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O uso da Narrativa como falsificação da História. (Jornal O Dia, versão impressa e digital)

O uso da Narrativa como falsificação da História.

Por Paulo Rosenbaum

“Liberdade para os lobos significa morte para as ovelhas”

Isaiah Berlin

A palavra antissemita, foi um termo cunhado por um jornalista alemão em 1879 para contornar a palavra judenhass, ódio aos judeus, e, ao mesmo tempo, manter o conceito mais vago e brando. O termo que reuniu as palavras “anti” e “semita” foi elaborado dar um contorno mais asséptico para se referir à atitude racista de um modo mais confortável e técnico.

Após os ataques terroristas de 07/10 contra civis no sul de Israel, onde 1.200 pessoas a maioria de civis, entre os quais bebes, crianças e mulheres, foram massacradas e 253 pessoas foram sequestradas por um exército composto de inimigos da humanidade, os antissemitas mudaram de tática: escolheram ser transparentes.

Pois este sentimento misojudaico (misos-ódio em grego) ressurgiu de forma inaudita pelo mundo antes mesmo que as forças de defesa retaliassem contra os tiranos que governam a faixa de Gaza.

No entanto, podem economizar perplexidade. Já que o que se seguiu aquele acontecimento não passou de uma previsível e lógica progressão da atitude misojudaica: complos, assassinatos coletivos, e crimes praticados contra individuos e coletividades ao redor do mundo. Mísseis balísticos atirados sobre cidades israelenses a esmo, diariamente, contra populações civis. Proxies bem articulados, com apoio e financiamento do regime dos aiatolás para invasões ao norte ao sul.

A reativação do sentimento misojudaico chegou com a modernidade, e, mais recentemente, sob a pós-modernidade tardia. Sob distintos álibis e contextos, a lógica que os guia se tornou cada vez mais dificil de despistar: a necessidade de encontrar pretextos para forjar acusações contra um carrasco polivalente: a estrela de David.

E, em cada espirito do seu respectivo tempo, esta tarefa tem sido cumprida à risca por distintos agentes. Como hoje é possível opinar sob o anonimato de codinomes e senhas digitais, o esperado aconteceu: ataques contra as comunidades judaicas ao redor do mundo floresceram. Mensagens de odiadores e seus cúmplices inundaram as redes sociais e uma correspondente e desproporcional audiência potencializada pela repercussão nas coberturas das mídias. Em geral seguindo acriticamente a tendência do barulho. Uma parte delas se tornou repentinamente muito leniente e preguiçosamente seletiva para acionar seus mecanismos de checagem de fake news e desinformação.  

Ouviu-se que descendentes do povo que atravessou o Sinai há 3334 anos, portanto em 1.312 antes da era civil, talvez não sejam os sujeitos ideais para denunciar o estado da arte alcançado pelo misojudaismo de nosso tempo. Decerto soaria mais crível se o protesto chegasse através de gente que está fora da bolha. Assim o sistema criou uma fórmula até certo ponto eficaz para reforçar a mordaça de quem quer resistir às calunias. Mas calar quem vem sendo hostilizado diariamente nas ruas, de forma direta ou indireta, seria como pedir para um médico não lutar pelo seu paciente apenas porque ambos compartilham dos mesmos pontos de vista. Não há conflito de interesse, nem atitude partisã quando se advoga pela legitima defesa.  

Vale também ressaltar uma outra categoria de misojudeus, são aquelas pessoas que estrategicamente se afirmam geneticamente pertencentes à categoria de “judeus” os quais, junto com seus associados, simulam uma peculiar espécie de “objeção de consciência”. A “objeção”, é, evidentemente, uma manifestção cabotina uma vez que consiste em acusar unilateralmente o estado judaico de exercer a legitima defesa de forma relativamente eficaz.

Importante salientar o abuso do termo “narrativa” como se houvesse uma forma de falsificar a história. E essa tendência pode ser desmascarada, analisando o número de argumentos incoerentes e contraditórios usados para criminalizar não apenas o Estado de Israel, mas a própria existência dos judeus.

