Dia Internacional em memória das Vítimas do Holocausto.
Este poema é para todos que um dia chegaram a erroneamente classificar como “Genocídio” a legítima defesa do Estado de Israel recente contra os inimigos da humanidade que promoveram o pior massacre contra judeus desde o fim do holocausto.
Leia, ouça, e principalmente sinta e reconsidere.
O campo de concentração de Auschwitz foi libertado há 80 anos neste dia. Ali perderam a vida cerca de 1,1 milhão de pessoas.
Por mais esforço que façamos nada será o suficiente para honrar aqueles que perderam a vida nestes e naqueles dias difíceis de guerra, injustiça e tirania. O que de fato podemos fazer para homenageá-los de fato?
Garantir que serão lembrados para sempre?
É muito pouco.
Que seus nomes serão gravados em livros e pergaminhos?
Já está em andamento.
A grande reverencia será incorporar suas vidas às nossas.
Como?
O grande tributo será mostrar ao mundo que não aceitamos a ideia de que simplesmente perderam a vida, uma vez que elas não foram em vão.
Se houvesse um cortejo ele deveria ser evidenciar a consagração de seus sacrifícios.
E para isso precisamos recuperar suas vidas como exemplos. Não apenas de bravura, coragem e persistência.
Mas a pura consciência de que não houve sacrifício, mas um novo tipo de mutação: nós somos os herdeiros espirituais de suas existências.
Isso pode não bastar.
Decerto não é o suficiente.
Mas, doravante, dará sentido aos nossos dias no mundo.
E assim podemos viver para fazer jus ao que cada um deles significou.
O poema abaixo foi elaborado visitando um dos primeiros lugares onde teve início os ataques aos nossos ancestrais. A “kristallnachat“(noite dos cristais) desencadeou e liberou todo potencial de destruição e a maior campanha de perseguição religiosa de toda a história moderna, culminando com a morte de 6 milhões de judeus, este sim Genocídio documentado e comprovado. Além de incontáveis outras minorias que eram consideradas elimináveis pela ideologia ariana dos nazistas. Hoje metamorfoseado em perseguições religiosas acobertados pelo manto do antissionismo.
Hoje é o dia para lembrar destas pessoas.
Não apenas os judeus que caíram, mas ciganos, negros, homossexuais, doentes mentais e outras minorias que foram exterminadas em Campos de Concentração distribuídos pela Europa entre 1941 e 1945.
Seis milhões*
Os seis milhões estão bem aqui.
posso senti-los
sob meus pés,
seus últimos segundos regulares, como todas as descidas
rítmicos como gelos.
intensos como florestas
No declive de gênero
fantasiados de corporações, patentes, insígnias
jogados nos trens improvisados,
como máquinas de extração
enquanto metrificavam cada judeu
enquanto gigantes como a IBM e a Krupp
acendiam os fornos da despensa
Do trem, digo
não era noite ou fumaça
e de todos os dias,
o carrasco detinha
os trilhos da proficiência
Não vi campos,
nem sinais de gritos,
ou angústia das vítimas
senti cada parada
cada pequeno solavanco no trilhos
até as cavernas preservadas
nas coleções intactas
ou na predação canônica dos apitos dos fornos
A seleção naturalmente objetivada
pela negação da naturalidade.
Não me interessa que não vi,
(nem quem não viu),
Nem quem soprou o silêncio
para o vapor da constância,
de quem preferiu as mãos
que alimentam quem dizima!
De quem negou quando sabia o que acontecia
Só saberemos quando vivermos
nos esconderijos desacreditados
na sonolência de nossos dedos
ou nas qualidades extintas
como nós,
extintos.
Não importa (nunca importou) o cultivo,
mas a produção,
o apreço por resultados,
o rastreamento de objetos
que com vida, ou sem,
melancólica será,
Aí temos o protocolo abominável
a experiência romântica
sustentada numa escala insuperável
Enquanto o mundo pensa em paz,
Na calma capturada do carvão dos ossos
A travessia que importa
Usa força do solo como tingimento,
E, como furos em flautas
alternam sons com acendimento
de vela perfiladas,
nas presenças sem sequência.
na curva do mundo
Na atenuação final de vidas em estudo
Porque nossos olhos retêm
o não expresso
E, como trens, invadimos o mundo com troncos negros
Na matéria que se impõe como referendo do espírito,
Agulham nossos dias com palheiros
e, à latitude da ilusão.
Aterram o assombramento
Tudo, tudo mesmo
é para que essa perplexidade
gere totens
e olhos sem braços nos alcancem
em noite de cristais, pogroms ou vidraças
nos nomes que esfacelem a realidade,
que, sem chances, observa
a violência do descuido
Mas a noite, sim
Mesmo que a presença
Seja recontada ao infinito
Mesmo que cada grão do carbono esgotado
Entupa de maturidade as nações
Estejam livre,
Achamos que,
do tabuleiro de onde estiver,
deves absorver tuas regras.
II
Para infortúnio geral
Somos um passado atento
Seis milhões nas curvas
Assistidos com a brutalidade da demora
O esquecimento do mundo
A carga excessiva
Que impressiona apenas
os tolhidos da cena
(Em Stuttgart testemunhei monumentos no qual as vítimas são eles)
Mesmo à distância com o meio do atlântico
Estancaremos perto do nada
Só faz 80 anos
Os campos estavam nos libertando
da vida
Enquanto a eugenia dos doutores
do partido
Subiam de incenso na mente do povo
do silêncio
Ah, estamos em comunhão
Mas, para registros futuros
jamais o barômetro do céu
agirá aqui-agora.
Desaparecemos no escuro.
Porém,
Permaneceremos, ali, lá fora.
Stuttgart -Paris
Junho de 2007
* Publicado no livro de Poemas “A Pele que nos Divide” Quixote-Do”, 2017
