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 Jogos Paradoxais

O novo mês entra e a sede por utopia parece intacta. Não se trata só das manifestações – que começam a parecer redundantes — nem da notável sensação de desgoverno. Parece que somos pastoreados por gente que perdeu o discernimento no patético clima de despreparo dos legisladores.

A desigualdade social diminuiu e pode até ser que a insatisfação das ruas seja realmente um fruto indireto de expectativas inflacionadas. Mas a ascensão de toda essa gente à classe média jamais seria uma espécie simbólica de “índice de sucesso” como quiseram insinuar os propagandistas do poder. Oportunistas com suas bravatas são os que menos precisamos nessa hora.

Reparem que desde os blocos de junho não surgiu um só político com visão de Estadista, nenhum discurso que trouxesse uma percepção original, nada de uma análise ampla para o esclarecimento da delicadeza do momento atual e a grande oportunidade para fazer avançar a democracia.

A psicologia já fez notar que é próprio do mundo idílico não assumir responsabilidades. É sob este clima que Governo e oposição ficam no faz de conta. Agora travam guerra aberta de dossiês na mídia, com óbvia  vantagens para quem controla as informações e as escoa conforme sua conveniência. Alguém do alto do marketing político está dando as cartas. E está tentando infundir a ideia de que é tudo igual. Há contudo uma diferença: há figuras fortes da oposição com autocrítica suficiente para pedir investigações na própria carne, já, do outro lado, sabemos onde foi parar a tal refundação do partido depois do mensalão.

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