Um dos motivos desta confusão é de que talvez a motivação central da intolerância não pode ser explicitada de forma consciente. Sim, pois o monoteísmo também se refere simbolicamente à singularidade de cada sujeito. Trata-se de uma concepção intolerável para determinadas concepções mentais que elevam o Estado à altura de uma deidade substituta onde o sujeito é apenas um resíduo, que precisa ser anulado, eclipsado, reduzido a um papel insignificante.

Nem valeria elencar os argumentos usados com destaque para a infundada acusação de neocolonialismo, passando pelo risivel revisionismo histórico de que os judeus nunca foram escravos no Egito, o holocausto nunca aconteceu, além de outros malabarismos pseudo historiográficos. Sob este ponto de vista, o déficit de honestidade intelectual não tem sido mais considerado uma aberração por algumas academias, destarte pode ser indultado e até premiado, especialmente se a ideologia estiver a serviço da causa: uma boa causa vale uma boa fraude. 

Perdidos, buscam recorrer ao desesperado recurso de que a “narrativa” pode não apenas substituir fatos, mas modelá-los e instrumentalizá-los de tal forma que, ao fim e ao cabo, qualquer traço da informação verdadeira seja obliterado. Notem que quem se alinhou ao eixo dos devotos da cólera são aqueles que até há pouco autointitulavam-se progressistas. Progressismo deveras peculiar este que apoia ditaduras sanguinárias, defende governos autocratas, e exalta teocracias homofóbicas e misóginas. Neste caso, a virtude moral estaria em perfilar-se ao reacionário como sugeriu o iracundo Schopenhauer.

Uma palavra sobre o papel representado pelo atual chefe do executivo brasileiro, que deveria obedecer a histórica e eficiente tradição diplomática do Itamarati e tomar a frente na proteção das minorias, pautar-se pelo respeito aos direitos humanos. Infelizmente deixou-se seduzir pelo misojudaísmo para sacrificar o direito e a análise equilibrada no altar das conveniencias de ocasião.

É direito constitucional garantido que as pessoas possam expressar os seus pontos de vista, inclusive os preconceituosos. Ao mesmo tempo, historicamente, o policiamento da linguagem costuma terminar em tirania. Mas estes direitos foram muito além de possibilitar a expressão dos preconceitos.

Esta marcha da ideologia vazia caminha, mas não sem slogans como os recentes, “guilhotina”, e  “mortezinhas” que escapam da boca daqueles que não conseguem suprimir o que realmente pensam. Ao engajar massas ora desinformadas, ora possuidas pelo espirito de manada, o projeto locupleta-se com democracias populistas intolerantes, geralmente regidas por autocratas decadentes.

Neste caso, minorias estridentes sentiram-se encorajadas a adotar os slogans e senhas para as várias modalidades de linchamento, censurando, empunhando cartazes raivosos, além de facas, tochas e finalmente morteiros e bombas incendiárias. E é assim que se obtém uma tolerancia seletiva que serve ao propósito e que deu origem ao projeto: criar uma formula universal que funcione como um motor de unificação de todas as forças parasitas e ociosas oriundas de uma geração acrítica

Por outro lado, como deveriam se comportar os judeus que, testemunhando a inércia da maioria, vem sendo hostilizados por minorias que se impõem aos Estados com uma pregação aberta de intolerância e violência?

Devem seguir estoicos? Ou viver em negação? Como se fosse apenas mais uma das milhares de vezes que aturam e sobrevivem às perseguições? Ou formular novas estratégias de autodefesa para além das já existentes?

Seja lá quais forem as respostas, a luta contra o racismo misojudaico, não pode prescindir de ninguém, precisa de todos, como já havia antecipado o sobrevivente do holocausto e prêmio Nobel da paz, Elie Wiesel. De todos aqueles que apreciam não apenas o status quo de um mundo livre, o qual visivelmente está encolhendo, mas dos que intuíram que o totalitarismo geralmente começa com este tipo de sentimento contra uma cultura, e termina de forma generalizada, aglutinando intolerância e belicosidade.

