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Pessach: a travessia de Moisés (Blog Estadão)

Conto de Notícia, Paulo Rosenbaum

14.abril.2014 11:24:49

Pessach: a travessia de Moisés

Travessia de Moisés

Deixe-me entender, eu vou carregar este povo todo? Nas costas?

Quase dois milhões? Todos os escravos? Que alivio, achei que era todo mundo.

Senhor, não quero parecer arrogante!

Insolente?

Ok, insolente. Mas mesmo assim preciso dizer, isso que me pede é inviável.

O governo não está exatamente contente com a agitação das massas.

Eu sei, eu sei, mas arrancar todos escravos de uma só vez?

TROVÕES!!

Não está mais aqui quem falou!

Finalmente atravessamos Senhor, espero que isso entre para os anais. Manchete:  a maior libertação em massa da história.

Agora devo subir? Até lá em cima? 40 dias? Oh Oh! Farei isso Senhor. Isso aprendi. A razão é sempre da chefia.

Desço com as tábuas? Agora?

Não é possível falar! Eles não estão fazendo isso…por que estão fazendo isso Senhor?…Me diga que não. Não quero mais ver.

Sei que pedi para ver como estava lá embaixo, mas isso?

Não, não vou me acalmar. O Senhor me desculpe, mas para que me acalmar? não foi o Senhor mesmo que me disse que me escolheu porque sou autêntico? Que era difícil encontrar alguém que assume ser ele mesmo? Se tenho a marca que o agrada, por que não posso reclamar?

Pronto, já me arrependi! Cá entre nós me assusta ver gente saindo do mesmo beco, deixando a miséria, emancipados da ditadura, mas não se contentam com nada. Eu me pergunto por que se odeiam tanto?

Eu sei, seu sei. Concordo convosco: no teu trono prevalece bondade sobre qualquer severidade. Não prometo, mas vou tentar lembrar.

Eu soube desde o inicio que não seria fácil. Posso perguntar? Eu tinha escolha?

Não? Obrigado. Já desconfiava!

Agora me descontrolei.Quando eu vi aquilo perdi a cabeça. Posso pedir uma coisa? Lembre-se: somos homens. Não somos anjos nem matéria inerte.

 Seriam só estas?

Não, não é que quero mais. É que achei que com uma constituição assim tão enxuta não sei se rola. Só com isso dá para civilizar toda essa gente? 

Teremos dificuldades em cumprir só estes dez? O que será preciso fazer?

Nada? De verdade. É que o Senhor me pede coisas difíceis.

Perdão Altíssimo, vou abrir meu coração. Sinceramente, não sei se sou o homem certo para o cargo. Não tenho as habilidades de um líder e há gente muito boa nas tribos. Tem pelo menos uns cem com mais capacidade. Eles seriam verdadeiros líderes.

Eu sei, eu sei, já me falavam isso desde pequeno, dou muitos palpites!

Posso só dar mais um? O último?

Obrigado. Eu só indicaria quem têm gosto pela coisa. Posso fazer uma lista tríplice e

Ah, entendi. O Sr só escolhe quem não tem gosto pela coisa. É, é um critério.

Posso perguntar por que?

O que mais posso fazer?

“Moisés têm pensamentos não verbalizados: estaria melhor cuidando dos meus, da minha família? Fui metido numa fria. Fiquei sem trono e sem sustento.” 

Nada, nada. Eu ouvi sim, estava meditando um pouco.

É para dizer logo o que quero? Se não estou abusando queria repostas claras. Todas essas instruções serão compreendidas?

Estou aqui? Sim recebi. Agora sei. Posso só formular mais algumas perguntas? Sei que os anjos andam impacientes e que estou embaçando.

Eu sei, o cronograma está atrasado. Eles me contaram, estou atrapalhando a agenda.

Mas isso aqui é uma tremenda responsabilidade, e eu achei mesmo que o Senhor tinha todo tempo do mundo.

Não sei se posso deixar para depois.

