologia acima proposta, portanto, sendo uma abordagem que também se baseia na epidemiologia clínica — cujo fundamento é proteção versus risco  — pode assim encontrar uma proposta benéfica aos usuários dos sistemas de saúde públicos e privados.

Difícil encontrar melhor definição para uma atuação preventiva em medicina.

Referências Bibliográficas

DANTAS F. Homeopatia e atenção à saúde em serviços públicos. Cultura Homeopática 2007

FOUCAULT, M. La Hermenéutica del Sujeto. Buenos Aires/México: Fondo de Cultura Económica, 2002.

KOSSAK-ROMANACH, A. Homeopatia em 1000 Conceitos 3ª edição, 2003, São Paulo, Elcid.

MINAYO, Maria Cecília. 1993. O desafio do conhecimento – pesquisa qualitativa em saúde. 2ª ed. São Paulo-Rio de Janeiro: Hucitec-ABRASCO

RICOEUR, P. Hermeneutics & the Human Sciences. Nova Iorque: Cambridge University Press, 1993.

ROSENBAUM, P. et Als. Homeopathy and health related quality of life: questionnaire NEMS-07 Homeopatía y calidad de vida en salud: el cuestionario NEMS-07 Homeopatia e qualidade de vida ligada à saúde: o questionário NEMS-07. Cultura Homeopática, Volume 4 (13) January 2005

PUSTIGLIONE, Marcelo, Homeopatia e Cuidados Básicos de Saúde. São Paulo: Dynamis Editorial, 1988

*Publicado no capitulo “A Ética do Sujeito, Homeopatia e a Medicina Preventiva” no e-book “Ética em Homeopatia”. Dantas, F. (Org.) Cremesp, 2023.

**Termos originalmente proposto pelo médico Henrique Stiefelmann

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O Penúltimo deserto- Encontrando ALMA II

Destacado

Posted by Paulo Rosenbaum in Artigos

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O penúltimo deserto

Paulo Rosenbaum

Não me chamem de deserto. Nunca houve deserto. Desertos são tão múltiplos. Impossível limitá-los à areia. A aridez é um preâmbulo do que nunca se forma, o adiamento de toda umidade. Até que chegam os oásis. Ilhas aleatórias para destinos humanos avulsos. Antofagasta. Atacama. A Alma dirige-se ao céu. Do Explora para toda Exploração. Mas a luz chega como partícula em milimétricas e submilimétricas ondas de rádio. A frequência ocupa o lugar de nossa cegueira. O laboratório corre para alcançar a rede integrada de captação.

O céu é um altiplano sem margens ou limites. Força a linguagem para o absoluto. E neste penúltimo deserto, vulcões mudam como nuvens. Então sabemos das camadas: salares de 8 kms de profundidade. Parece que o sal orquestra sua passagem para que outros animais vivam. Bactérias dão o tom, e a cor, para patos e flamingos

Mas foi lá, no Alma, que enxerguei as comprovações de galáxias dispares. Espirais de Cloro na cauda de cometas. Vi a boca de dimensões impossíveis. Lá estava um oco negro. Um buraco especulativo. Pode ser um túnel, uma ponte ou o lado indizível da sombra. O corredor que dá passagem de um horizonte a outro. Um insondável alçapão do tempo. Um evento jamais detectado antes. Uma fotografia histórica. Mas também havia o Viento Blanco. A beleza é perigosa. E logo vi o galpão com a Antena.  Gigante de 12 metros de altura por 7 de diâmetro. Adiante um parque de interferências. 16 km de extensão. O maior olho da Terra. Um olho sem lentes. E um telescópio sem visão aparente. Daí, notei. O dia é um esconderijo. As disruptivas emissões de uma notável falsa invisibilidade.

A luz azul de nosso habitat obscurece a luz que viajou. A refração da água, inimiga do esclarecimento. E, por bloquear um dos sentidos, achamos que temos uma jornada dupla. É quando o fato se impõe: só temos a noite. Só contamos com matéria escura. A abundância incalculável para contabilizar o celeste. Tudo não passa de uma ilusão de fótons migrantes que circulam desde o último ponto perceptível até a irreversibilidade do infinito. E que já sem sabemos se são mesmo 13,8 bilhões. O outro espelho que flutua acabou com a farra matemática, mais uma vez relativizando as previsões da ciência. As certezas de um início esclarecido podem estar acabando.

Se apenas soubéssemos: a contabilidade do ignorado supera qualquer cálculo.  O raio de curvatura do Universo é um elástico entre contração e expansão. Pulsa vago e inconstante, mas para sempre. É que o senso comum precisa desesperadamente conservar a ideia de que estamos apartados. Se apenas soubéssemos quão esmagados estamos sob o peso da gravidade. A leveza nunca foi insustentável, tornou-se refrataria.

Estamos submersos na violenta compressão das atmosferas.

Sulcados no mundo.

Fincados na areia dos desertos.

Nunca passamos de terra.

Pó de terra.

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Entrevista sobre o Livro

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