Oxalá que as guerras estejam mesmo perto do fim, mesmo que seja um fim provisório. Destarte, o que foi testemunhado não pode mais ser ignorado. Precisaremos dar sequência ao grande serviço: impedir que as sociedades sigam contaminadas e regidas pelo instinto do ódio, afinal este seria a consagração do grande objetivo dos fanáticos em seu longo e sistemático trabalho de sabotar a civilização.

O momento é decisivo e a demanda por coragem será exigida daqueles que pressentem que há um lado justo da história. Sentem, porque a racionalidade está comprometida pela desinformação e pelo dogmatismo doutrinário das ideologias.

Pois bem, esse dia chegou.

Seremos os pioneiros para implementar essas transformações.

Não há mais espaço para neutralidade, e uma vez que a esperança não tem autonomia para se impor, ela exige determinação e pessoas dispostas a viver por ela.

Nós estamos. E vocês?   

Só a Utopia é Justa. (Blog Estadão)

Só a Utopia é Justa

Ainda que o gigante pareça estar em crise de narcolepsia, perdura a necessidade de que a esperança ainda seja crível. De Thomas More à John Lennon a Utopia nunca saiu de moda.  Acreditamos no impossível, nada a ver com futebol.

Justiça seja feita.  Graças aos ganhos alcançados sob o plano real — que o atual regime tenta destruir com obstinação maníaca  — conseguiu-se aumento do IDH da maioria dos municípios brasileiros. Malgrado o país tenha melhorado em muitos aspectos, especialmente na desigualdade social – uma das 10 piores do mundo — não conseguiu inculcar na elite, nos dirigentes e na própria população, uma das qualidades essenciais da democracia: assumir responsabilidades.

Sem ela viveremos de sustos. Revolucionar valores tem a ver mais com o mundo que valoriza qualidades, do que com o que os grupos escrevem em suas placas reivindicatórias.   Mas e se as regras que permitiriam o resgate estão cercadas pelas catracas do atraso, de um anacrônico  sistema cartorial?  Sair por ai contestando sem foco, não é saída, é escapatória.

Crescer não significa abandonar ambições e expectativas, nem a derrocada final de uma utopia que nunca chegou.  O amadurecimento tem a ver antes com enfrentar consequências. Sejamos sensatos, o foco deve ser por mudanças não  razoáveis. Sejamos pois adeptos do implausível como meta.

A maturidade ensina que a demolição prematura de instituições que apenas começavam a funcionar é o resultado de grave erro de avaliação. Não basta ter a soma dos votos e a maioria. Na era do tempo real, sem pactos pelo consenso não haverá governabilidade. Nunca. Quando se convoca uma marcha pelas redes sociais ninguém pensa nisso. O protesto, que era manifesto, que era resistência, que era indignação, adquire uma autonomia escusa.

Não porque existem vândalos. Os anarquistas predadores que pensam ser, servem. Servem bem para construir repúdio por mudanças e mostrar quão pior pode ser. São, portanto, a antítese da revolução.  Não se enxergam assim mas são reacionários cheios de si. E eles não estão sós. Por trás das mascarados que roubam e depredam e do crime impune que se alastrou pelo Pais — lá atrás e agora mais recentemente de forma alarmante — está uma inimputabilidade inconsequente que o poder se auto outorgou. Fora dos quadrados de Brasilia, das masmorras dos shoppings centers, onde é que há segurança publica?

Em processo falimentar.

Pois não é  isso que se faz quando se criam foros privilegiados, justiça inacessível e critérios seletivos, móveis e anti constitucionais para o que se costuma chamar “igualdade de oportunidades” e tribunais militantes?

Para cada  autentico hater, vândalo, invasor, ou revolucionário de ocasião que se infiltra nas redes antissociais ou nas ruas, há um correspondente que se esconde na vidraça blindada das autoridades, dos palanques, no palavreado auto congratulatório e nos discursos de posse.

São facetas igualmente injustificáveis e daninhas. Enquanto uma é televisionada a outra permanece privativa em circuito fechado nas carreatas eletrônicas daqueles que se definem por influenciadores.