Se quero ver o futuro? Não. Quer dizer, depende. Posso só dar uma espiada? Permite interromper se sentir aperto no peito? O Senhor sabe como isso me afeta.

Não tinha ideia. Não tinha ideia!

Obrigado, mas já vi o suficiente. E o Senhor me garante que mesmo depois de tudo aquilo que vi sobreviveremos? Mesmo depois daquilo na Alemanha, na Polônia, a crise dos mísseis, a guerra fria, as ogivas? Agora tem a Ucrânia?

Eu escutei. Sim, e posso repetir com gosto: a liberdade é a herança mais preciosa. A primeira obediência ao Senhor é resistir à tirania.    

Estou arrepiado Senhor. Posso chorar? 

Estou arrependido. Desculpe, são recaídas infantis, estou ciente. Perdão, é que nunca confiei cegamente em ninguém.

Se já posso parar de chorar? Sim perdão, é que isso emociona qualquer um. Tamanha destruição e a humanidade se erguerá tantas vezes quantas forem necessárias.

Freud? Quem é? Ele escreveu sobre isso? Vou anotar. Entra para a lista de leituras.

O Senhor não se comove? Por que a humanidade precisa passar por tudo isso?

Compreendi. O que vale é o mérito que o Senhor enxerga na humanidade. Bom saber que têm alguém com fé inabalável. Eu já estava quase sem esperanças.

Oh Altíssimo! Garanta por favor que é isso que nos acontecerá depois de tudo que eu acabei de ver? Mas e a paz?

Não só na terra santa. Fui abelhudo. Dei também uma olhada no estado do mundo.

Será uma surpresa para todos? Virá de onde menos se espera? Agora o Senhor aguçou minha curiosidade. Vão conseguir interromper as mudanças climáticas? O pessoal vai desativar os reatores? A intolerância vai acabar?

A coisa toda foi de propósito? Tudo faz parte de um plano maior?

É que o senhor não imagina quanta picaretagem, não faz ideia de como ouvimos isso por aqui!

Minhas mãos estavam fracas e tremulas. Só agora estão recuperando a força. Me sinto cada vez mais determinado. Posso agradecer?

Sei que um dia todos experimentarão a mesma liberdade. Por enquanto sou grato por ter chegado até aqui. Mas que trabalhão. Dia e noite. O Senhor não faz ideia de como eles me ocupam.

Não é só no STF. Eu mesmo tive que julgar coisas que o Senhor não tem noção.

Perdão. Perdão. Sei que o Senhor é o mais ocupado, mas sou só um homem.

Já terminei. Preferia as tábuas esculpidas com teus dedos. Agora desço. Vou e peço toda sua ajuda e benção.

Este dia será um marco para todo o Universo?

A alegria é sagrada? Entendi. Finalmente.

O Senhor está vendo?  Fiquei aflito de novo. Para que me contar tudo isso?

Sei que fui eu quem pedi, mas vou confessar, não ouça tudo que a gente pede. Quando for bobagem, ignore. Imploro. Truman Capote já tinha escrito isso? Vai para lista.

Do que o Senhor está rindo, posso saber? Eu também o amo, só não entendi a piada.

Vou pensar nisso, deixe ver se decorei:“alegria, Minha maior qualidade”

Deve ser também a nossa? Isso foi forte! Vou reconsiderar. Para começar, vou reclamar menos. 

Todo Poderoso? Seria abuso pedir mais duas coisas?

Não, não, sem lenga-lenga. Desta vez prometo não voltar atrás. Sem atrasos, de acordo. Poderia fazer com que os homens enxerguem tua presença? Pode ser? Uma única vez?

Desta vez o Senhor passa? Ok. Não o recrimino. Garanto que o Senhor está sendo poupado.

O outro pedido? Ah sim, claro. O Senhor poderia fazer sua voz ser ouvida? Alta e clara? É que eles podem achar que não conversamos. Não vão aceitar que pode ser com toda essa naturalidade.

