Enigma da justiça e a legítima defesa 

E por que deveríamos explicar?

Eles fizeram todo o barulho.

Instigaram as massas

Induziram as redações ao erro

Moldaram a insanidade.

E contra todas as evidências você lhes concedeu

O benefício da dúvida.

E cabe a nós explicar?

Por qual motivo o faríamos?

Deduza sozinho.

Por que daríamos satisfação a quem sempre tripudiou de toda argumentação?

Justificativa após justificativa contra vossa convicção automática?

Quem nos incumbiu de debelar tua crença dogmática?

Existe um tumulto ancestral em nossos corações.

Uma multidão de pessoas em cada um de nós.

Cada uma delas tentando entender o que ninguém pode explicar

Mas uma delas, apenas uma, a anciã,

Levanta mais cedo e vira porta voz.

Quando ela fala, o respeito é máximo.

O que ela expressa, estremecimento tácito.

Ao denunciar o mundo simula despertar.

Como toda consciência súbita

Fugaz até voltar à letargia.

O que as praças, as ruas, e o teu patético teclado desejam?

Alinhar-se ao regime tirano?

Que esperássemos por novas imolações?

Que a hidra de lerna migrasse para a vizinhança?

Para mais uma solução final?

Resignar-se com o extermínio não é uma solução.

Desta vez a barbárie ficará fora.

Um leão esgotou a complacência

Heroísmo é inverter o pensamento.

Sustentar a verdade contra o mar de desinformação

E poucos sobrevivem para testemunhar o resultado de seus feitos.

Hoje, homens, mulheres e crianças, trancados.

Dormitam intranquilos nos abrigos.

Por que? Para que?

Para acordar e respirar.

Não é incrível que a solidariedade seja tão rara?

Tu te escandalizas com a negligência do ocidente?

Ou cegaram-se, para contornar a verdade com a narrativa?

Para eximir-se do jogo que fizeram!

Tarde demais.

A prova está no domínio do mercado de consciências.

Levar o crédulo à perplexidade pode ser perigoso.

A profecia de Wiliam Blake:

No mercado onde se vende a verdade ninguém vem comprar.

Enquanto eles permanecem famintos por nós.

Já olharam as bandeiras que carregam?
A aversão à luz?
A impermeabilidade ao amor?
A obsessão pelo físsil?

Céus! É pura aversão à luz

Impermeáveis ao amor

E obcecados por material fissíl?

Como isso entra na tua aritmética?

Por que raios precisaríamos te colocar a par?

Como se ocupar de tanta covardia?

Conhecemos o cinismo das nações

Caçando a razão com tochas de piche.

O escudo não é de ferro, apenas  inarredável convicção

Uma forma que criamos para que o mundo pudesse amanhecer

Acordar sem os incêndios selvagens.

Por que deveríamos explicar a legislação

Para quem crê personificar o Estado?

Nossos dias estão contados, não nossas vidas.

Não vou comprovar teses ou analisar conflitos,

Rabiscar cartografias já conhecidas.

Só avisar que a defesa é a única medida justa.
Por que eu discursaria sobre nossa autoexplicativa invisibilidade?
Ela é autoexplicativa.
Somos do mesmo tecido que o benfeitor,
E únicos como ele.
Por isso, o singular vale mais do que Estados inteiros.
Poderíamos sentar todos como uma família,

Mas nos disseram que não espaço nas vossas mesas.
Estão ocupadas com o vil e valores.

Vulneráveis, escolhemos sobreviver nas bolhas.

E hoje resolvemos explodi-las.

Porque não nos poupou da obsessão

(e aprendemos como o êxito alheio te provoca)

Entendemos que espalhar nosso conteúdo é a garantia de sobrevir.

Eis que seguiremos à revelia das tuas permissões.

Perguntas do nosso passaporte?

Estão nas pilhas de papeis que criamos.

Vivemos por e para o sentido.

Ai esta, enfim, vossa explicação

Chame como quiser, hasbará, krav magá ou chatima tová.

Declaramos o fim de uma era.

Nossa existência prescinde da tua anuência.

O nunca mais jamais será novamente explicado.

Nem aqui, nem nos mercados

Assim nasce um dos enigmas da justiça:

Israel é sua legitima defesa.

________________

Leia também