Céus, quem outorgou tanto poder para essas figuras que emergem diretamente do vácuo? Quem autorizou estes fenômenos do senso comum que se auto catapultam através da omissão dos intelectuais (e as vezes sob sua supervisão) e da falência de uma ação pedagógica critica?

E como a filósofa ensinou: quando se perde a autoridade alguém clamará por autoritarismo.

Se a realidade parece perdida, recorramos ao impossível.

Tomemos este, que é um dos seus mais significativos e sub explorados verbetes do dicionário.  Até o suposto defeito vira virtude na voz polissêmica dos glossários.

Deduza sozinho examinando o que consta sob a rubrica “impossível”: áporo, sonho de louco, pedra filosofal, vôo de um boi, o irrealizável, não há, não haver possibilidade de espécie alguma, querer sol na eira e chuva no nabal, prende la lune avec les dents, incendiar o Amazonas, meter o Rocio na betesga, tirar leite de um bode na peneira, carregar água num jacá,  abarcar o céu com as mãos, assar qualquer coisa no bico do dedo, extinguir-se no planeta o calor central, acabar no céu a rotação dos astros, querer ter o dom da ubiquidade, inacesso, inabordável.

O impossível só pode ser o que acabamos de realizar, é o possível visto por alguém fora das nossas órbitas.

Em outras palavras, só o impossível é viável e só a utopia é justa.

Macabeus Vivem! (Blog Estadão)

Macabeus Vivem!

“A primeira obediência a Deus é a resistência à tirania”

Howard Fast em “Meus Gloriosos irmãos”1

A mensagem de Chanukah — que neste ano se comemora dia 25 depois do pôr do sol, junto com o Natal — é universal.

Vocês que se ocultam atrás das meias medidas. Vocês que desinformam com meias palavras. Vocês que impõem uma forma única de ver o mundo e não permitem que as outras subsistam. Vocês que escrevem sem saber interpretar os fatos. Vocês, que julgam sem conhecer as leis. Vocês, que usam tabuleiros viciados para noticiar. Vocês que usam a história para desinformar. Vocês, que influenciam sem responsabilidade. Vocês que desprezam aqueles que são cativados. Vocês, que formulam vereditos seletivos. Vocês, que sabem perfeitamente que, na verdade, não se trata de Israel. Vocês, que sabem, mas tergiversam sobre o único lugar onde os judeus tem incontestável direito de viver. Vocês, que tem uma inconfessa atração por fanáticos. Vocês, que cultuam suásticas dentro das tocas. Vocês, que torcem por Gulags e Stalin. Vocês, que mentem sobre as intenções de extermínio. Vocês, que sabem muito bem quem iniciou todas as guerras. Vocês, que financiam mercenários na África. Vocês, que escravizam crianças no Extremo Oriente. Vocês, que manipulam os dados. Vocês, que desonram as academias com desonestidade intelectual. Vocês, que simulam dialogar segurando a adaga entre os dentes. Vocês, que sonham com a destruição de todas as pontes. Vocês, que se movem junto com o horror. Vocês, que militam para que se repita o drama milenar das perseguições, confiscos e falta de liberdade religiosa. Vocês que decidiram usar a ignorância como escudo contra a verdade. Vocês que dissimulam  imparcialidade enquanto transpiram sectarismo. Vocês que financiam os idólatras da ideologia única. Vocês, que se casam com o tirano e trucidam o libertador. Vocês, que usam a diplomacia para calar o lado justo da história. Vocês que estão nos campi agitando bandeiras dos inimigos da humanidade. Vocês, que agridem a esmo. Vocês que lançam ogivas envenenadas sobre civis. Vocês, que evocam o Criador enquanto atropelam multidões em celebrações. Vocês, dominados pelo espírito da violência. Vocês, que se associam a regimes despóticos, falsas democracias e narcoestados. Vocês que traem o código humano mais elementar. Vocês, que entorpecem os despreparados. Vocês, que mantém 101 pessoas acorrentadas. Vocês, dirigentes de organizações de saúde que negligenciam os enfermos nos calabouços. Vocês, que despejam bilhões de recursos em túneis para sequestros. Vocês, que fingem liderar, mas fazem o jogo dos extremos. Vocês, que se concebem como “resistência”, mas são mercenários vassalos.  Vocês, eufóricos com cancelamentos arbitrários. Vocês que fustigam inocentes. Vocês, que se aliaram aos contra iluministas. Vocês, que oprimem, censuram e privam as mulheres de autonomia e dignidade. Vocês, que fingem tolerância. Vocês que ilustram livros didáticos infantis educando com fuzis. Vocês, que vivem comemorando a decapitação de bebes. Vocês, que arrancam os cartazes solidários aos cativos. Vocês que adornam vossas casas com morteiros. Vocês que intimidam seu próprio povo. Vocês que desconhecem o valor da paz. Vocês que rompem todos os contratos sociais. Vocês, que revisam a história do mundo até que ela se encaixe em vossas teses de ofício. Vocês, que usam a linguagem para embaralhar o discernimento. Vocês, cuja estratégia é o ataque aleatório. Vocês, que condenam aqueles que se defendem. Vocês, que morrem por causas sem sentido. Vocês, que não enxergam que a vida tem primazia sobre a morte. Vocês, que frustram todos os acordos. Vocês, que entoam cânticos de ódio. Vocês, que escolhem a cegueira contra a visão, a tortura contra a compassividade, a força contra o entendimento. Vocês, que matam com convicção. Vocês, que condenam as vitimas. Vocês, que se opõem à legítima defesa de um Estado contra aqueles que ameaçam sua existência. Vocês, que dominaram as instituições dos homens desviaram suas funções para espalhar intolerância, medo e a ignomínia.  

