Contrariando Kafka: Israel e o dever do mundo.
Paulo Rosenbaum
“Ouço o hebreu que lê suas Crônicas e Salmos”
Walt Withman
Hoje a noite é Yom HaAtzmaut.
Dia da Independência. Dia no qual um país muito pequeno, de apenas 10 milhões de habitantes, tornou-se livre e soberano.
Não é obrigação do mundo amar Israel, mas é dever moral do mundo deixar que Israel viva. O fio condutor da nação hebraica não é afinal a cultura, a ética, nem mesmo o código civilizatório, mas um Livro.
Sem esta compreensão, a paz absoluta será sempre um delírio. Mas a paz provisória pode ser real. Desperdiça-la sempre será um erro.
Mas para isso é preciso impor condições: em primeiro lugar é obrigação da civilização exigir que devolvam os reféns sequestrados.
Em seguida não permitir o que tem sido feito com os judeus, desumanizar todos aqueles que desejam e lutam genuinamente pela paz.
É, portanto, um dever moral da humanidade levantar a voz contra o totalitarismo antissemita e todas as formas de intolerância que só faz crescer seus decibéis e garras toda vez que, preguiçosamente, o mundo decide silenciar.
Tem sido perturbador observar a inércia e capitulação de parte da humanidade em relação às justificativas do uso do terror como ferramenta política. Pois, ao fim e ao cabo, no caso dos extremistas que governam Gaza e os exércitos proxys dos aiatolás, não há, nunca houve um objetivo territorial crível nas negociações. A meta nunca foi a paz justa, mas a insanidade arrogante do triunfo total: a extinção de Israel e dos judeus.
Um mundo que não contasse com Israel seria um mundo sem sentido. A preservação de Israel é, sim, um compromisso moral do mundo. Não apenas pela necessidade de permanente redenção moral em relação à tragédia da Shoah (o holocausto), mas porque a autodeterminação do povo judeu exige tanto respeito e apoio quanto a dos demais povos.
É preciso denunciar a manipulação da linguagem: a palavra sionismo transformou-se num álibi, numa saída alternativa para legitimar a ignomínia racista: desumanizar e insultar os judeus mundo afora. Chama a atenção o uso dos símbolos históricos da esquerda por parte de gente que é abertamente homofóbica, misógina e não tem um pingo de apreço nem pela democracia nem pelos direitos humanos.
Basta recorrer à história. Israel foi atacado em 1948-49, 1956, 1967, 1973, 1982, 2006, 2023 até o presente momento. Neste último, em sete fronts distintos, uma consequência direta do massacre contra civis no sul de Israel.
E eis que se trata de uma nação reconstruída depois de um longevo exílio imposto de 2.000 anos. Um País que ressurgiu sob a insígnia do esforço coletivo de pioneiros com ideais sociais-democratas que inventaram a posse coletiva da terra com os primeiros Kibutzim e viabilizaram uma região onde predominavam os desertos.
E como explicar esta expansão desproporcional da desinformação acerca de Israel?
Porque funciona!
Funciona como manobra diversionista. Funciona para apontar o Estado Hebreu como o bode expiatório vitalício. Funciona para servir como causa para as causas ideológicas perdidas à esquerda e à direita. Funciona para as redes antissociais e suas legiões de impulsionadores acríticos. Funciona especialmente para ludibriar as massas sem perspectivas.
Israel promoveria extermínios em massa? Ora, é quase enfadonho repetir. Basta debruçar-se sobre os números: o crescimento populacional da população árabe desmente qualquer tese de genocídio e a inserção dos 2.2 milhões de árabes israelenses na vida do País é uma prova auto evidente que renega a ridícula acusação de apartheid.
O massacre de 07/10 praticados pelos terroristas jihadistas no sul de Israel apenas fez a verdade eclodir. Um canto foi exaustivamente verbalizado pelas hostes criptonazistas: não permitiremos nem que Israel, nem que vocês, judeus, existam.
Contrariando Kafka: devemos reafirmar o poder da esperança. Não adiante, já! Afinal, os fanáticos ainda não são a maioria, e quem renasceu das cinzas conhece o outro nome pelo qual a fé atende: convicção da esperança.
Enquanto isso, permaneceremos lendo Crônicas e Salmos.
