O que estamos esperando?

Sem cerrar fileiras, a inação é iminente

Serão todos contra todos

Onde as tábuas de salvação flutuam

Os lados e seus fronts, posicionados

E teus soldados, estarão preparados?

A selva, armada?

Nos impuseram silêncios

Os inertes, convocados, desertaram

O centro migrou

E seus membros (que já não eram grande coisa)

Caíram, ainda vivos, na obsolescência

E onde fica o sujeito na guerra das porcentagens ?

Somos seres analógicos, coagidos ao digital

Por que haveríamos de sumir?

Oprimidos entre a seletividade dos discriminadores

E a violência dos anti

Entre supremacistas do bem

E o monopólio de redatores néscios

O que estamos esperando? Eles vão chegar.

Os déspotas disputam troféus com seus antípodas

Que insistem em nos ensinar:

“Quem somos nós?”

E quem são vocês para perguntar “quem somos nós?”

Os tribunos prosperam, contando tributos

Ocupados com intervenções jamais requisitadas

Enquanto os juízes, desvencilham-se do juízo,

Promulgam o veredito uníssono: perpétua

O subtexto está lá: o poder imanta o pior

E neste isolamento sem fim, em sua insípida dissipação

Que a vida foi pulverizada

Em vez de descentralização, acúmulo de força

O que estamos esperando? Eles chegarão.

O término de algum processo?

Uma grande ordem:  “finda a doença?”

O que esperamos? Eles vão chegar.

O adiamento do perigo?

Idealizar a invulnerabilidade?

As moléstias vivem se substituindo

E a extinção, parte do corpo biológico

O que estamos esperando? Eles estão chegando.

Quem induz fobia colhe terras devastadas

Onde nada cresce

Quando chegarem, nem os dóceis permanecerão trancados

Casa lacradas ou prisão domiciliar? Nem ouse gritar

A incitação à liberdade foi tipificada

Inimputabilidade só para aqueles a quem a causa convier

O que estamos esperando? Eles chegarão.

A autorização do saneador geral?

De onde virá a cura?

A saúde é patrimônio individual

Toda conivência política com a doença é um ardil

O detalhe é, o inadiável chegou.

Agora pode ser uma escolha. Agora.

Enfrentaremos o risco ou seguiremos produzindo álibis?

O que estamos esperando?

Eles já chegaram?

Sempre estiveram aqui.

Nós? Nunca!