Vocês não se enganem.  O paradoxo é exatamente o mesmo de outras épocas históricas. Quanto mais vocês tentarem nos asfixiar, com mais vontade de respirar emergiremos. 

Agora prestem atenção e notem que poucas vezes estivemos tão fortalecidos e determinados.

Durante muito tempo depois do holocausto o que prevaleceu foi o slogan “nunca mais”.

Pois agora saibam, e de uma vez por todas, chegou a hora decisiva, a hora de dizer basta:

O novíssimo slogan é “jamais se repetirá”.

De agora em diante, quando as luzes predominarem, aceitem!

Elas são, como as velas milagrosas de Chanukah, inapagáveis.

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1- O livro retrata a saga da luta dos Irmãos Macabeus contra o despotismo e o jugo neo helenista.

WeRemember, um gol da memória! por Ariel Krok (Blog Estadão)

Abaixo, reproduzimos o artigo de Ariel Krok, também veiculado na mídia internacional, para ampliar a campanha mundial contra o antissemitismo, o racismo, a xenofobia e todas as formas de preconceito e discriminação.

A Campanha “WeRemember” (Nós Recordamos) é uma iniciativa do Congresso Mundial Judaico e exorta as pessoas a um movimento de tolerância e acolhimento. Depois dos ataques terroristas do dia 07/10 o movimento tornou-se muito mais significativo e urgente.

Pedimos aos leitores que se engajem nesta luta divulgando e compartilhando esta mensagem. A luta pela paz é interminável. Façamos dela nosso leitmotiv.

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#WeRemember, um gol da memória!

Por Ariel Krok

Há pouco mais de cinco anos o staff do World Jewish Congress, entidade máxima das comunidades judaicas em mais de cem países, criou a campanha mundial de lembrança e conscientização do Holocausto para o combate à todas as formas de discriminação e perseguição em todo mundo.

A ideia era usar as mídias sociais para atingir o maior número de pessoas em todo mundo, uma hashtag (#) que chegasse em todos os cantos da terra e que tocasse nos corações de todos os povos, todos os países, todas as religiões.