Então pensei, se o Senhor…Ah, compreendo, eu só queria que todos experimentassem a felicidade, a liberdade e a fraternidade.

Não Senhor, não sou nada comunista, nem liberal, é só o desejo de ver todo mundo gozar de justiça e bem estar.    

Não saberia dizer porque não tenho o medo deles. Acho que é porque desenvolvemos esta intimidade. Eles lá debaixo não podem fazer o mesmo? Não, não, compreendo que ninguém os está impedindo. O Senhor me conhece. Queria dar uma forcinha. Não dá para quebrar o galho? Agora por que essa risada? Não, não, não sou deste lugar que o Senhor falou. Nem sei o que é Brasil, o que é Brasil?

Tudo bem, trato é trato é que….

VIOLENTO TROVÃO!!!         

Calma. Já estou descendo, já estou descendo.

 

 

Malandragem de ponta

Coisas da Política

Hoje às 06h00

Malandragem de ponta

Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Há uma tese circulando entre governantes. Prediz mais ou menos o seguinte: podemos errar o quanto quisermos: não pega nada! Estão cegamente confiantes que a blindagem é escudo que barra até as partículas radioativas. Das duas uma: ou a convicção é tão forte que resvala na imbecilidade.Ou o desejo de obedecer o slogan enganar para venceré de tal modo extremado que estão apostando no confronto e na divisão da sociedade como plano B. Neste caso, prognóstico reservadíssimo.

Vejamos o malando da ponta direita. Eles têm a desvantagem da transparência e da ingenuidade. Por aqui, as marchas pedindo golpe demonstraram quão despreparados estamos para externar a desaprovação aos desmandos. Rebelião contra serviços? Foi o que um megaempresário acabou de pedir. A qual lugar isso nos levaria? Vão culpar quem? O servente, o médico, o escriturário? Ou vamos dar safanões no motorista do metrô, ofender os funcionários públicos e destratar atendentes?

O que adianta depredar ônibus, escolas e estádios? Qual nome e legenda beneficiária política dos ímpetos destrutivos?

Se ganha a dona Le Pen na França, as minorias estarão em maus lençóis. De extrema direita ela já declarou — notem a índole do ódio liberador — que exigirá como uma das primeiras medidas que as prefeituras suspendam refeições especiais (isto é, sem carne de porco) para atingir muçulmanos e judeus. Que perfeita maracutaia capturar o crescente sentimento xenofóbico dos francos para enfiar mais votos nas urnas!

Já o malandro da ponta esquerda não é muito diferente. Se está longe da ingenuidade, sua opacidade não poderia ser mais densa. Se há um escândalo, tergiversam. Se há prejuízo, embolam. Pega bem. Se nada disso der certo, desmentem com veemência e dizem que é complô da oposição. Mesmo sem evidências, que ela esteja viva.

Por fim, o malandro pode recorrer à afirmação estúpida — o essencial é pronunciar pausadamente, com convicção:

— Podem dizer o que quiserem, foi um bom negócio!

Frases curtas, com reticências. Evite-se explicitar para quem foi bom.

Ou convoque uma reunião de blogueiros simpáticos a sua causa, acenando patrocínios.

—O que devemos dizer, Sire?

— Qualquer coisa, evitem falar do assunto.  Batam em quem fala.

— Mas, e as provas? O que fazemos contra as provas?

— Filho, temos unhas e dentes. Ninguém mais dá pelota para provas.

Pelo mundo, malandros parecem continuar embaralhando sozinhos as cartas do poder.

Putin, escolado em alguma colina nos arredores de Moscou, combinou com o ex-presidente deposto em Kiev que declarasse que divergia da posição russa. É que agora ele vai se engajar numa “campanha para que a Crimeia volte a ser parte da Ucrânia”. (sic)

Nice try Mr. Putin. No caso de Vladimir, não se sabe se ele é esquerda, direita ou um autocrata eclético, gênero em ascensão pelo mundo.

O que chama mesmo a atenção é a raridade de políticos com independência para cuidar da única coisa que importa na atividade: oferecer e implantar uma visão estratégica de Estado. Em sua maioria esses sujeitos estão sempre a zelar pela coisa privada na vida pública. Contradição em termos, podem resmungar alguns. Mas, e se for aí que estiver a essência da degradação?

Que ganhem. Que ganhem muito. Que mudem as leis. Que os salários dos representantes e parlamentares sejam bem próximos do absurdo. Não exigirá nenhum esforço. Que se aparelhe o Estado com parentes, amigos e simpatizantes da causa. Que se rateie o superávitdos negócios públicos. Mas queremos uma contrapartida. Uma única exigência. Façamos dela um dogma: exigir gerenciamento eficaz da República.

Mas isso já é pedir muito.

Tags: estado, governantes, kiev, le pen, putin, república, vladimir
Fatalidade, mãe das escusas (Blog Estadão)

A fatalidade é a mãe das escusas. No fundo já intuíamos, para além do IPEA, que os equívocos das análises estatísticas também são seus frutos. Afinal, é o destino que acaba interferindo nos números, no desvio padrão, nas contas governamentais. A fatalidade, antes responsável por acidentes  do acaso como relâmpagos e terremotos, agora também se incumbiu das pontes mal projetadas, incêndios inexoráveis, PACs sem cronograma, e equívocos nas políticas públicas de água e energia.

Está por trás das balas perdidas, da insegurança pública, da crise econômica, da precariedade das cadeirinhas nos parques, dos acidentes na montanha russa. Raiz da inimputabilidade tão na moda — não vi, não sei de nada, não fomos nós — berço das insuficiências e a marca registrada da resignação. A própria gestão do País parece controlada pela megera. A fatalidade está para bem além do bode expiatório. Ela é sintoma do desarranjo na linguagem e de extrapolações que escamoteiam a realidade.

Ela representa o justificacionismo, o álibi irretorquível, o desserviço,  a mão na roda da incompetência universal, o pau para toda obra mal feita. De quebra, se esconde atrás do princípio democrático: todos podem recorrer a ela, do negligente ao inepto, do erudito ao tosco, do homem de partido ao captador de doações eleitorais.

Fatalidade é a mãe.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/fatalidade-e-a-mae/

Postes em Branco (Blog Estadão)

 

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Ser informado instiga? Ter acesso ao conhecimento subverte? Há limites éticos para produzir acesso universal à informação? Quais as fronteiras éticas entre esclarecimento, convencimento e persuasão? Guerra de informação sempre foi um front. Algumas campanhas que viriam a calhar se os países que gozam liberdades democráticas pudessem informar habitantes de outros territórios dessa preciosa qualidade. É sempre bom saber que podemos ter opções no lugar de sermos reduzidos a meros sucursais do Estado.

Durante a segunda guerra folhetos antinazistas, alguns redigidos por escritores como Thomas Mann, foram lançados sobre as populações da Alemanha nazista. O longo e icônico poema “Liberdade, eu escrevo teu nome” de Paul Eluard, contrabandeado para o Reino Unido, teve as estrofes impressas alguns anos depois de terem sido escritas, para serem lançadas pelos aliados sobre a França ocupada.

Sugestão de campanhas imediatas para países com censura: aspergir folhetos com cortes de cabelo revolucionários sobre a Coreia do Norte. Pulverizar países fundamentalistas, onde mulheres estão proibidas de dirigir, com imagens fortes de ocidentais ao volante. O mais prático serão drones descarregando panfletos.

Em outros lugares, infestar o ciberespace com mensagens eletrônicas. Sobre ditaduras e autocracias emitir sinais intermitentes sobre a existência de regiões curiosas, onde existe revezamento de poder, mais de um partido, liberdade de expressão.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/postes-em-branco-e-twitters-de-estado/

 

 

Cabresto Universal

Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Coisas da Política

Hoje às 06h00

Cabresto universal

Paulo Rosenbaum – médico e escritor

Vai ter de tudo. Copa, confusão e eleição.