Cinco anos depois, em 2020 a hashtag #WeRemember se tornou o TT (trending topic) numero 1 no Twitter em países como Alemanha e Canadá, e foi o quarto tópico mais falado no Twitter globalmente com mais de 270.000 tweets registrados e não para de crescer…

Nestes cinco anos, bilhões de views foram registrados com postagens de milhões de pessoas comuns mas também de centenas de artistas, esportistas, jornalistas, juízes, chefes de Estado, dignitários de nações, reis e rainhas, líderes religiosos e até do Papa.

A luta contra o racismo, xenofobia, antissemitismo, misoginia, islamofobia, homofobia e toda forma de discriminação é uma batalha diuturna, uma luta constante, incessante, mas extremamente necessária, infelizmente cada vez mais nos dias de hoje.

Com toda esta gente postando, comentando, compartilhando e aumentando o número de visualizações (views), cria-se um awareness que age como um importante e abrangente catalisador para a conscientização do maior número de pessoas em todo globo.

A participação, neste ano assim como em anos anteriores, de tantos clubes de futebol no nosso Brasil é algo ímpar, único no mundo e motivo de grande orgulho para todos nós. A cada postagem, como as deste ano, do Atlético Mineiro, do Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo, Clube do Remo e Vasco da Gama muito nos honraram.

É um número enorme de gloriosas histórias, somados temos cerca de quinze campeões da Copa Libertadores e dez campeões Mundiais, respeitáveis conquistas junto com torcidas ruidosas, gigantes que fazem o recado chegar em todo planeta. Dos doze times que participaram, dez são as maiores torcidas do Brasil, dentre estes, três – Flamengo, Corinthians e São Paulo – estão entre as dez maiores torcidas do mundo segundo a FIFA, não é pouca coisa.

Foram tantas homenagens emocionantes como a entrada em campo de Gre-Nal um dos derbies mais clássicos do mundo, ou do Corinthians segurando uma grande faixa, o Santos com um post lindo, e as diversas postagens de doze dos maiores times brasileiros, além do maravilhoso vídeo publicado pelo Internacional de Porto Alegre, foi de tirar o fôlego.

Não faltaram amigos para ajudar nesta difícil tarefa de convencimento das equipes e todos os tramites junto a CBF, por isto deixo aqui minha imensa gratidão para esta turma que trabalhou muito nos bastidores e dos seus contatos nos  times do coração.

É de encher o coração de esperanças por um mundo melhor, sem ódio, sem violência.

Muitíssimo Obrigado!

#WeRemember and will never forget / #Recordamos e nunca esqueceremos

Desinformação assistida. (Blog Estadão)

Desinformação assistida

Paulo Rosenbaum

Não, isto não é uma discussão sobre a eutanásia do quarto poder. Testemunhamos mídias cuja missão tem sido desinformar, filmes que registram a história com viés ideológico, documentários que ocultam a verdade, jornais que tergiversam sobre o gravíssimo abuso de poder por aqui e acolá. Os mecanismos que supostamente foram criados para controlar a desinformação transformaram-se numa estratégia para perpetua-la. Vale dizer, controlar o vazamento do falso de uma tal forma que a massa, mesmo desconfiada, aceite a marca de “jornalismo ilibado”.

Ora, não é preciso muita astúcia para entender que o mundo idealizado da informação acabou. Não precisam acreditar, basta ler com atenção os blogs sujos, a mídia shinobi, o poder integral, a BBC, Al Jazeera e suas filiais ao redor no mundo. Igualmente não é preciso ser muito perspicaz para perceber que a mistura de propaganda com informação resulta em insciência.

Talvez a arte de bem informar renasça adiante, mas, pelo menos por hora, tenhamos em mente de que não há quase nada confiável, muito menos análises técnicas e imparciais. Os analistas disponíveis, salvo raríssimas exceções, adotam a linguagem do senso comum, exercem pouco seu dever sagrado da autocrítica e vão misturando coleta de fontes secundarias com inspirações superficiais do momento.

Uma palavra sobre o instantâneo: a velocidade com que as news se disseminam através de boatos, retransmissão e posts nas redes antissociais é também um fator que corrói a virtude do que é verdadeiro. E as máquinas com chips já aprenderam como o boato e as análises de ocasião são lucrativas. Ou seja, por enquanto, é irreversível.