Curiosa a verve estoica das elites governantes. A maioria faz questão de ignorar o tamanho da encrenca em que a má gestão política e a condução da economia nos meteram. Do outro lado, há gente pedindo bis. — Queremos golpe! Só isso? Golpe e pronto? De qual tipo? Militar? Imobilizador, ou nocaute?

A frase oscila entre a estupidez e o non sense. Apesar de como a maioria, também me desespero com o curso dos acontecimentos. Mas golpes abrem precedentes difíceis de sanar. Quem pede golpe pode não se dar conta, mas é sócio ativo dos que hoje pensam em rasgar a Constituição, ou reformá-la à sua conveniência, o que no fim e ao cabo dá no mesmo.

A quem interessa que se projetem apenas polarizações no imaginário social? liberdade ou socialismo, justiça social ou capitalismo selvagem?

Capturo uma experiência das ruas. Um taxista acaba de me dizer, com pesar, que, na sua cidade — região do setor leiteiro do sul do Ceará — muitos conterrâneos preferem não mais trabalhar — com ou sem registro — porque estão acomodados com os benefícios sociais conquistados.

Enquanto dirigia, empolgado pela indignação, emendava que todos por lá votarão na situação. A pergunta inevitável, que não fiz, seria saber se era essa a função —essencial, imprescindível, útil — dos programas de assistência do Estado. Gestões tucanas foram pioneiras nas “bolsas”, e hoje a autoria é ferozmente reivindicada pelas petistas. Mas a pergunta que importa não é quem é a mãe. Indagamos se o plano era transformar os pobres em vassalos do Estado. Se o improviso pode ter caráter definitivo.  Se a emergência há de continuar.

No lugar de promover desenvolvimento e educação, aplacar a fome de renda, aplica-se a injeção soporífera de renda vitalícia. Sob tal esquema, quem negará sucesso ao populismo de Estado? Como é tentador proscrever a miséria na base do decreto, do slogan, do voluntarismo messiânico.

Claro que dá muito mais trabalho — muito menos interessante do ponto de vista do apego ao poder — aumentar a produção, diminuir as desigualdades através do crescimento sustentável da renda, tornar os sujeitos autossuficientes para  que possam, enfim, sonhar com algo parecido com a cidadania. Sonho bem distante dos brasileiros.

E assim vamos emplacando o cabresto universal da perpetuidade. Depois das experiências pífias de milagre econômico, socialismo moreno, globalização e liberalismo chegamos ao pseudossocialismo candango. Um derivativo do atraso, da mesmice, da inépcia política que atola a Federação com ideias de antanho, num momento que exigiria quebra de  paradigmas, não reafirmação de dogmas.

Parece produzir algum conforto mental acompanhar os bem-pensantes que fantasiam a luta essencial entre conservadores e revolucionários. Convoca-se violência, aposta-se no acirramento, na exposição crua das contradições do capitalismo, como se elas já não estivessem dissecadas a céu aberto, nas fronteiras fraqueadas ao crime, nas cidades abandonadas à própria sorte.

Incorrem no simplismo primitivo de ignorar como estão distribuídas as forças produtivas. Mas, principalmente, são hábeis para negar a legitimidade das aspirações das pessoas. Doravante reduzidas à classe média, pequena burguesia, elites conservadoras. Seletivamente cegos, ignoram que processos de transformação que viram a mesa, esfacelam junto a cultura. Cuja democracia é um dos seus resultados civilizatórios.

O erro está em supor que a vida comporte reduções dessa ordem para se encaixar em formulações políticas.

Não podem conceber — muitos não sobreviveriam — que há sempre uma luta precedente, não exógena, não ideológica.

Ainda há esperança que o sonho de Monteiro Lobato não termine no mesmo buraco sem fundo que deu início aos anos de chumbo. Imagino que, num futuro próximo, muita coisa vá requerer medidas de inédita radicalidade. Resta saber se, contando com os instrumentos atuais, estamos maduros para os colocar em prática.

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2014/04/03/cabresto-universal/

 

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