A democracia – segundo o velho Winston Churchill, “o pior sistema de governo exceto todos os demais”- entrou na perigosa rota de um novo absolutismo com a inestimável ajuda de toda essa cosmetologia representativa cuja autonomia encontra-se seriamente comprometida. Comprometida com o que? Para evitar o que? Ao fim e ao cabo: a prevalência da vontade dos povos.

Isso mesmo.

Há uma elite de bem pensantes que sabe muito melhor, e com certeza absoluta, o que é melhor para você. Não só sabe como, caso você não esteja ciente, ela o levará pela mão até a boca da urna. Por bem ou por mal. No impresso ou no eletrônico.

Espantoso, pois não?

Aqui entraria bem a expressão: mas isso é puro populismo.

Notem que o populista contemporâneo não se preocupa mais em agradar eleitores, precisa apenas subsidiar quem os influencia. Monitorar aqueles que construíram sua auto referencia a partir da grana e de muita alavancagem corporativa. Isso basta, olhem em volta.

Por isso mesmo os burocratas da USAID, órgão criado em 1961 por John F. Kennedy com uma intenção benévola até prova em contrário, estão desolados com seus desligamentos. Afinal a administração americana anterior fez fluir bilhões para Ongs ligadas ao discurso do ódio, subsidiou racistas e até alguns milhões foram para os terroristas de Gaza, além de gastos imprescindíveis como os U$ 7,6 milhões para ensinar jornalistas do Sri Lanka a usar linguagem não binária.

Você não precisa, e nem deve, acreditar neste escritor ou no industrial das baterias elétricas para julgar a pertinência de tais bons investimentos. Apenas verifique sozinho. Transforme-se temporariamente em um jornalista investigativo sem diploma. Porém, se a sua ideologia te paralisar na hora de fazer as constatações a partir dos dados que você mesmo apurar é hora de parar para uma dura reflexão à luz do reflexo no espelho.

Precisamos ter claro que o sujeito, a subjetividade e a necessidade de independência de pensamento precisaram ser subjugadas pelo Estado para reconstitui-lo como um novo modelo de governança. É o modelo Imperial piorado. Tudo isso evocando um daqueles “retrocessos do bem” que entre outras coisas desprezou a magna carta, um documento de 1215, fundante do conceito de democracia.

Não se enganem também com a farsa do argumento “polarização“ que usa o termo como se não houvesse uma clareza de princípios estratégica que norteia a destruição do centro político para dar lugar à opções rasantes. Rasantes porém sedutoras dada a redução da realidade que propõem. Trata-se de uma tática para mimetizar extremismos induzidos. As razões de Estado são cada vez mais claras: suprimir o sujeito individual e troca-lo por uma liberdade coletiva abstrata. Aquela que nunca chega. E, se chega, tem um corte medíocre. Não vale um tostão de mel coado. O mesmo acontece com uma casta que, a despeito de não ter obtido um único voto, legisla sobre milhões de pessoas e outorga-se o direito à uma elasticidade hermenêutica sem precedentes para interpretar, vale dizer, tergiversar sobre a constituição da federação. Digam lá, a carta ainda está em vigor? Lutamos contra a ditadura para ficar submetidos às irrecorríveis decisões monocráticas?

Por isso, mas não só por isso, para os regimes de hoje a desinformação assistida deve prevalecer como uma cortina de fumaça que simula as velhas palavras-chaves que hoje funcionam como slogans vazios: transparência, sustentabilidade, e claro, a isenção acima de qualquer suspeita.

Parece pessimismo, mas é apenas um fragmento mínimo do realismo fantástico dessa nossa nova era. Portanto, filtrem tudo e, caso tenham a sorte de extrair uma gota de informação crível, deem-se por satisfeitos.

A alternativa é começar a considerar que sob uma regeneração espontânea a imprensa deverá recuperar sua capacidade crítica e gerar uma nova geração de articulistas combativos e dispostos a enfrentar as modas.

Afinal, parafraseando Kafka, milagres acontecem!

Não para nós.

Quem sabe amanhã?

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